Dilúculo dos anjos caídos

A renascença do mal enraizado nos corações ávidos por simplismo criminoso

As pontas quebradas da cruz estampam a bandeira de um jovem cujos fios de milímetros de cabelo enfeitam uma cabeça baldia de racionalismo ou sensibilidade. Arraigado às mais escassas noções políticas ou sociais, um grupelho de neonazistas bradava pela manutenção de um dos ícones do atraso eternizado em bronze na cidade de Charlottesville, no estado de Virgínia, nos Estados Unidos.

A remoção da ode aos ideais que permanecem enraizados nos eleitores brancos e pobres de Donald Trump, traduzida em uma estátua do general Robert E. Lee, comandante dos Estados Confederados – que mantêm seus preconceitos acesos em bandeiras cruzadas nos interiores americanos —, a união de estados separatistas durante a Guerra Civil do país, que ocorreu entre 1861 e 1865, motivou as nuances atualizadas por ideias bradadas na Alemanha dos anos 1930 e 1940, encabeçada por um líder grotesco com visionarices canalhas, Adolf Hitler, bradadas em coro por boçais contrários a qualquer tipo de empatia e verdade – que colocaram Trump no cargo que ocupa.

A meiga repreensão do presidente americano aos nojentos hábitos – entre outros, assassinatos – protagonizados na cidadela americana traduz a avidez de Donald Trump pela manutenção de seu projeto chulo de poder daqui três anos, quando os incautos poderão reconduzi-lo à presidência dos EUA.

A ascensão de grupos e vocalistas de ideias nazistas, racistas, xenófobas e homofóbicas revela os perigos que escondem os grandes líderes que propagam crimes e alvoreçam enlouquecidos adormecidos que encontram eco instrucional em suas burrices, seus extremismos e crimes estufados num âmago vil. A eleição de Trump, a ascensão de Le Pen, na França e as altas intenções de voto de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais do ano que vem mostram que estão vivas as mais antigas vilezas políticas e vertentes vislumbradas para se tocar uma sociedade complexa.

A solução simples dos medos, verbalizada pelas bocas espumantes de líderes populistas, ganha coro nos peitos açoitados e cegos pelo misticismo que a ignorância e o egoísmo mastigados dão vazão a movimentos como o ocorrido nos Estados Unidos, a vozes que clamam numa Avenida Paulista a volta da ditadura militar e pregam o emprego do fuzil como Proposta de Emenda Constitucional, de separatismos como união, de exclusão como política pública. As rupturas dos ideais construídos são mote de avanço para ideologias sanguinárias e criminosas.

Como esperança, ignorando as assustadoras porcentagens de Bolsonaro e a ascensão da extrema-direita mundial, cresce a aceitação pelo discurso ponderado que agrega valores e crenças que destoem do ululante e apaixonante extremismo. Cabe a lideranças intelectuais a aversão direta e dura a políticas autoritárias. Enquanto esperamos por líderes que execrem o militarismo, independente de vertentes ideológicas, setores da esquerda se redesenham para compactuar com o crescimento de governos autoritários como o de Nicolás Maduro, na Venezuela, em prol da “revolução bolivariana” que mergulhou a América Latina em suas ditaduras populistas – quando não inspiraram as sanguinolentas ditaduras militares que assolaram nosso continente nos anos 1960 e 1970.

Que esmoreçam os violentos e surjam vertentes democráticas que preguem a liberdade e o progresso. Assustadores, os ideais mundanos que suicidam os idealismos calam as verdades que esperam para ser cantadas nos peitos que rezam por um mundo mais sensível.

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