Difundindo o UX Design em Natal-RN

Os primeiros passos de uma comunidade

Há muito tempo eu conversava com colegas da área de design e da tecnologia da informação sobre uma grande lacuna, a falta de um debate mais profundo sobre a experiência do usuário e o design de produtos digitais no contexto da cidade de Natal. Esse incômodo sempre me vinha à cabeça ao me ver diante de um cenário global em que

o off-line e on-line estão se confundindo a cada dia.

Com frequência, soluções móveis estão sendo pensadas, a distribuição de conteúdo já não é mais a mesma e há mercados ficando obsoletos com intensa velocidade, ao passo que o pensamento disruptivo tem avançado significativamente com produtos que utilizam das potencialidades do digital para resolver problemas sociais e oportunizar novos modelos de negócio (ainda que criando os novos desafios jurídicos e políticos, efeito exotérmico bastante comum em destruições criativas). E com o advento da internet das coisas, a tendência é que o digital seja parte integrante — como já o tem sido — no dia a dia das pessoas.

Quando transporto isso para o contexto de nossa cidade, vejo que nos últimos anos houve uma expressiva quantidade de iniciativas, startups, empreendedorismo, aceleradoras, incubadoras, apps, sistemas e várias coisas sendo pensadas e surgindo em nosso mercado. Inclusive tem havido um estreitamento animador no diálogo entre a universidade e a gestão pública do município quanto a esse propósito.

Com tudo isso acontecendo, me vem a pergunta: “o que estamos fazendo de diferente de outros lugares?”. Indo um pouco mais longe, a pergunta seria: “o que poderíamos fazer diferente?”.

Nossa cidade tem suas singularidades, desafios próprios que podem ser encarados em diversas esferas: educação, saúde, transporte, segurança, energia, sustentabilidade, turismo, cultura, comunicação… são muitos os potenciais para o digital em nosso contexto, tanto para produtos como serviços. Aliás, esse é um ponto curioso, pois

vejo uma linha tênue no digital: até que ponto algo é um produto ou um serviço? Ou seriam as duas coisas em uma só? Talvez os conceitos estejam se amadurecendo, mas uma coisa é certa: ambos pressupõem um usuário, um cliente, uma pessoa que vai usar. E alguma experiência ela vai ter.

O fato é que desenvolver e lançar as apps não é tudo, elas são a parte visível do iceberg, e nem tudo que é novo é necessariamente inovador. Em outras palavras, estamos projetando as tecnologias para quem? E uma vez definido quem são, estamos imergindo, de fato, em seus contextos, cotidianos, expectativas e necessidades? Como tornar isso parte e cultura de nosso processo de inovação tecnológica?

O tio Norman (2010:18) nos aconselha:

Devemos projetar as tecnologias de acordo como as pessoas se comportam, e não como gostaríamos que elas se comportassem.

Compreender os diferentes perfis de usuário e projetar de acordo com suas necessidades não é algo trivial. Porém é um desafio a ser vivenciado por quem desenvolve tecnologias, pois ao decidir como estas serão, estamos decidindo também os passos da experiência de seus usuários. São questões umbilicalmente ligadas, que atuam sobre indicadores como ROI e a conversão do produto, além de serem influenciadoras diretas da quantidade de retrabalhos. Afinal, uma vez que a estratégia é testada com usuários durante o processo, o tempo de reação da equipe será muito menor e o produto final bem mais consistente e alinhado ao negócio e aos próprios usuários. A UX se insere, nesse sentido, como um importante fator de sustentabilidade no processo de design, desenvolvimento e gestão do produto.

Mas voltando ao começo, a minha pergunta era se tinha gente pensando nisso por aqui… e olha só! :D

Foto: Mateus Pinheiro de Lima

O último dia 28 de abril foi uma data memorável em que pudemos reunir gente interessada em compartilhar ideias, aprendizados, repensar a UX no contexto digital e difundir esse mindset em seus cursos de graduação, pós, ambientes de trabalho, startups… wherever.

Não poderia deixar de mencionar Augusto Pimenta, que idealizou o encontro e sacudiu as coisas para o movimento acontecer, Lucas Miquéias e tantos outros que ajudaram a dar esse primeiro passo. Nos últimos dias, mais pessoas têm se agregado e já estão gerando insights para o futuro, criando novas bases, canais de compartilhamento e espaços de diálogo.

Não é pouca coisa que vem por aí. : )