UXConf BR 2017 e nossa singela missão de mudar o mundo

Eu acho que todo designer, antes de mais nada, quer melhorar a vida das pessoas. Seja porque projetou algo mais fácil e prático de usar, mais bonito, mais confortável, mais adequado. E quando a gente fala sobre “designers de UX”, independente do quão questionável seja o termo, talvez estejamos pensando numa das especialidades mais preocupadas com a questão. “User experience” é design centrado no usuário na veia, e a despeito de nossas limitações, queremos abraçar todas as disciplinas que de alguma forma possam contribuir para que esse trabalho seja o mais completo possível.

Incansáveis e curiosos, esses profissionais não param de estudar, pesquisar, conversar e discutir, elaborar teorias, construir caminhos e ferramentas, e o melhor: queremos compartilhar tudo isso. Porque o que aprendemos será sempre útil para que projetos e serviços melhores sejam desenvolvidos para as pessoas.

Quando a gente participa de um encontro como a UXConf BR, fica palpável como esse ideal está presente. Em diversos momentos, nas mais diferentes falas. Quer ver só? Vem comigo:

Franz Figueroa, por exemplo, conta sobre como podemos desenvolver projetos que lidem com questões tão delicadas como a adoção de crianças, num apresentação que deixou todos emocionados.

Natalia Arsand vem nos lembrar do nosso impacto nesse mundo, seja como consumidor ou como profissional, como designer, que pode escolher como seus produtos estão presentes no mundo e que tipo de rastro queremos deixar.

Thomas Castro, num talk lindo, nos apresentou as discussões de gênero nas interfaces e como coisas que parecem tão simples e banais para parte do senso comum, merecem ser discutidas porque deixam de fora uma parte de nós. Quando desenhamos formulários que perguntam nome (nome de registro, nome social?), quando insistimos em perguntar sexo ou gênero, quando pensamos nas alternativas de respostas… o que faz sentido, como, e para quem?

Thomas Castro falando sobre gênero

Beatriz Lonskis também nos trouxe questões de inclusão e acessibilidade, desta vez focando em deficiências físicas e mostrando, mais uma vez, que nossas limitações vão além do senso comum e é nossa responsabilidade quebrar esse padrão que exclui.

Beatriz Lonskis falando sobre como podemos sim, tornar o mundo mais inclusivo

Senso comum, aliás, discutido pela Sofia Ferrés. O senso comum não significa a verdade, mesmo que aparentemente pareça lógico. Mas como questionar o senso comum? É necessário que sejamos capazes de exercitar o olhar da compreensão também com quem não compartilha das nossas visões. O debate precisa incluir a todos para que a gente construa pontes e assim, um futuro verdadeiramente inclusivo.

A gente carrega, no peito e na pele, essa vontade de ir contra o senso comum e o padrão (tattoo do Rick)

Alê Nahra também nos provoca: será que a maneira como trabalhamos hoje em dia é a melhor forma, de verdade? Será que precisamos de tudo que supostamente precisamos? Quanto potencial criativo temos em mão e que pode ser usado também para construir um lugar melhor, além de pagar as contas? Leia aqui o texto dela que traz muito do que foi dito lá.

Alê Nahra pergunta” Que projeto de mundo você ajuda a construir com o seu trabalho?”

Robson Santos, por fim, nos apresenta o Karma Design, onde cada projeto carrega em si seu histórico de ciclos passados. Eu ouso dizer que há o karma do designer: o que queremos deixar para esse mundo?

No final das contas, o que estamos fazendo é exatamente isso: deixando claro que temos uma responsabilidade nesse mundo. Atitudes como a criação de um evento como a UXConf BR representa bem que sim, temos o poder e o dever de criar ações transformadoras.

Talvez a gente soe meio sonhador, pensando que vamos mudar o mundo dessa forma. Pode ser, mas acredito que o primeiro passo para que as coisas mudem é, de fato, sonhar que elas sejam diferentes. E já passou da hora de pensarmos em mudanças, porque a forma tradicional de fazer as coisas, sejam negócios, carreira, vida, não estão nos levando para um futuro melhor. Pelo contrário.

Bruno, uma das pessoas que trabalhou na organização, no vídeo pós-evento comenta que quando começou a trabalhar nas preparações da UXConf BR achava que seria um encontro de designers, desenvolvedores, etc, e depois descobriu que se tratava, na verdade, de um encontro de pessoas que querem mudar o mundo. Resta a nós escolhermos nossos caminhos. Há muito a ser feito, mas para nossa sorte estamos nas melhores companhias possíveis :)

O futuro? É por aqui :)

Quer saber mais sobre a UX Conf 2017?

Perdeu a UXConf BR de 2017 ou quer ir de novo em 2018? As inscrições já estão abertas aqui: www.uxconf.com.br/ingressos