A Natureza Emoldurada de Myoung Ho Lee

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Encontrei esse moço passeando entre as páginas da revista online Ignant. Essa revista é, em si, é uma compilação valiosa de referências. Anota aí.

Estava buscando inspiração para o tema que já rodava em minha mente: conservação ambiental (ou a falta dela). Mas buscava algo mais subjetivo, que fosse antes autoral para ser reflexivo… Bingo!

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O artista sul-coreano criou uma série de fotografias de paisagem compostas por uma única árvore emoldurada por um fundo branco e retangular. A série é intitulada Tree.

A princípio, fica a dúvida se a imagem é montagem, se há algum jogo de perspectiva como alguns trabalhos que já vimos. Mas, de fato, Lee elevou as molduras de proporções gigantescas com auxílio de guindastes.

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Equipe técnica da artista em processo de montagem da “moldura”. (Imagem cedida pelo artista ao The Korea Times)

O trabalho é enorme, com 2 a 4 guindastes por árvore, além dos inúmeros auxiliares para cuidadosamente enquadrarem árvores solitárias em meio a campos abertos com um “canvas” branco de vários metros quadrados. Além disso, a quantidade de imagens produzidas pelo artista nos dão uma noção do quão trabalhoso o projeto foi. Em entrevista à The Korea Times, Lee fala sobre esse processo:

“Pesquisas preliminares e exploração tomam mais da metade do meu trabalho, mas não é algo que possa ser visto na foto. Encontrar os locais certos tomam a maior parte do tempo e tenho que pensar nas maneiras de instalar a tela e na árvore. Também é necessária a pós-produção, tal como retoque, impressão e emolduramento da foto. É um longo processo que precisa de grandes orçamento e mão de obra.

Com imagens produzidas por câmera analógica de médio formato (4x5), as paisagens são registradas em diversas estações do ano e diferentes horários do dia. E é impossível escolher uma favorita.

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Porém, além de trazer à tona várias questões sobre a história da fotografia e pintura tradicional, não me furto a pensar que, mesmo em imagens minimalistas e impactantes, há uma certa melancolia que permeia todo o trabalho. Definitivamente, a solidão artificial presente nas imagens, um “quase-vácuo” existencial da natureza, que ainda que viva parece morta, foi um dos motivos mais proeminentes para ter esse trabalho do Myoung Ho Lee como referência essencial.

Para mais fotos do Myoung Ho Lee, sugiro a própria Ignant.de.

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