VIL METAL RECOMENDA — EDIÇÃO 007

Tem gente que adora dizer que o heavy metal já era. Inclusive fãs do estilo, o que é ainda mais surpreendente. Sempre me sinto meio chateado quando vejo alguém sentado em sua casa, ouvindo “Powerslave” pela bilionésima vez e lamentando que não se fazem mais grandes discos de metal como antigamente. Tudo bem, o clássico do Iron Maiden é mesmo meio difícil de superar, mas tem MUITA coisa MUITO boa sendo gravada e lançada nos últimos anos, nos mais diferentes nichos do heavy metal — e não vai ser ouvindo sempre os mesmos discos que vamos encontrar esse tesouro, não é verdade?

Fique tranquilo: o VIL METAL irá ajudá-lo. Não apenas com nosso programa semanal de rádio (confere lá embaixo os horários!), mas também com o VIL METAL RECOMENDA, que toda semana traz algumas sugestões metálicas para quem quer se manter por dentro dos recentes desdobramentos do mundinho heavy metal. Leia as resenhas, ouça as músicas sugeridas e vá atrás do novo — porque pode acreditar, headbanger: ele está lá fora. E renovar-se é característica de tudo que é imortal!

PRIMORDIAL — Where Greater Men Have Fallen (Metal Blade, 2014)
8 faixas, 59 mins

Que coisa linda, amigos e amigas do heavy metal, é a maturidade. Costumamos dar valor enorme aos prodígios, aos artistas que alcançam a genialidade ainda em tenra idade — mas que se louve também gente como o Primordial, que gravou disco após disco até alcançar o estágio que se pode ouvir em “Where Greater Men Have Fallen”, seu oitavo CD. São mais de vinte anos compondo e gravando sem descanso, e toda essa estrada rendeu aos irlandeses uma sonoridade marcante e pessoal. A base é o black metal, mas com uma aura grandiosa e épica, trazendo inúmeros elementos da herança cultural celta e uma espécie de respeito ao passado que só os torna mais relevantes para o metal de hoje. É seguro dizer que o Primordial é uma banda madura, prova de que a passagem dos anos pode somar muita qualidade a quem olha sempre para a frente.
Ouça “Where Greater Men Have Fallen”

PERIPHERY — Clear (Century Media, 2014)
7 tracks, 29 mins

Minimalista, não? De fato, a apresentação deste EP do Periphery é bem espartana, mas não pense que o som deles é tão simples quanto a identidade visual ao lado. Ao contrário: os caras mesclam prog metal, djent, post rock e algumas passagem quase fusion, criando uma sonoridade complexa e ainda assim agradavelmente coesa. Um destaque do Periphery está na atmosfera sempre positiva de suas composições — um som alto astral, do tipo que faz o ouvinte sorrir durante vários momentos do EP. O trabalho, aliás, tem uma particularidade: cada uma das músicas é escrita por um membro diferente da banda, que também ficava encarregado de produzi-la. A introdução mescla temas de todas as músicas que virão, servindo para dar unidade à coisa toda. Para quem ama sonoridades progressivas, o Periphery será um banquete daqueles.
Ouça “Feed the Ground”

GRIDLINK — Longhena (Selfmadegod Records, 2014)
28 faixas, 43 mins

Se atingir a maturidade é algo ótimo (na música e na vida), é importante também saber a hora de desapegar e arriscar coisas novas. Veja o Gridlink, por exemplo. Pouco depois de lançar seu terceiro CD, “Longhena”, o quarteto dos EUA tirou férias por tempo indeterminado. É uma pena, claro — mas se nunca mais gravarem uma nota que seja, pelo menos terão lançado um CD que vai marcar época dentro do metal extremo. O grindcore deles é dos mais criativos e cheios de nuances que se possa imaginar, do tipo que é preciso ouvir repetidas vezes para pegar tudo. Curiosamente, depois das 14 faixas “normais” temos as mesmas músicas em versões sem vocais — mais uma chance, aliás, para captar todos os detalhes da ótima música dos caras. Tão brutal quanto desafiador, “Longhena” é uma despedida daquelas!
Ouça “Ketsui”

CAUCHEMAR — Tenebrario (Nuclear War Now!, 2013)
9 faixas, 37 mins

O saudosismo, quando exagerado, vira um atraso de vida. Afinal, qual o sentido de ficar repetindo o que já foi feito? Mas é possível usar velhas ferramentas para construir coisas novas, como o Cauchemar nos mostra em “Tenebrario”, seu CD de estreia. O doom/heavy dos canadenses é bem à moda antiga, básico e sem maiores requintes de produção — mas ainda assim a banda demonstra uma criatividade bastante sadia, variando bastante os tons de cinza de suas composições. A voz da cantora Annick Giroux é ao mesmo tempo melodiosa e sombria, por vezes pairando pelas músicas quase como uma assombração — uma sensação ampliada pelo fato de que todas as letras são em francês. Longe de modernismos, o Cauchemar consegue soar tradicional sem fazer um pastiche do passado, o que é sempre algo a se respeitar.
Ouça “Trois Mondes”

THREATPOINT — Careful What You Wish For (Independente, 2014)
14 faixas, 59 mins

Houve um tempo em que ser uma banda independente era quase sinônimo de passar o chapéu, juntando os trocados para tentar milagre de financiar uma gravação. Felizmente, as coisas mudaram — e hoje grupos talentosos como o Threatpoint podem produzir um trabalho profissional sem depender das benesses de uma gravadora. “Careful What You Wish For”, segundo CD dos norte-americanos, mescla death melódico e metalcore, com riffs fortes e muito dinamismo em composições curtas e diretas. Eis um grupo com músicas que grudam na cabeça, do tipo que você ouve uma única vez e já sai cantarolando (ou urrando, no caso) por aí. Imagino que a essa altura as gravadoras já estejam batendo na porta dos caras do Threatpoint, já que se trata mesmo de uma promessa do metal. Fiquem ligados nesses caras!
Ouça “Careful What You Wish For”

O programa VIL METAL vai ao ar na Rádio Estação Web em dois horários semanais: quintas-feiras das 19h às 20h30 e nas madrugadas de segunda para terça-feira, a partir da meia-noite. Quem quiser nos contatar por qualquer motivo pode usar o Facebook, Twitter ou e-mail. Dá para nos seguir aqui no Medium também, é claro. Vamos juntos, que o metal é de todos nós!

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