Os fatos que tornam Breanna Stewart a grande promessa do basquete feminino norte-americano

Foto: Brian Spurlock/USA TODAY Sports/Reprodução UConn

Na noite de terça-feira a jogadora Breanna Stewart esteve pela última vez em quadra no torneio universitário de basquete feminino da NCAA. Com 24 pontos anotados, a atleta foi a maior pontuadora da final da competição, na vitória de UConn sobre Syracuse por 82 a 51.

Nos quatro anos em que esteve na universidade, Stewart foi tetracampeã da NCAA por UConn, algo que nenhuma outra equipe havia conseguido realizar anteriormente.

A importância de Breanna Stewart fica evidente com o fato de que ela foi eleita a jogadora mais notável do final four em todas as quatro temporadas que disputou. Ela é a primeira pessoa a conseguir o feito, que se soma a uma extensa lista de premiações e recordes individuais.

Mais do que as conquistas, a altura de um metro e noventa e três, junto com o aproveitamento de arremessos e a capacidade de movimentação, fazem a jogadora ser apontada como a grande promessa do basquete feminino.

Durante toda a campanha universitária Stewart foi comandada pelo técnico Geno Auriemma, uma lenda nos Estados Unidos e que também treina a equipe nacional feminina norte-americana. Com eles juntos, a UConn alcançou 151 vitórias em 156 partidas. A última delas foi a 75ª consecutiva da universidade, sempre com uma vantagem de dois dígitos.

Por esse motivo, chegaram a perguntar para Auriemma se a UConn poderia ser competitiva, por exemplo, em uma Olimpíada, já que não tinha rival à altura na liga universitária. O técnico foi enfático ao dizer que não. Já quando o assunto é Stewart, Auriemma não fica em cima do muro. Ele afirmou que a atleta é a melhor da história nos torneios finais da NCAA.

Esse é apenas um dos fatores que colocaram todos os holofotes do basquete feminino dos Estados Unidos em cima de Breanna Stewart nos últimos meses. Com as finais da NCAA, a foto dela era destaque nos principais portais esportivos norte-americanos, sempre exaltando os feitos acumulados pela jogadora.

Ao ver apenas cinco derrotas em um total de quatro anos é normal pensar que a estabilidade se manteve durante todo o ciclo em que Stewart atuou no esporte universitário. Mas quatro desses resultados negativos ocorreram logo quando ela era caloura, o que chegou a gerar incertezas para a atleta, com 18 anos de idade na época.

O início

Breanna Stewart foi acostumada desde cedo a viajar para longe de casa por conta do basquete. Aos 14 anos ela integrou pela primeira vez uma categoria de base da seleção dos Estados Unidos. A partir dali, ela ainda jogaria no sub-16, 17, 18 e 19.

Logo na chegada na universidade de Connecticut, no segundo semestre de 2012, Stewart anotou 169 pontos nos primeiros dez jogos que fez, o recorde de uma caloura na universidade. Geno Auriemma (técnico de UConn desde 1985) chegou a afirmar que nunca tinha visto uma jogadora de primeiro ano jogar tão bem nos primeiros dois meses na equipe.

Depois de passar por outubro e novembro beirando à perfeição, Stewart viveu a maior crise da carreira universitária. A jogadora viu a média de pontos cair de 16,9 para 9,6 nos quatro meses seguintes. Foi nesse período que a equipe sofreu três derrotas na temporada regular, com Breanna Stewart acertando apenas seis arremessos em 26 tentativas nas partidas em que UConn foi batida.

A reação de Geno Auriemma foi encorajar a nova jogadora, ao falar que é perfeitamente normal uma atleta passar por irregularidades na temporada de estreia.

A derrota para Notre Dame na final da conferência Big East em 2013 foi o ponto mais baixo de UConn nos últimos quatro anos (Foto: Dave Martin/AP)

O ritmo foi readquirido após Stewart acalmar a cabeça, ter longas conversas por telefone com os pais e resgatar o prazer em jogar basquete com os treinamentos feitos em conjunto com o treinador assistente Chris Dailey.

No mesmo ano a UConn retomou o domínio e iniciou a arrancada rumo ao primeiro dos quatro títulos nacionais seguidos. Breanna Stewart falou para a Sports Illustrated, no fim de fevereiro de 2016, que aquela fase ruim vivida na temporada de caloura passou a servir como motivação para os próximos anos, para que ela nunca mais quisesse viver aquilo novamente.

Carreira profissional e seleção norte-americana

O draft para a temporada 2016/17 da WNBA ocorre já no dia 14 de abril. Breanna Stewart aparece como aposta absoluta para a primeira escolha, que será feita pelo Seattle Storm. (Atualização 15/4: A jogadora confirmou as expectativas e foi, de fato, a primeira escolha no draft).

Veículos de mídia como ESPN, New York Times e o próprio site da WNBA ainda vão além, dizendo que Stewart é capaz de mudar a história de uma franquia e movimentar milhões de dólares em torno da sua presença em uma equipe.

Stewart durante um campo de treinamento da equipe norte-americana (Foto: Reprodução/Courant)

O ano também reserva outra expectativa importante para Breanna Stewart: a convocação da equipe olímpica para Rio 2016. A seleção nacional não é nenhuma novidade para a jogadora, que atuou nos últimos dois Jogos Pan-Americanos e fez parte do elenco campeão mundial em 2014. Ela também é presença constante nos campos de treinamentos da equipe norte-americana.

No final de fevereiro, a diretora da seleção feminina dos Estados Unidos, Carol Callan, afirmou para a NBC que Stewart possui um perfil favorável para uma eventual convocação olímpica. Segundo Callan, a polivalência e a capacidade de recuperação física jogam a favor de Stewart, ainda mais em uma situação de lista reduzida, como é a do basquete.

Enfim…

Há vários casos famosos de sucesso e fracassos sobre jogadores que despontaram no basquete universitário e depois partiram para a profissionalização. A grande particularidade de Breanna Stewart, no entanto, é que ela possui característica raras, que, no basquete feminino, são ainda mais valiosas. A altura não a impede de ter uma movimentação fluída e um arremesso apurado. Com a chegada da maturidade física e técnica nos próximos anos, a expectativa é de ainda mais melhoras.

Depois de ver o que Stewart fez no basquete universitário fica fácil torcer para que ela dispute os Jogos do Rio 2016. Mais do que uma jovem integrando a seleção favorita ao ouro, poderemos também estar diante da ascensão de uma futura estrela nas quadras.

Bônus

Breanna Stewart aplica três tocos na mesma jogada defensiva:


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