Realidade aumentada e virtual: Decidi desenvolver em AR/VR, e agora?

A realidade aumentada incrementa a experiência ao integrar elementos virtuais com ambientes reais. Imagem: Unsplash

Todos que acompanham as tendências do mercado de tecnologia certamente estão familiarizados com termos como realidade aumentada (AR), realidade virtual (VR), Mobile VR, entre outros. Mas o que de fato são essas tecnologias? Sim, nós basicamente “amarramos” um gadget no rosto e somos inseridos em um ambiente virtual com o qual interagimos através do visor — e então não mais olhamos para a tela em nossa mesa. Será só isso? E o que isso significa para desenvolvedores, designers e para a sociedade? Como ficará a interação humano X máquina para os próximos anos? E como devemos adaptar nossas aplicações para esse ambiente?

Antes de mais nada é importante entendermos que essas tecnologias já não são tão “emergentes”. Quem não viu aglomerados de pessoas em parques procurando por pokémons em sua aplicação Pokémon GO? Ver bichinhos virtuais inseridos em nosso ambiente certamente era excitante e atraiu a atenção de muitas pessoas, mais precisamente 20 milhões de usuários diariamente, o que rendeu US$ 600 milhões em receita nos primeiros 3 meses para a Nintendo e a Niantic, produtora do App.

App gerou mais de US$ 600 milhões nos primeiros 3 meses

Falando em números, de acordo com o site digi-capital, a receita combinada nos setores de AR e VR devem ultrapassar os US$ 110 bilhões até 2020, divididos nos setores de eCommerce, Hardware, Ads e Games, contando com uma base de mais de 200 milhões de dispositivos.

Definitivamente é uma tecnologia para darmos atenção, não somente na tecnologia em si, mas nas incríveis possibilidades que ela permite. Milhares de aplicações já começam a surgir com maneiras criativas de nos imergir em conteúdos que antes não eram possíveis. Duas aplicações em especial me chamaram a atenção, ambas desenvolvidas pelo Google:

Professor demonstra meteoritos no app Expeditions AR, do Google

Expeditions AR — Essa aplicação reproduz conteúdo educacional em realidade aumentada e leva crianças a visitarem montanhas, cidades arqueológicas, visualizar átomos, partículas, experimentos que antes eram limitados a serem visualizados em livros. Ver a reação das crianças interagindo com essas novas experiências realmente é surpreendente, e nos faz pensar sobre aquele velho conceito de sala de aula não é lugar de celular.

TiltBrush — Já esta aplicação é ambientada em realidade virtual e insere o usuário em um ambiente com um pincel na mão onde todo o espaço a sua volta é seu quadro de pintura. Você pode utilizar uma variedade de opções diferentes de cores e materiais como até fogo ou estrelas. Tive o prazer de testar essa aplicação pessoalmente e pintar um cenário a minha volta foi uma das melhores experiências que já tive.

Crie desenhos em um espaço virtual com o app TiltBrush, do Google

Mas então após ler esse artigo você decida criar uma aplicação em AR/VR, e espero que realmente o faça, mas quais cuidados devemos tomar? Se digitarmos no youtube “experiências VR” você verá uma imensa lista de pessoas tentando controlar os seus sentidos dentro de ambientes virtuais e se “espatifando” no chão ou gritando em desespero por socorro.

Nós seres humanos evoluímos de tal forma que somos extremamente aguçados em detectar variações oculares e traduzir essas imagens que recebemos em sentidos. Manter nosso equilíbrio, calma, pânico, senso de distância está diretamente dependente do que enxergamos, e trabalhar com esses sentidos deve ser feito com alguns cuidados que vou listar abaixo.

É fácil confundir ambiente real com virtual

1. Enjôo / Nausea por movimento

Aplicações que nos inserem em montanhas russas certamente são divertidos, mas enviar uma mensagem de movimento para nossos olhos sem que nosso corpo esteja em sincronia com esse movimento pode causar enjôo em muitas pessoas. Uma coisa que devemos sempre estar atentos é: mantenha todos os sentidos em sincronia. Se o usuário movimenta a cabeça, o ambiente virtual deve seguir esse movimento. Nunca pare ou congele a imagem ou tenha quedas de taxa de quadros. Tudo que tire o sincronismo da movimentação do usuário com a imagem que é apresentada a ele pode causar problemas.

2. Colisão

Se imagine andando na sala onde está lendo este artigo e ao se deparar com sua mesa você continua se movimentando, e de repente se vê dentro da sua mesa. Com certeza isso irá te causar um certo estranhamento. Sempre que possível considere as colisões em sua aplicação. Se o usuário “trombar” com algum objeto, faça aquele objeto responder a essa ação.

3. Medo de altura

Um detalhe que muitas vezes deixamos de lado, são medos e fobias que nossos usuários podem ter. Nós certamente não nos sentimos bem no topo de uma montanha e olhamos para baixo. Inserir seus usuários neste tipo de ambiente causará o mesmo efeito. Portanto, a não ser que sua aplicação intencionalmente trabalhe algum tipo de medo, leve-os em consideração.

4. Claustrofobia

Assim como medo de altura, muitas pessoas se sentem incomodadas em espaços extremamente apertados ou que os façam sentir-se perdidas. Evite colocar seus usuários em situações desconfortáveis.

5. Agorafobia

Esta fobia é o inverso na claustrofobia. Colocar seu usuário em espaços completamente amplos e vazios, que não deem sentido de distância ou tamanho pode causar certo desconforto.

6. Tamanho importa

Nos colocar frente a objetos pequenos e aparentemente insignificantes nos dá uma sensação de poder e segurança. O inverso pode ser um pouco desconfortante. Portanto, sempre crie proporções dos seus objetos com seu usuário. Imagine uma GUI de menu gigantesca em que o usuário deve inclinar-se para conseguir visualizar as opções.

Um objeto projetado num ambiente real, mas visível somente no visor

7. Esmagamento

Esta pode parecer óbvia, mas às vezes pequenos detalhes passam despercebidos. Certa vez estava testando uma aplicação que me mostrava os planetas do nosso sistema solar, e de repente um dos planetas veio rapidamente voando em minha direção. Minha primeira reação foi desviar ou evitar aquela situação. Essa pode ser uma reação contrária a que você quer na sua aplicação.

8. Objetos pontudos

Lógico que não vamos fazer aplicativos para correr por aí com uma tesoura na mão. Mas detalhes podem nos causar desconfortos que são percebidos em um nível mais subconsciente. Imagine que você faça uma aplicação para meditação e coloque seu usuário em uma bela cachoeira com pássaros cantando ao redor, e de repente um beija-flor se aproxima com um bico pontudo. Com certeza irá tirar a concentração de seu usuário e causar estranhamento.

Thanks!

Concluindo, esta lista nos dá certa direção aos cuidados que devemos considerar ao criar um ambiente virtual, porém, tudo vai depender dos objetivos do que você irá desenvolver. Mas sempre se lembre da responsabilidade de trabalhar com os sentidos que possuímos. Certamente com criatividade e cuidados podemos criar aplicações incríveis que divirtam, colaborem e agreguem aos usuários.