UX para Minas Pretas
Jun 25 · 5 min read

Projeto visa formar mulheres negras para democratizar o acesso ao mercado de user experience

Por Patrícia Gonçalves

User experience, experiência do usuário, u “xis” ou u “écs” é tudo que você interage ao seu redor. Pra ficar que essa conversa fique mais fácil é necessário que agora, ou na próxima vez que você estiver em um lugar público, faça um teste: levante a cabeça, gire em 360 graus e conte quantas pessoas negras estão ao seu redor. Pronto! Sua experiência começou.

É sobre isso que nós precisamos falar quando pensamos em experimentar o que está no entorno, e o que ainda não está, já que não alcançamos a equidade de gênero e de raça. É pra isso que o UX para Minas Pretas surgiu.

Primeiro encontro do UX para Minas Pretas no Nubank, em Abril de 2019.

“A iniciativa começou com a ideia de workshop para 5 mulheres ou 10 porque nós tínhamos uma espaço para 24 pessoas. Aí eu lancei uma pesquisa, ela foi se disseminando na bolha do UX Design, e também do movimento negro, do feminismo negro. Para a minha surpresa, lancei a pesquisa na terça, na sexta-feira, haviam 310 mulheres. Foi um número muito significativo e mostra realmente o quão urgente é a gente falar com essas mulheres negras e introduzir elas dentro desses mercados de tecnologia, que é praticamente onde a gente não existe”, conta Karen Santos, uma das idealizadoras do projeto.

O design e tecnologia têm sido ferramentas essenciais quando pensamos em práticas como as que descrevemos agora e outras milhares atividades diárias de todos os seres humanos. É praticamente impossível que ninguém tenha uma experiência de usuário durante 24 horas. Elas estão ali, mesmo que você não saiba o que isso significa.

Uma das palestrantes do primeiro UXPMinas Pretas, Diana Fournier, Lead UX Researcher na Escale Digital e Diretora da UXPA SP.

Essa tal percepção nos leva a pensar que: em um teste de pescoço, exceto se você estiver em um ambiente/encontro cercado de pessoas negras, não é possível encontrar negros com facilidade. Pensando nisso, como o UX estaria preparado para proporcionar boas experimentações para as pessoas se elas não estão nos ambientes onde ferramentas e plataformas são implementadas? Ele não está!

As pessoas negras estão aqui, ali ou lá, ou você está no lugar errado

Considerando que você mora no Brasil, há de se lembrar, que mais de 55,8% da população em volta de você se considera preta ou parda, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Por isso, na maioria dos lugares que você frequenta seria essencial que mais da metade das pessoas fossem essas da pesquisa anterior. No entanto, nos espaços de poder, de decisão, geração de conhecimento e em um mero local de trabalho, isso não é tão aparente. Por isso, é necessário discutir sobre como inserir mulheres negras no aqui, no agora e para o futuro.

Ainda estamos escassos de pesquisas recentes sobre gênero e raça na área de UX, mas uma delas dá uma visão interessante para pensar quem são as pessoas sentadas em frente aos dispositivos de criação. A Panorama UX é uma pesquisa criada pela Saiba+ e mostra pilares importantes sobre diversidade para entender a necessidade do projeto de UXMP.

De acordo com a pesquisa, apenas 5% do trabalhadores de UX são negros. Apesar disso, não é possível especificar quantos desses são mulheres, mas para ter uma noção, só 39% dos UXs são garotas. Nas posições de liderança, 72% são homens, e homens brancos, mulheres correspondem a 28% dos cargos. Sim, desta vez podemos dizer que os dados não nos deixam mentir: nós não estamos nem perto do que é considerado equidade.

Como uma mulher UX negra pode mudar a minha vida?

Não só uma mulher negras, mas partindo da perspectiva interseccional (quando pensamos gênero, raça e classe), há uma camada da população brasileira que não está na maioria dos escritórios de UX. Isso significa que: a pessoa que projeta uma saboneteira, que não reconhece a mão de uma pessoa negra quando o sabão precisa cair, é um homem branco.

Também significa que quando você carregava uma foto no Google, antes do buscador “resolver” o problema da inteligência artificial, os famosos algoritmos poderiam reconhecer você como um gorila e não como uma pessoa negra em um foto com a sua família. Ainda nesse campo, há anos, negros nem eram considerados humanos — já que uma fotografia revelada pelo filme Kodak considerava que aquilo era um “borrão” escuro — , e não uma pessoa.

Se formos adiante, pensando nos carros que não precisam de pessoas para serem dirigidos, encontramos outro probleminha: eles são racistas. Os veículos autônomos detectam “melhor” pedestres com tons de pele mais claras. Esses e outros casos se repetem pelo mundo e, não só o UXMP, mas outros profissionais notaram que este é um problema estrutural. Uma UX afro-americana também constatou o mesmo incômodo que este projeto que vos fala compartilha.

“Como designers de qualquer tipo, devemos entender como uma história global da hegemonia branca e do patriarcado afeta a maneira como vivemos e criamos as experiências de que somos responsáveis. A verdade é que o design centrado no usuário nunca será amigável se as pessoas na sala se: (1) tiverem a mesma aparência e (2) falharem em capturar adequadamente o contexto dos usuários”, conta AmberNechole.

Democratização do conhecimento

O UX para Minas Pretas deseja falar também sobre como democratizar o acesso à área de user experience, além de introduzir de fato o que é chamado de empatia pelos profissionais do mercado.

A partir agora nos tornamos algo para além de um projeto físico e também queremos discutir por aqui sobre essa área. Compartilhe, dê opiniões e faça parte de um novo trajeto que nós vamos criar.

Veja como foi o nosso primeiro encontro e entenda o projeto:

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UX para Minas Pretas é uma iniciativa para introduzir as mulheres negras em UX Design, gerar mais acesso, estimular a empregabilidade e promover o compartilhamento de conhecimento e articulação em rede.

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