O boom das marcas saudáveis e a vergonha do McDonald’s de usar biquíni.

Se você passou sua infância no anos 90, muito provavelmente, foi a vários aniversários no McDonald’s e se foi, com certeza, já desceu em um dos escorregadores de plástico e mergulhou na piscina de bolinhas nos parquinhos do fast-food.

Se observar bem, vai ver que esses escorregadores estão cada vez mais vazios e as poucas crianças encontradas pelos McDonald’s do Brasil estão quase sempre acompanhadas de pais bem mais velhos do que os nossos, na época em que nos levavam lá. Temos aqui dois fenômenos possíveis:

1- As pessoas estão tendo filhos mais velhas do que antes.

2- Os pais da nossa geração não levam os filhos para o McDonald’s

Já foi comprovado por alguns estudos populacionais que a idade média para o primeiro filho aumentou no Brasil, principalmente entre as classes sociais mais altas, onde as mulheres costumam ter filhos após os 30 anos, então a primeira hipótese é verdadeira. Fato que não exclui de forma alguma a segunda hipótese.


A procura por alimentos orgânicos, sem glúten e sem lactose, disparou nos últimos anos e o desejo por ter uma vida mais longeva e saudável estimulou toda a cadeia comercial, dos pequenos agricultores às grandes marcas (inclusive o McDonald’s), a reverem suas formas de produção e posicionamento.

As cidades do litoral são as que parecem ter aderido mais rapidamente a essa nova consciência alimentar, o que é possível notar dos posts de Instagram de jovens e jovens adultos posando nas praias, aos restaurantes e lojas com produtos naturais / orgânicos / sem glúten / sem lactose por ai.

Em Vitória, podemos citar como indícios desse fenômeno da alimentação consciente o grande número de lojas de “produtos naturais”, o aumento da oferta de vegetais orgânicos em supermercados como o Carone, o sempre frequentado restaurante D’Bem e o recém aberto, mas já super-lotado, fast-food glúten-free e lac-free da Mais Nutrir Fast N’ Fresh.

Esse estilo de vida saudável já pode ser observado em todo país, a notar pela quantidade de fãs de celebridades como Bela Gil, Tati Lund, Gabi Pugliesi e Rodrigo Lombardi.

É claro que esses produtos e serviços ainda não são a maioria e que ainda é difícil possuir uma alimentação 100% orgânica, mas as marcas health estão em ascensão e se multiplicam com a mesma força com que são desejadas. Se você quer construir uma marca que se relacione com esse novo estilo de vida, o momento certo é agora.

Mas se você possui uma marca que sempre se posicionou de maneira diferente a esse novo estilo, todo cuidado é pouco, porque há um componente novo e complexo na geração que nasceu do fim de 80 para cá. Essa geração quer coerência e verdade das marcas e uma mudança de discurso repentina fará com que eles te odeiem.


O sabor amargo do ódio das gerações Y e X vem sendo experimentado pelo McDonald’s desde o dia em que o McLanche feliz acolheu uma maçã em sua caixinha e o cardápio foi incrementado com uma serie de saladas que afirmavam que o McDonald’s “faz bem para você”.

Depois de anos mergulhado em gordura trans, o Mc nunca esperava que uma inocente maçã causaria tanta dor de cabeça e descrédito e, por mais que ainda se esperneie, ele não consegue evitar que seu market share despenque e fique fragmentado entre tantos outros estabelecimentos (que ele nunca tinha ouvido falar).

O que parece é que o Mc Donald’s, depois de anos surfando na praia, perdeu toda sua malemolência e soberania, ouvindo revistas femininas de beleza e parando de usar seus biquinís, até conquistar um “corpo do verão” .

O Burger King se deu melhor nessa história, ainda que também tenha perdido mercado para comidas saudáveis e hamburgerias gourmet. Ele assumiu com força sua identidade e se posicionou deixando ainda mais amostra as suas “deliciosas gordurinhas”. Essa atitude conquistou a simpatia e a confiança de muitos, que passaram a admirar a beleza gordinha e verdadeira da lanchonete.

As hamburguerias e as junk foods ainda ocupam espaço no coração dos Y’s e X’s, porém de forma mais moderada e consciente, porque boa parte dessa geração acredita que todos os corpos são corpos de verão e o importante mesmo é colocar o biquíni e assumir com consciência quem você é.


Texto: Tayana Dantas | Edição: Gabriel Pinheiro