Como a autenticidade nos salvará da Inteligência Artificial

Entenda como a autenticidade vai manter nossa essência humana.

Lucas Oliveira
Jun 13 · 5 min read
Photo by Igor Miske on Unsplash

Ser inteligente é conseguir entender o abstrato.

Possivelmente você já ouviu falar que alguns trabalhos serão substituídos por robôs, principalmente trabalhos repetitivos e braçais. A Inteligência Artificial(IA) está ultrapassando as habilidades humanas em diversas áreas. Além da indústria ter menos despesas com máquinas, não será mais necessário lidar com a questão “humana”.

Estamos nos aproximando de um apocalipse de empregos dominados por robôs. Os algoritmos podem ser mais precisos e ágeis comparados a seres humanos. A indústria já está sofrendo alterações e nos próximos anos, a economia será radicalmente alterada. Vamos sofrer um processo igual ao ocorrido na revolução industrial no século 18.

Hoje, grande parte das empresas possuem um departamento de IA. Estamos no começo da onda da revolução que IA está trazendo e essa onda irá crescer e arrastar tudo que estiver em baixo. De uma forma ou outra, você terá que estar preparado.

Tarsila do Amaral — Quadro ícone do Manifesto e Movimento Pau-Brasil, esta obra evidencia bem o contraste das paisagens rurais e estradas de ferro da emergente São Paulo industrial; mescla profunda entre a herança dos cenários abertos da fazenda e o futuro das cidades modernas.

A mente humana

A mente humana é fantástica e ao mesmo tempo um mistério. Compreender o processo no qual nosso cérebro trabalha é dar um passo significativo ao futuro.

Entender o cérebro talvez seja o maior desafio da humanidade, já que é como desbloquear nosso código fonte e aprimorar nossas habilidades. Seria como se nós descobríssemos a nossa maior fonte de inteligência.

Quando descobrimos como uma tecnologia funciona, aprimoramos ela; o mesmo aconteceria com o nosso cérebro.

A tecnologia evolui em uma curva exponencial, mas quanto ao ser humano? Nossos primitivos tiveram evoluções biológicas importantes ao longo dos anos até chegar ao que somos atualmente. Minha dúvida é se ainda estamos em um processo de evolução biológica ou talvez nossa evolução passou a ser apenas tecnológica.

Desvendar o cérebro nos permitiria aumentar radicalmente a curva da evolução biológica. Seriamos capazes de moldar nosso cérebro aos nossos desejos e compreender a essência do pensamento. Além de lidarmos com mais conhecimento sobre doenças mentais.

Continuaremos humanos até o ponto em que não entendermos o funcionamento do nosso cérebro. A partir disso, nos tornaremos apenas máquinas que geram máquinas.

Vicent Van Gogh — Van Gogh pintou esta tela quando estava no hospício de Saint-Rémy-de-Provence, onde se internou voluntariamente em 1889, após ter cortado a sua própria orelha. Van Gogh sofria de depressão e de surtos psicóticos.

O abstrato

De acordo com a filosofia, abstrato é toda representação que não corresponde a nenhum dado sensorial ou conceito. É aquilo que é de compreensão difícil. Já na arte, obras abstratas remetem a construção de um conceito não concreto; são representações que transcendem às aparências exteriores da realidade.

Junto com o abstrato, está o conceito de subconsciente, definido como qualquer tipo de conteúdo da mente existente ou operante fora da consciência. Citei esse tema pois, muitas vezes, a criatividade artística segue vias não totalmente percebidas pela consciência, ou seja, opera em nível subconsciente.

Até aonde a inteligência artificial seria capaz de entender nossa mente e suas camadas mais profundas? Acredito que exista algo em nós que nos faça humanos em nossa essência, no qual nenhum algoritmo seria capaz de entender.

Um dos maiores desafios atualmente é descobrir como funciona o processo abstrato de aprendizado de uma rede neural. Desconstruir redes neurais complexas usadas em Deep Learning(DL) para ter alguma ideia do funcionamento do processo de aprendizagem das máquinas é uma tarefa trabalhosa.

A maior dificuldade em aplicações de IA utilizada no mundo real é a variação de dados que podemos observar. Por exemplo, suponha que temos que criar uma aplicação para identificar a cor de um carro, durante o dia é possível perceber que a cor do carro é vermelho, porém, durante a noite, esse pixel se assemelha muito com a cor preta.

DL tenta resolver essa questão quebrando a aplicação em diversas etapas mais simples. Isso permite que o computador construa conceitos complexos a partir de conceitos mais elementares.

Joan Miró — “Quando estou desenhando, a pintura sob meu pincel começa a narrar ou a se impor. Quando estou trabalhando, a forma se torna uma mulher ou o símbolo de um pássaro … O primeiro estágio é livre e subconsciente. O segundo estágio é cuidadosamente planejado”

A arte

Arte é a atividade humana que engloba todas as criações realizadas por artistas a partir de percepção, emoções e ideias. Cada obra de arte possui um significado único e diferente.

A característica essência da arte é retratar a expressão humana de diversas formas. E a criatividade é o ponto central dessa expiração. Hoje, algoritmos são capazes de criar obras de arte em questão de minutos e as obras realizadas estão sendo vendidas em grandes leilões, como é o caso do quadro Portrait d’Édouard Belamy, vendido por R$ 1,5 milhão.

IA pode superar a criatividade humana? De acordo com a neurocientista Romy Lorenz, depende muito do que definimos como criatividade.

Ao ponto em que os robôs vão poder fazer tudo o que podermos, a autenticidade será preciosa.

Nossa arte é preciosa e aglomera um conjunto de emoções que definem o que queremos expressar. Ao ler algum livro e se comover com a história, você está sentido de perto o que o autor passou para escrever aquelas palavras. São sentimentos reais.

Talvez no futuro algum algoritmo seja capaz de gerar um livro cheio de emoções, mas os leitores não serão convencidos se não for real. E ao saber que se trata de um algoritmo, eles se sentiram enganados, ainda que de forma convincente.

O seu emprego será roubado por um robô? Eu vejo que as pessoas não estão se preocupando com isso, acham que é algo de um futuro distante. Mas está acontecendo agora e a autenticidade será nossa única aliada.


Lucas Oliveira é apaixonado por literatura e temas sobre a sociedade, cultura e tecnologia. Possui como principais influências Dostoiévski, Nietzsche e Bukowski.

Vinte&Um

Política, economia, sociedade, cultura e sexo sob a ótica do século XXI. A contemporaneidade exige uma visão moderna sobre os tópicos que movem a sociedade.

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