De se lançar no mar

Leandro Gejfinbein
Jun 14, 2017 · 3 min read
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Quando me lancei na Internet, há quase 20 anos, fiz com passagem só de ida. Foi quando descobri, um dia, que o que eu buscava separado na Ciência da Computação e na Comunicação, e não encontrava, então se unia e se realizava nesse novo ambiente digital. Gosto de pensar o digital como uma trama, um manto que cobre tudo e tem o potencial de transformar as coisas, as pessoas, os negócios, de maneira irreversível. Fascinante, não? E que tal se dar conta de que estamos só no começo? E que tal esbarrar num anúncio de que fazer parte dessa transformação é um ‘job description’? Zarpei.

Navegando nessas águas, nessa época, era fazer as coisas antes delas terem sequer nomes e referências. Era um mundo a ser descoberto por inteiro, sujeito à euforia de ter de prestar poucas contas e o risco de se perder no desconhecido. Fez bem quem cedeu menos às distrações passageiras, modismos e trabalhou de olho no impacto real e propósito do que se estava construindo. Sempre foi preciso ser um pouco desconfiado de miragens de deuses metodológicos e disciplinadores. Mas é menos ceticismo e mais sincretismo; não é que não deveria ter qualquer fé, mas claramente sábios eram os desapegados, que faziam uso do que era adequado a um dado contexto, sem remorso de qualquer orgia, traição, abandono, no limite do que era necessário. Nisso estão duas coisas importantes e permanentes: bom senso e sensibilidade para ler e se adaptar ao que for diferente, sem nunca perder o foco do lugar onde se quer chegar. No alto do mastro, ou com o balde na mão, ou no timão, já me nomearam projetista, analista, estrategista, arquiteto, ‘planner’, e enumeraram um sem número de 'entregáveis'. Acho que ainda ganharei muitas outras alcunhas e tarefas, mas essa coleção nunca foi muito importante.

Descobri cedo, ainda bem, outra muito mais relevante: a coleção do que fui me construindo. Tesouro é o click na capacidade que temos de apreender de tudo, com cada experiência e cada pessoa nessas aventuras. Preciosa é essa coleção de partes que vamos construindo pegando emprestado, ligando numa coisa única. Bons profissionais são esses piratas, do bem, que fazem de 1 mais 1 um 3. Num ambiente onde tudo se transforma e há novo o tempo todo, aguçar os sentidos e se colocar disponível para aprender o tempo todo, com tudo, não é só segredo de sucesso, é de felicidade, de realização. E digo mais: é um desperdício estar nessa indústria sem ser do hall dos orgulhosos ignorantes assumidos, que adoram aquela sensação de ser pequeno, de repente, perante caras e empresas que estão mudando o mundo. Sabichões, profetas e irredutíveis vi muitos ficarem pelo caminho.

Eis que nessa rota, mesmo que me chamassem de muitos nomes, ainda eram todos meio sinônimos. Fui então, num dia de repente, apanhado num vento norte e me vi numa terra mais diferente. Analytics, data science, big data. E como foi lindo e curioso ver aquele céu iluminado estatístico-matemático. Estrangeiro em paz, fui acolhido; o que não quer dizer que pude não me oferecer em sacrifício. Avaliando o escambo, para receber o fogo, propus a fogueira, e começamos a narrar em histórias o que surgiam daqueles números. Foi incrível. E olha o que apronta a vida: era nada do que tinha feito e do que sabia em 10 anos e foi até aqui minha história mais bem sucedida. Ainda descobrimos uma definição diferente de estratégia que levarei sempre comigo.

Nova mudança de ventos e há um mês essa embarcação contornou mais um Cabo da Boa Surpresa. Reencontrei o Design, agora em versão plena. Ganho de presente aquela oportunidade de ser de novo pequeno, diante de uma história e pessoas incríveis. Chego sem nunca ter sido puramente designer, talvez um dos poucos à frente de uma equipe de design que sequer se formou em design. Dou um belo patinho feio. Mas talvez seja isso mesmo que falte. A postos, com a segurança de que tenho algumas pistas para o que acredito serem os desafios do design, e o resto vamos descobrir juntos. Na junção do que vou aprender e recalibrar minha sensibilidade, dou nó com esse fractal que me fiz até aqui. É entusiasmante pensar em todos os lugares que não faço a mínima ideia de onde vou chegar com essa galera, e mal vejo a hora de conhecer cada um deles.

Zarpemos.

ux globo.com

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