VIL METAL RECOMENDA — EDIÇÃO 004

Olá, mortal. Aqui quem fala é o DOUTOR CAVEIRA. Eu tenho notado que você anda meio mal da saúde, sabe?… Não, eu não me refiro à sua saúde física. Estou falando da sua AURA METÁLICA. Percebe como ela não está sadia? Os sintomas são claros. Você anda metalicamente fraco, com olheiras causadas pela falta de Metal no sangue. Seu pescoço não responde adequadamente aos estímulos. Você não faz mais os gestos adequados com as mãos quando ouve música, sinal de séria perda de motricidade fina. Enfim, o diagnóstico é claro: você está com deficiência de Metal. É preciso fazer uma transfusão. Urgente.

Mas fique tranquilo. O DOUTOR CAVEIRA tem o remédio certo para você. Basta uma boas doses de VIL METAL e seu organismo já ficará tinindo! Abaixo, listei cinco medicamentos altamente recomendáveis para você. É um coquetel semanal, então assine nossa conta aqui no Medium para garantir a eficácia do tratamento. Os efeitos se manifestam de imediato — e com a continuidade da medicação eu garanto que você estará em breve com o organismo nos eixos!

Não precisa agradecer, viu. Eu só quero seu bem. E Heavy Metal é saúde, como todos nós sabemos. Cuide bem de si mesmo! \m/

ANGELUS APATRIDA — Hidden Evolution (Century Media, 2015)
10 faixas, 52 mins

Houve um tempo (ainda menos distante do que a gente gostaria!) em que thrash era considerado a coisa mais antiquada do universo. Felizmente, contudo, essa besteira imediatista foi ficando para trás — e é graças a essa retomada que bandas como o Angelus Apatrida, estão podendo brilhar. Em seu quinto CD, os espanhóis fazem uma thrasheira doida que pode não ser o que de mais brutal existe dentro do estilo (está mais para Testament dos anos 80 do que para Slayer, se é que me entendem), mas ainda assim traz uma saraivada de riffs que faz qualquer pescoço metálico imitar chicote sem constrangimento. Há também saudáveis toques de power e speed metal, que dão ainda mais dinamismo ao som dos caras. Deixe a nostalgia para lá — o Angelus Apatrida mostra que o thrash mais tradicional ainda tem muita lenha para queimar.
Ouça “End Man”

THE OATH — The Oath (Rise Above, 2014)
09 faixas, 44 mins

Isso é que eu chamo de uma banda efêmera, leitor(a)! Linnéa Olsson (G) e Johanna Sadonis (V) formaram The Oath em 2012, apostaram em músicos convidados para não perder tempo, lançaram o CD de estreia em 2014 — e, pouco mais de um mês depois do debut chegar nas lojas, já anunciaram o fim da banda. As diferenças musicais floresceram rápido nesse caso… Seja como for, o som é de alta qualidade: doom metal à moda antiga, mas com riffs puxando para o metal tradicional e uns toques stoner/rock aqui e ali. Imagine uma mescla de Saint Vitus e Angel Witch, coloque (ótimos) vocais femininos e não estaremos longe do The Oath. Linnéa Olsson segue com seu projeto Sonic Ritual, enquanto Johanna já anunciou nova banda, chamada Lucifer. Que sigam na ativa, já que o brevíssimo The Oath mostrou que talento ambas têm de sobra.
Ouça “All Must Die”

ABADDON INCARNATE — Pessimist (Candlelight, 2014)
14 faixas, 36 mins

Se você nunca ouviu o Abaddon Incarnate e mesmo assim acha que está preparado para tudo em termos de metal extremo, talvez “Pessimist” faça você repensar essa certeza. Esses irlandeses estão há tempos investindo fundo na podreira, e essa estrada transformou-os em verdadeiros especialistas em death/grind. Dá para exercitar os adjetivos diante do som dos caras: sujo, ríspido, repulsivo, mórbido, desnorteante, hostil e rabugento são alguns que ocorrem de imediato. Não é som para iniciantes, advertimos: é preciso ter alguns calos no canal auditivo para sobreviver à audição sem sequelas irreversíveis. Em um tempo de crescimento para o death, o Abaddon Incarnate traz a fórmula para destacar-se — e azar da concorrência, porque poucos são capazes de seguir essa pútrida trilha. Recomendado!
Ouça “Broken Spectre”

VOMITILE — Mastering the Art of Killing (Pitch Black Records, 2014)
10 faixas, 37 mins

Death metal do Chipre. Até dá para resumir o Vomitile à sua origem geográfica (mesmo porque bandas cipriotas de metal não são exatamente comuns), mas isso seria uma injustiça com o muito bom trabalho que se ouve em “Mastering the Art of Killing”. Embora com os dois pés fincados no death, o Vomitile não tem medo de expandir sua fórmula: pitadas de thrash, grind, metalcore, sludge e até metal tradicional surgem durante a audição desse segundo CD dos caras. O resultado é sujo, mórbido e veloz, mas ao mesmo tempo se deixa acompanhar com razoável facilidade — dá quase para cantar o refrão de “Nekropound”, por exemplo. Mesmo sem atingir níveis muito altos de originalidade, o Vomitile levanta com dignidade a bandeira do metal cipriota e merece a atenção dos fanáticos por death metal.
Ouça “Born to Kill”

TRAPPAZAT — From Dusk Till Dawn (High Roller, 2012)
08 faixas, 49 mins

Em sua encarnação original, essa banda britânica ficou só na promessa: com os vocais de Paul Britton (que atuou em outra banda obscura chamada Scarab), o Trappazat gravou um disco que não saiu e acabou desaparecendo na primeira metade dos anos 90. Aproveitando a onda saudosista que toma conta da Europa, a High Roller exumou as fitas há muito esquecidas e lançou esse “From Dusk Till Dawn” — que caiu no gosto dos headbangers de tal forma que a banda já ensaia uma volta à ativa. Ouvindo o CD, é mesmo uma pena que o Trappazat não tenha conseguido sucesso em seu formato original — mas que bom que apareceram para o mundo, mesmo que de forma atrasada, já que o som é ótimo! Fãs de metal tradicional com toques power vão ter orgasmos ouvindo o som certeiro de “From Dusk Till Dawn”.
Ouça “1 AM D.O.A.”

O programa VIL METAL vai ao ar na Rádio Estação Web em dois horários semanais: quintas-feiras das 19h às 20h30 e nas madrugadas de segunda para terça-feira, a partir da meia-noite. Quem quiser nos contatar por qualquer motivo pode usar o Facebook, Twitter ou e-mail. Dá para nos seguir aqui no Mediumtambém, é claro. Vamos juntos, que o metal é de todos nós!

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