
prepara nem
será essa nossa última chance?
de onde virá o nosso socorro?
no tempo do bom cruel
que tortura.
meus olhos estão sedentos pela divina face
da paz que é há nos olhos teus
revela-te a nós
travesti.
há séculos meu povo navega
por águas alvas e gélidas
trancafiado nos porões de caravelas
reféns das armadilhas peçonhentas
do rei de portugal.
quando as muralhas caírão
e as coroas voltarão ao teto da matriarca?
elas não têm suportado
perder a cria de forma brutal
quando teremos sombra?
instala teu governo de amor
antes que apaguem o candomblé
antes que matem todas nós
meninas dos teus olhos
venha sobre nós
a nova era
fruto de nosso trabalho
da resistência milenar
negra, indígena
trans
tempo monstruoso
do feio, da má contuda
do que é louco.
da puta.
quando o nordeste será exaltado?
e poderemos voltar para casa?
indianare-se
antes que o rio doce amargue
e a lama soterre o nativo (ancestral)
pra não acabar transgênico
e normativo
distante da deusa, deusx, deuse
prepara-te que nem olhos viram,
nem ouvidos ouviram
o que foi preparado para nós.
que as pragas venham sobre eles
e nosso arraial festeje.

