Numa cidadela qualquer, um lugar sem importância para quem é importante. Onde as pessoas ainda acreditam em anjos e demônios, valorizam as tradições mais conservadoras e fofocam por toda uma noite sentadas nas portas de casa. Onde todos sabem de todos, e todos têm seus grandes segredos. Neste lugar, onde ainda existem casas de taipa e casas de farinhas. Casas de santo e casas de oração, casas de prostituição e casas em construção. Onde meninos e meninas todos os dias se vendem por um real, a moeda é como um memorial triste e humilhante do dia em que foram tocados.
Lá meninos não vestem rosa, não brincam em brinquedos cor-de-rosa.
Lá havia um menino solitário que foi seduzido pelas luzes, pelos letreiros luminosos. Um dia seu nome constaria nas fachadas dos teatros.
O menino gostava de cor-de-rosa. E na terra onde todos eram santos isso era muito errado.


