[Entrevista] Samir Sawan
Inaugurando o quadro de entrevistas no blog convidei um amigo que pode nos trazer novas visões sobre a arquitetura no Brasil.

Cada pessoa tem uma experiência no mundo e portanto visões particulares que, na arquitetura influenciam diretamente no modo em que projetamos. Dessa forma trouxe pro blog um quadro que pretendo postar eventualmente, com entrevistas que tragam novas perspectivas para o leitor.
O primeiro convidado é um amigo que conheci durante meu estágio, quando ministrei minha primeira turma de Revit. Vamos conhecer um pouco mais do Samir?
Conte um pouco sobre você

Samir N. Sawan, 55 anos, nascido em Presidente Prudente de pai libanês e mãe de origem italiana. Estudei no Colégio Cristo Rei e fiz o ginásio em uma Escola Estadual; posteriormente fiz o curso de edificações no Centro Estatual Interescolar. Trabalho na área da construção e projeto desde os 15 anos, participando de obras como o calçadão de P. Prudente, a cidade de Porto Primavera, o corredor de Trólebus e obras de infraestrutura de Diadema à São Paulo, entre outras.. Passei por empresas como: Camargo Correa, Promon, Veplan, Israel Rewin Arquitetos, etc. No exterior, particularmente na Austrália, trabalhei em vários escritórios e projetos na área da arquitetura. Estudei Gastronomia em 83 no William Angliss College e também Projeto de Arquitetura em 92 no RMIT (Royal Melbourne Institute of Technology) concluindo em 94 Holmesglen College.
Você morou um tempo fora do Brasil. Quais foram as maiores diferenças culturais que você percebeu?
A maior diferença cultural entre o Brasil e a Austrália está no inter relacionamento pessoal. O calor humano do brasileiro é incomparável. Em países anglo saxões dificilmente se faz amizades pois o foco é quase todo no trabalho.

O que você acha da arquitetura brasileira em comparação com a arquitetura no exterior?
Temos grandes talentos na arquitetura brasileira mas em função dos entraves políticos e econômicos essa arquitetura está muito atrasada em relação ao primeiro mundo, tanto em termos da variedade e qualidade de materiais quanto na qualidade e especialização da mão de obra. Não saimos ainda da estrutura de concreto, paredes de tijolos cerâmicos, chapisco, reboco, laje pré-moldada, etc.. Temos que repensar os materiais e os métodos de execução!

Quais os arquitetos (as) que te inspiram?
São tantos arquitetos talentosos aqui no Brasil e no exterior.. Nesse momento me vem à cabeça o velho, sábio e talentoso Oscar Niemeyer, Isay Weinfeld, Márcio Kogan, Zaha Hadid, Ricardo Bofill, Santiago Calatrava, Ricardo Legorreta e Bernardo Fort Brescia, da Arquitectonica.
Temos grandes talentos na arquitetura brasileira mas em função dos entraves políticos e econômicos essa arquitetura está muito atrasada em relação ao primeiro mundo
O que você acha da educação da arquitetura no Brasil? O que poderia melhorar?
A educação da arquitetura no Brasil, na minha opinião, é lamentável pelo pouco que pude perceber das instituições de nossa cidade. Perde-se muito tempo com teorias vagas que não refletem em nada a necessidade real e a prática do exercício da profissão. O enfoque deveria ser muito mais prático que teórico, muito mais desenho e resolução de problemas do que leituras de textos apenas. Eu acredito que professores com menos títulos de mestrados e doutorados e mais experiências práticas e reais deveria ser a norma!
Poderia melhorar muito a educação na arquitetura, começando pela contratação de professores atuantes no mercado de trabalho e não tão somente por títulos acumulados. Os professores atuantes deveriam estimular e servir de inspiração aos alunos e não somente focar em trabalhos e classes e leituras teóricas. A arquitetura é a resolução de problemas, é projeto, é desenho. Isso se aplica também ao urbanismo. Mais atividades em classe de desenho, projetos etc.
Qual sua opinião sobre a confusão do público em relação às profissões da engenharia civil e arquitetura?
Nos lugares do exterior por onde passei — Austrália, Nova Zelândia, Dubai, Estados Unidos — a atuação do engenheiro e do arquiteto é bem clara. O arquiteto pensa e coordena todo o projeto e o engenheiro atua em suas várias disciplinas e especialidades, seja estrutural, elétrica, hidráulica, etc, colaborando assim para a execução do projeto. No Brasil, por falta de poder aquisitivo, essas duas disciplinas tendem a naturalmente se “confundirem”, contrata-se um engenheiro para “assinar” um projeto e pronto. Tem-se a noção errônea que o arquiteto é caro e dispensável. Na minha opinião a arquitetura custa realmente mais, mas também adiciona valor indiscutível à obra!
A arquitetura é a resolução de problemas, é projeto, é desenho.
O arquiteto é treinado para pensar o todo do projeto adicionando assim valor adicional aos empreendimentos. A boa arquitetura e bom urbanismo trazem divisas valorosas à países e cidades pelo mundo afora em forma de influxo turístico. Quem não quer estar numa cidade ou numa casa de estética agradável, bem pensada, confortável, com jardins floridos e árvores coloridas?? Arquitetura e urbanismo podem trazer divisas milionárias para países e cidades que as adotam!!
E aí, o que acharam da primeira entrevista? Concordam ou discordam com o Samir? Tem algo à acrescentar? Comenta aqui! Em breve posto mais! Até o próximo post!



