Qual o papel do hobby na minha profissão?

Gabriela Melo
Sep 6 · 3 min read

Na verdade, faz um tempo (alguns 10 anos anos) que eu tento entender se o esporte é meu hobby ou profissão. É confuso.

Entre tantas frases motivacionais, uma bem clichê é: “trabalhe com o que ama e nunca mais precisará trabalhar na vida”.

Sobre isso eu não precisei de muita reflexão para chegar na conclusão que trabalho é trabalho (ponto).

Isso significa que ele pode (e deve) ter momentos divertidos, mas não é esse mar de rosas do “I’m on vacarion every single day ’cause I love my occupation”. Calma lá. De férias eu não quero trabalhar, quero descansar.

(Se você se identifica com essas duas frases, esse texto não fará o menor sentido e recomendo que pare por aqui).

A quem possa interessa, sigo.

Decidi, então, separar as coisas.

Eu sou apaixonada por esporte e, hoje, não dependo dele financeiramente. Talvez se existisse esse tipo de pressão e dependência, minha relação de amor seria diferente.

Eu me cobro, mas a pressão é diferente. Eu não tenho expectativa de performance, eu tenho um compromisso comigo mesma de cumprir com a planilha de treino planejada.

E se eu não for hoje? Amanhã eu vou.

Já passei da fase que me maltratava toda vez que perdia algum treino.

O meio esportivo me fascina e ver a transformação na vida das pessoas (incluindo na minha) através do esporte faz meus olhos brilharem. Acompanhar os bastidores disso e ser uma promotora desse estilo de vida é gostoso.

O esporte não paga minhas contas, mas sem esse combustível eu não consigo exercer minha profissão.

Eles são, de certa forma, complementares.

Ter uma rotina com esporte me faz muito feliz e é nisso que eu me apego.

Ter um estilo de vida que me permita praticar esporte é quase que pré requisito para eu conseguir sustentar qualquer decisão profissional.

Até ai você pode pensar: “Ok. Isso é o básico e todo mundo tem 1h do dia para fazer algum exercício.”

Voltarei uma casa e tentarei explicar que quando eu falo “praticar esporte” eu uso a minha referência de preparo para uma prova do IronMan 70.3.

Isso significa que o volume de treinos mudou significativamente de quando eu treinava para Meia Maratona, por exemplo.

Acabou que eu gostei do dinamismo e intensidade que essa preparação passou a exigir de mim. Foi como se uma luz tivesse reacendido e na hora eu pensei: “eu quero isso.”

O porquê de querer envolve tanta coisa que também não cabe nesse texto.

Só que fazer triathlon é caro.

E quando vai pegando o gosto, a gente busca equipamentos melhores (R$) e, por isso eu me toquei que precisava do dinheiro.

Quem trabalha na área de vendas talvez já tenha escutado que o que move as pessoas a comprar e desenvolver projetos grandiosos são motivações pessoais.

Exemplo: vou me esforçar muito nesse projeto para ser promovido e conseguir comprar uma casa ou levar minha família pra Disney. Enfim…

No meu caso, eu quero mandar bem no trabalho para crescer profissionalmente e ter dinheiro para viajar o mundo nadando, pedalando e correndo.

Dito isso tudo, demorei para entender e aceitar que eu não queria qualquer trabalho… Eu precisava me preparar e direcionar esforços para ter um algo que:

  1. Tivesse horários flexíveis;
  2. Fosse majoritariamente remoto;

Essa é a única forma possível para conseguir manter a rotina de treinos para o IronMan 70.3? Não.

É apenas o cenário que eu busco e entendo como ideal para o meu momento. Dado o contexto da minha profissão, eu tenho como escolher esse formato e não quero abrir mão disso hoje.

Falei, falei e falei para tentar resumir que o meu hobby não é minha profissão (reforço o hoje), mas é ele que me faz querer ser melhor no meu trabalho.

Compartilho esse texto com a certeza que irei revisita-lo daqui uns anos contando as histórias de como está sendo a vida corporativa de profissionais que também são atletas amadores.

Nos vemos por aí.

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Porque eu escolho todos os dias acordar e treinar triathlon

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Aqui você encontra o que me faz acordar todos os dias e escolher sair para treinar e viver esse estilo de vida associado ao Triathlon.

Gabriela Melo

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Treinando para o meu primeiro IronMan 70.3. Nesse espaço compartilho minha jornada e várias versões da Gabriela. Sejam bem-vindos!

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