O uso de narrativas em interfaces digitais

Em mundo caótico, onde a quantidade de dados se multiplica a cada dia, ferramentas que diminuam o esforço de aprendizado se tornam uma necessidade prioritária.

Ao desenharmos interfaces mais simples, nosso esforço está justamente em facilitar a vida do usuário, sobrecarregado de estímulos, em seu caminho de descoberta dentro dos nossos site, aplicativos, produtos digitais e outros.

Acima de tudo, na função de arquiteto de informação, vemos um grande esforço intelectual em reduzir a quantidade de trabalho que o usuário terá para compreender a navegação e as informações ali presentes.

Neste sentido, todas as nossas decisões são amplamente discutidas e desenhadas para maximizar a lógica e a hierarquia dos dados, mesmo nas características interativas ou nos elementos visuais.

Uma ferramenta que contribui no processo de navegação é a construção de narrativas coesas. Pensar a navegação como uma narrativa contribui para uma consistência fluida e diminui a possibilidade de quebras lógicas.

Podemos, sumariamente, compreender a narrativa como uma teia unificada de eventos, fatos e elementos organizados de tal forma a estabelecer conexões entre eles.

Ela possui uma introdução da situação, uma série de eventos, frequentemente envolvendo tensão ou conflito, e uma resolução.

Na navegação digital, a narrativa também requisita do projetista uma boa percepção de múltiplos caminhos, uma vez que os usuários nem sempre seguirão o caminho idealizado.

No caso de um site, por exemplo, nem todos os visitantes entrarão pela interface de início e, neste caso, o desenho deve proporcionar tantos recursos de navegação quanto necessários para saciar as necessidades ou desejos do visitante.

Como referencia, sempre recorro aos infográficos interativos, que unem bem o esforço intelectual em deixar as informações mais simples com a construção de narrativas interessantes.

Um dos meus favoritos, por sua complexidade de dados, foi desenvolvido por Alberto Cairo.

O infográfico apresenta a evolução da população no mundo desde 1950, ressaltando alguns pontos pelos quais crescemos tão vertiginosamente nas últimas décadas.

Como podemos observar, na figura a seguir, o infográfico começa com a linha do tempo destacando os principais pontos do crescimento populacional. Apesar disso, a navegação permite explorarmos os pontos desejados, sem ser necessário passar por outras informações anteriormente.

Além da visão geral, o infográfico ainda oferece mais duas formas de aprendizado. O mapa por países e o mapa por cidades, vistos abaixo, que se usam de pontos sobre um mapa mundial para mostrar o crescimento populacional.

Além das ferramentas de exploração, o infográfico ainda traz recursos para a própria navegação, como a ferramenta de zoom e a de busca.

Apesar de ter alguns pontos que eu projetaria de forma diferente, gosto especialmente da forma como as metáforas foram usadas nos dados e como os recursos interativos são desenhados de acordo com o dado com o qual se relacionam, como o arrastar para a linha do tempo.

Outro ponto que eu gosto neste projeto é a forma como a narrativa é coesa suficiente para trazer conhecimento, porém aberta o bastante para cada visitante construir seu próprio caminho, apreender o desejado e abandonar a qualquer momento.

Este é um dos meus exemplos favoritos, porém existem diversos outros possíveis de serem usados para estudo ou referencia.

O mais empolgante é saber que podemos usar a narrativa como recurso para tornar nossos projetos digitais ainda mais simples e prazerosos para os visitantes.

Referências
Infográfico do crescimento populacional; The Functional Art;

Esta postagem pode ser lida também em hellerdepaula.com.

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