Farol UX: Resumo do evento e aprendizados

A primeira edição do Farol UX reuniu mais de 100 profissionais para discutir UX, design e estratégias de trabalho

No dia 04 de dezembro aconteceu a primeira edição do Farol UX, evento organizado pelo Banco Santander, na pista de skate do prédio do Farol no centro de São Paulo, com a intenção de fomentar a discussão de processos e estratégias com profissionais da área de UX e Design.

Apresentado por Fares Hid Saba Júnior, gerente de UX do Santander, o encontro teve um público de mais de 100 profissionais presentes para acompanhar as 6 palestras com direito a perguntas e respostas ao final de cada uma delas.

Houve uma grande sinergia entre os temas apresentados e deixo aqui um breve resumo dos assuntos e meus aprendizados de cada palestra.

Teve hashtag sim! #FarolUX

O papel do designer agora: Da startup à corporação

Letícia Pires — QuintoAndar

Letícia comentou sobre como o QuintoAndar vê a entrega das soluções para os clientes e como a equipe atua no dia a dia para que essa entrega tenha valor.

Segundo ela, com grandes corporações fazendo migração para um modelo mais ágil como se tem em startups, mais do que um método ou ferramenta é importante ter a visão do valor que a empresa gera para seus clientes. Design tem que entregar valor.

Por muito tempo designers trabalhavam desenhando um projeto, entregando e indo para o próximo. Não faziam parte da empresa e, quando começaram a fazer, viam somente uma parte do todo.

Ao invés de atuar em uma interação, é preciso ter o olhar geral para entender o conjunto todo: Serviços, operação, estratégia, cultura… Todo designer deve olhar o projeto de ponta a ponta para entender como a interação dele impacta todo o sistema.

Design é processo e não uma ideia/inspiração que vem do nada. É hora dos designers se posicionarem estrategicamente na indústria.


Miopia em design: Como o foco em usabilidade pode nos distanciar da verdadeira entrega de valor

Pedro Naif — GetNinjas

Pedro exemplificou a razão de entender a motivação e comportamento das pessoas ao desenvolver um projeto.

Ele apresentou um case onde fez primeiramente uma análise heurística do projeto, depois fez a análise de métricas que confirmavam todas as heurísticas e, após todos os ajustes, o projeto teve uma performance abaixo do esperado e pior do que a versão anterior.

A teoria e o design, por si só, não resolve problemas. É preciso entender que toda decisão é uma decisão emocional e que os modelos mentais das pessoas são a somatória de experiências vividas.

Tudo sempre tem um motivo e, geralmente, só quando sobre tempo as pessoas pensam em como o usuário vai se sentir, quando na verdade a emoção do momento é o fator principal de todo o processo. Quando atingimos a motivação emocional é muito mais fácil conduzir todas as outras etapas.


Desafios da adoção de uma cultura de dados em design

Huxley Dias — PunkMetrics

Huxley demonstrou a importância não só de se ter dados, mas de trabalhar essa informação para entregar o que é útil para cada área.

Muito se fala de dados, métricas e analytics hoje. E agora os designers tem que saber lidar com dados sem ficarem completamente apavorados, pois é algo que não estava mapeado na descrição da profissão (até agora).

Coletamos tudo o que podemos mas não sabemos todos os dados que temos disponíveis e nem usamos o que temos de forma adequada. Falta método e estratégia.

Cada pessoa é boa em algumas coisas e tem interesse em tarefas diferentes, como: design, vendas, marketing, etc… Não precisam e não devem ser especialistas em tudo.

Não precisamos ser cientistas de dados, mas sim ter uma cultura de dados. Existe um grande falha (que vem da nossa própria formação educacional) que não estimula a comunicação entre times diferentes. E essa cultura deve ser descentralizada e envolver o time todo e todas as áreas, entregando as informações que são relevantes para que cada área/pessoa possa exercer sua especialidade.


Conversando sobre UX pelo YouTube: Erros e acertos

Daniel Furtado — UXNOW

Daniel produz conteúdo sobre UX no YouTube, tendo um dos maiores canais sobre o tema no Brasil, e comentou sobre sua trajetória de compartilhar conteúdo em vídeo.

Ele contou sobre o que o motivou a iniciar o canal: um problema em um banco. E tentou responder a questão “o que é UX” para que as empresas entendessem a importância do assunto. E o primeiro erro foi o público: pois só quem trabalha com UX buscava esse conteúdo. Percebendo que suas ideias não iriam atingir os diretores e tomadores de decisão que estava mirando, mudou o discurso para conversar com a comunidade.

O primeiro acerto foi quando percebeu que as pessoas mandam seu conteúdo sobre UX para explicar e exemplificar para outras pessoas de outras áreas.

A produção do conteúdo e o crescimento do canal no YouTube também abriu portas para novas oportunidades, novos projetos e novos contatos como Andrei Gurgel (UX Lab) e o Rodrigo Lemes do (Design Team).

Juntos, os três indicam como pontos positivos da produção de conteúdo em vídeo:

  • Tornar-se mais relevante
  • Contribuição para o mercado e a comunidade
  • Compartilhar a própria experiência
  • Conversar com outras pessoas
  • Aprender muito com o processo de fazer conteúdo

E, como pontos negativos, eles destacam:

  • Tempo para administrar e organizar tudo
  • Gerar conteúdo relevante sempre
  • Falar bobagem (mas ai é só corrigir depois)
  • Algo dar errado na produção do conteúdo (mas ai a gente aprende também)

Você está burocratizando seu processo de design?

Luis Felipe Fernandes — HandMade UX

Jimmy apresentou o design como posição estratégica nas empresas e processos para trabalhar a inovação em tempos de uma concorrência tão veloz e competitiva

Quando o designer tem lugar na mesa em uma posição mais estratégica nas empresas, um desafio é obvio: como inovar e direcionar a companhia rumo à inovação? A resposta para isso está em como a empresa aposta nesse processo.

Se toda a inovação é de responsabilidade somente uma área ela não terá apoio e será isolada, pois inovar significa mudar o que já vem sendo feito e todas as outras áreas veem essa mudança como uma ameaça aos processos que já fazem há muito tempo.

Se existe uma medida comum em todas as empresas (fora “lucro”) que é: risco. E a redução de risco e feita de 3 formas:

  • Controlando: “Preciso aprovar essa solução, envie para mim antes.”
  • Restringindo: “Não faça isso! Essa função é da minha área, então cuido eu.”
  • Cobrando: “Quanto lucro gerou? Por que abaixo do desejado?”

Para inovar, ele sugere trabalhar 3 pilares que gerenciam riscos:

  • Foco no cliente: se eu não tenho cliente, não tenho negócio
  • Possibilidade de errar: inovação deve ser cobrada por aprendizado (e somos doutrinados desde a escola que errar é ruim sempre)
  • Agilidade: mudar de direção rapidamente e corrigir rotas

A redução de riscos não pode estar só no time de design. Ela deve ser um processo da empresa, e não um entregável. Todas as áreas tem que trabalhar isso e com esses 3 pontos paramos de olhar resultado, restrição e controle para focar em aprendizado, flexibilidade e autonomia.


Testes de guerrilha: Porque testar não precisa ser complicado

Bruno Roedel — Ben Visa Vale

Bruno compartilhou a importância de realizar testes com usuários de forma ágil durante o desenvolvimento de produtos para ajustes e correções o quanto antes

Uma máxima conhecida no desenvolvimento de projetos é que a correção é mais cara que o desenvolvimento e a refação é ainda mais cara que a correção. Por isso a importância de testar o quanto antes para evitar os dois cenários mais custosos.

E cada técnica de pesquisa é adequada a um contexto, mas todas tem dois pontos em comum: aumento de receita na empresa e trazer satisfação ao cliente.

Vantagens do teste de guerrilha:

  • Custo muito mais baixo
  • Sem laboratório
  • Recrutamento simples
  • Mais espontaneidade nas respostas
  • Facilidade de reposição caso a pessoa não seja o perfil adequado

Para a equipe realizar os testes são recrutadas 5 pessoas: 2 delas nos extremos do limite do perfil que querem atingir e as outras 3 que se situam mais próximas do perfil desejado.

O que precisam para preparar os testes:

  • Uma hipótese (Exemplo: fluxo de busca não está bom o suficiente)
  • Um protótipo para mostrar
  • Um roteiro de teste (Testar no improviso não funciona)

💬 Comenta ai qual é sua área e qual desses assuntos te interessa mais! Eu quero saber!

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