O fake do meu feed

photo by rawpixel

Fake News é a forma abreviada para posts e memes sensacionalistas, criados para causar algum dano e compartilhados por pessoas ingênuas ou preguiçosas demais para procurar a fonte.

Alguns são muito bem feitos, com sensacionalismo contido, títulos e imagens cuidadosamente planejadas para se parecerem com o perfil de alguma grande agência de notícias, tendo até mesmo fontes falsas na descrição (pois sabem que nem 1% das pessoas vai se dar ao trabalho de verificar). Outros, são tão fake que arde os olhos, com imagens e títulos agressivos, misturando incompetência com discurso de ódio e letras grandes.

Recentemente eu me deparei com uma “fonte do Ibope” alegando que Bolsonaro é eleito no primeiro turno com mais de 80% dos votos, pouco depois encontrei um post sobre o Haddad, em que ele dizia que “as crianças pertencem ao Estado e que o Estado decide se elas são meninos ou meninas”. Não precisa ser muito esperto para saber que nada disso é verdade.

Existem também notícias verdadeiras que parecem fake, atualmente a maioria vem dos discursos do General Mourão, devaneios que misturam “resido em uma ilha distante do Brasil” com “Ditadura Já”. O que apenas torna ainda mais difícil separar as coisas.

Eu poderia gastar meus dedos para explicar como reconhecer uma notícia falsa, mas não vou me dar ao trabalho. A BBC já fez um ótimo vídeo sobre o assunto.

O que mais incomoda nas Fake News não é o ingênuo ou o preguiçoso, que compartilha por impulso qualquer bobagem que recebe, mas aquele que faz isso por conveniência. Você já deve estar imaginando o perfil de alguém assim.

Fã de carteirinha de político, seja o que está preso ou o que está solto e que deveria estar preso, não importa, a internet está cheia de tietes, vindos de todos os lados da disputa eleitoral. A regra não é denunciar Fake News, mas combater Fake News com Fake News.

Já vi uma pessoa alertar para uma notícia falsa, de boa vontade e medindo muito bem as palavras, recebendo como resposta: “E você acha que eu não sabia que era fake? kkkkkk O face é meu e eu posto o que eu quiser!”. Em outro caso (o exemplo do falso discurso de Haddad que eu descrevi), comentei no post que provavelmente se tratava de fake, já que eu não encontrei nenhuma fonte. Ainda perguntei se havia ao menos um link e tudo o que recebi de resposta foi “Tomara que seja fake mesmo”. Não, a pessoa não se deu ao trabalho de argumentar, verificar, corrigir ou apagar o post.

É o que chamam de desonestidade intelectual, quando as pessoas fecham os olhos para as mentiras que lhes são convenientes, se esquivando da responsabilidade por não terem criado o post (e daí a importância de também responsabilizar quem compartilha).

O mais triste é que as pessoas acreditam que estão fazendo o bem com esse tipo de atitude. No melhor estilo “os fins justificam os meios”, se enxergam como heróis da nação, protegendo a população ignorante que não sabe votar, fechando os olhos para os erros de seus próprios candidatos e expondo para além da verdade os erros dos adversários.

Em que universo, fechar os olhos para os erros dos seus próprios candidatos, é uma boa ideia?

A febre por se proteger do adversário detestado tira toda racionalidade dos argumentos que beiram a discussões do jardim de infância, até a criminosa difamação e o acobertamento. Como pode a eleição de um candidato se tornar futebol? (como pode o futebol se tornar futebol?) Que paixão é essa que move a política, capaz de transformar qualquer criminoso ou fascista em um herói da nação? Talvez mais do que isso, o seu herói pessoal?

Lula não é o seu amigo de infância com quem você brincou de amarelinha na rua. Bolsonaro não foi o primeiro amor da sua vida (você não pode desimaginar isso). Ciro não te passou cola na faculdade, Marina não te ensinou a ler e escrever…

Provavelmente nem mesmo um amigo de infância de Lula ou o primeiro amor do Bolsonaro sejam capazes de defender, sem sombra de dúvidas, qualquer um deles. Por que você poderia?

Políticos existem para serem exaustivamente fiscalizados, e não amados.