Divisão de dinheiro com consentimento ou MoneyPile

Erik Dana
Erik Dana
Feb 6, 2020 · 3 min read

No coletivo que faço parte usamos essa metodologia pra dividir o que recebemos por projeto. A intenção é considerar os gastos, a situação financeira de cada e o envolvimento no projeto.

Não sei de onde veio isso, procurei pouco mas também não encontrei referências confiáveis, ou seja “só sei que foi assim”.

Eu venho aprendendo que isso ajuda muito a desenvolver as relações também. Fico cada vez mais contente com esse formato, vem trazendo muitos aprendizados sobre como lidar com dinheiro.

Vale deixar claro que fizemos adaptações do que aprendemos e estamos usando esse método desde o início de 2018.

Na minha experiência pessoal

O momento de divisão pode ser olhado como um ritual de agradecimento e revisão da relação das pessoas com o projeto. A transparência e vulnerabilidade criam um vínculo de confiança incrível.

Quanto maior a quantidade de dinheiro e de pessoas, mais dificuldade pode se ter. Um grupo de 3 pessoas pode levar 2 horas ou mais pra repartir 2 mil reais, outras vezes pode levar 20 minutos. O objetivo não é focar na equação matemática mas no sentimento, quanto cada uma fica satisfeita e como podemos nos apoiar. Quando se mantem atenção ao processo e cuidado com as pessoas costuma ser muito rápido e eficiente.

Pra trabalhar no fluxo ágil, é recomendado fazer a repartição a cada recebimento. A reunião preferencialmente deve ser presencial e aproveitar pra celebrar em seguida.

O processo

Ninguém deve ser interrompida ou julgada, podemos e devemos sempre fazer perguntas pra entender melhor como cada uma se sente.

  1. Chegada
    Conferir como as pessoas estão (cada uma fala como está chegando) e quanto tempo temos pra esse momento, é importante não ter pressa. Quando não conseguimos marcar uma reunião logo e alguém precise muito do dinheiro, tentamos fazer o processo via áudio no grupo do WhatsApp, o que tem funcionado incrivelmente bem.
  2. Situação financeira
    É importante falar de números, quanto tem de acúmulo e gastos, mas também de como se sente. Lembro sempre de falar quanto gastou pra realizar o projeto.
  3. Participação no projeto
    Cada pessoa compartilha como foi e como pretende que seja daqui pra frente; Às vezes falamos em horas gastas, outras falamos de como nos sentimos realizando, se foi pesado, prazeroso, intenso, divertido, etc.
  4. Celebrar e reconhecer
    Primeiro é importante celebrar quanto foi recebido e lembrar das últimas divisões do mesmo projeto ou equipe, se houver. Depois checar se devemos deixar alguma contribuição pra parceiras, recursos utilizados ou pessoas que não estão presentes.
  5. A divisão
    Nesse momento cada pessoa coloca em números mesmo, quanto acha que cada uma deve receber, considerando parceiras, gastos, etc. Devemos chegar num consenso, lembrando que os números não são o mais importante, mas quanto que cada um se sente confortável. Um formato interessante, quando não se chega a uma conclusão de primeira, é compartilhar impressões (sem devolutivas, muito importante!) e tentar novas rodadas.

Se tiver alguma discordância, lembrar de tratar sempre de forma não-violenta, ou seja, escuta ativa tentando se colocar no lugar do outro pra depois ser ouvida e colocar também suas necessidades. No caso da Vértice a gente tenta lembrar de que o dinheiro do projeto não deve “salvar” a vida de alguém, mas complementar a renda.

Depois de resolvido, a pessoa que tem acesso ao recurso faz a distribuição.

Referências

Vértice Coletivo

Comunicação e tecnologia pra projetos sociais e educacionais

Vértice Coletivo

Comunicação e tecnologia pra projetos sociais e educacionais

Erik Dana

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Erik Dana

Amar e mudar as coisas: educação, relacionamentos, tecnologia e processos colaborativos

Vértice Coletivo

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