VIL METAL RECOMENDA — EDIÇÃO 006

O heavy metal não é apenas para os fortes — é, igualmente, um dos terrenos mais férteis para gente curiosa. Ao contrário do que o detrator aí do seu lado não se cansa de repetir, o metal é do que de mais criativo e inovador existe por aí, com incontáveis sub-gêneros e ampla disposição para experimentar e renovar-se — o que nós tentamos humildemente mostrar todas as semanas em nosso programa radiofônico VIL METAL. Para quem curte descobrir o novo todas as semanas, trazemos também esse VIL METAL RECOMENDA: cinco resenhas de cada vez, publicadas toda quarta-feira, trazendo bandas ou projetos sem muito alcance (ainda) entre a maioria dos bangers mas que, olha, merecem espaço com urgência no seu CD player.

Então que assim seja, metaleirada. Coloquem os fones de ouvido e mergulhem na seleção que preparamos com todo desrespeito e falta de vergonha na cara para vocês. É pancadaria mesmo, já advertimos — temos certeza que vocês vão adorar! xD

CLOVEN HOOF — Resist or Serve (High Roller, 2014)
10 faixas, 48 mins

Esses ingleses não são exatamente novatos: surgidos na prolífica cena da NWOBHM, foram um dos mais teatrais grupos daquela época, com os músicos usando roupas de palco que remetiam aos quatro elementos da natureza (sim, é sério!). Mas é justo dizer que a maturidade fez bem aos caras, não apenas em termos de imagem (já abandonaram há tempos essa ideia visual meio esdrúxula, fiquem tranquilos), mas também no som — que sempre foi bom, mas atualmente soa mais energético e renovado, em especial com a entrada do talentoso guitarrista/vocalista Joe Whelan. “Resist or Serve” traz várias composições cativantes e um bom trabalho de guitarras, resultando em um heavy/power metal do mais alto calibre. Para quem gosta de metal à moda antiga, mas sem cheiro de mofo, o Cloven Hoof é a dica da vez.
Ouça “Call of the Dark Ones”

UNDERSMILE — Narwhal (Future Noise Recordings, 2012)
10 faixas, 79 mins

As águas onde o Undersmile se aventura são profundas, mas o quarteto inglês consegue navegar esse oceano sombrio com invejável desenvoltura em “Narwhal”, seu até o momento único CD. Compartilhando com bandas como Ahab a obsessão por temáticas náuticas, o Undersmile (formado, curiosamente, por dois casais heterossexuais) mescla funeral doom, drone e sludge metal em uma fórmula ao mesmo tempo carregada e corrosiva, que constrói e descontrói climas sem nenhum pudor. As guitarras (a cargo das duas mulheres da banda) e as vozes (idem) são os destaques, dialogando o tempo todo na criação de um cenário mórbido e fascinante. A viagem é longa (quase 80 minutos), mas “Narwhal” é um CD para desbravadores, perfeito para escutar durante sua próxima travessia pelo Oceano Atlântico!
Ouça “Milk”

JAGUAR — Metal X (Golden Core Records, 2014)
11 faixas, 44 mins

A insistência (ou a perseverança, se quisermos ser mais positivos) é sempre uma qualidade importante para quem quer ir longe no heavy metal. De muitos grupos por aí, o Jaguar está entre os com maior autoridade para falar do tema. Surgidos na NWOBHM com um som direto e veloz que antecipou o thrash (Metallica que o diga), perderam-se pelo caminho no final dos 80s, passaram um tempo fora da cena e, desde que voltaram em 1998, lutam para manter a banda na ativa. “Metal X” inclusive saiu primeiro em formato download gratuito, só depois recebendo edição em CD. O som é direto, com guitarras barulhentas e vocais únicos de Jamie Manton — que, como se não bastasse, deixou a banda no final do ano passado. Mais um desafio para o Jaguar — que, perseverante (ou insistente) que é, haverá de tirar isso de letra.
Ouça “Warts and All”

RIGOR MORTIS — Habemus Diabolos (Venal, 2014)
10 faixas, 40 mins

O nome Rigor Mortis está longe de ser original, mas esses argentinos ao menos têm a desculpa de usá-lo há tempos, já que estão na ativa desde 1994. O som da banda, como o visual da capa de certo modo já entrega, é um death/thrash bem old school, com a curiosidade de todas as músicas serem cantadas em espanhol — não que dê para perceber facilmente sem ler o encarte, é claro! “Habemus Diabolos” não é um CD obcecado com velocidade, preocupando-se mais em valorizar os riffs e abrir espaço para momentos do mais puro headbanging — o que não impede, é claro, que o trio enfie o pé no acelerador quando necessário. Esteja com o pescoço em dia, porque o Rigor Mortis vai querer transformá-lo em chicote com “Habemus Diabolos” — e algo nos diz que você não fará muito esforço para resistir.
Ouça “Masacre”

SYBREED — God is an Automaton (Listenable, 2012)
11 faixas, 01h00mins

Bandas de heavy metal nascem e morrem o tempo todo, como todos sabem. Mas sempre tem aquele fim de carreira que dói um pouco mais, e o Sybreed está entre os grupos que eu preferiria que nunca fechassem a lojinha. Essa banda suíça sempre andou com autoridade pela trilha do metal industrial e vinha quebrando tudo nos álbuns mais recentes, algo que “God is an Automaton” escancara para quem quiser ouvir. Embora nunca chegue a ser brutalmente pesado, o Sybreed envolve o ouvinte em uma atmosfera sombria e intimidadora, ao mesmo tempo que constrói músicas grudentas e fáceis de apreciar. Para azar de todos nós, a saída do vocalista Benjamin Nominet acabou sendo o fim da linha para o Sybreed. Resta-nos rachar o crânio com o excelente legado que ficou para trás, começando por esse ótimo CD. Vá atrás sem medo de errar.
Ouça “The Line of Least Resistance”

O programa VIL METAL vai ao ar na Rádio Estação Web em dois horários semanais: quintas-feiras das 19h às 20h30 e nas madrugadas de segunda para terça-feira, a partir da meia-noite. Quem quiser nos contatar por qualquer motivo pode usar o Facebook, Twitter ou e-mail. Dá para nos seguir aqui no Medium também, é claro. Vamos juntos, que o metal é de todos nós!

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