Entre o real e o virtual

Uma busca incessante por sentido.

Lucas Oliveira
Jul 11 · 5 min read

Qual a fronteira entre o real e o virtual? Transcendemos nossos valores com a chegada da tecnologia, e rapidamente os costumes da nossa sociedade são alterados, para não dizer virados ao avesso. A inclusão de pessoas no mundo digital e a massiva fonte de informações possibilitada pela internet, mudaram nossas atitudes sociais e o modo como nos relacionamos. O capitalismo informacional apresenta uma nova forma de controle sobre a economia. É marcado pelo avanço da globalização e dos avanços tecnológicos. Nesse sentido, os indivíduos são transformados em massa de dados e usados por grandes empresas que ditam o que é melhor para a sociedade.

Redes Sociais

Esse comportamento não é ditado apenas pelos usuários, mas grande parte pelo algoritmo da rede. É provável que você entre na sua rede social e surpreendentemente apareça apenas conteúdos que lhe gere interesse. Esse é o efeito bolha, esse é o efeito de uma sensação equivocada da realidade.

É importante enfatizar a falsa sensação de felicidade e a criação de um modelo de vida perfeita. A lente da câmera apenas capta os melhores lugares com as pessoas mais felizes. Isso acaba gerando um modelo de vida a ser seguido. Assim, esquecemos como se lida com o sofrimento e a dor; sentimentos como solidão e vazio existencial são jogados para debaixo do tapete.

“O pessimismo sobre a natureza humana desaparece em redes sociais” — Leandro Karnal.

As redes sociais funcionam como um portfólio social em que é determinado se você é legal o suficiente para participar do meu grupo. O veredicto da sociedade regrada pelo abuso de relações digitais é se “me agrada”.

A interação social digital contínua cria um paradigma sem que nós percebêssemos, ela determina que todos sejam iguais. Talvez esse seja algum dos fatores pelos quais as redes não colocam o botão de dislake.

Relações Humanas

A beleza está estritamente relacionada com as relações atualmente; a procura incansável pelo corpo perfeito, este corpo onipresente nas imagens, este corpo que brilha nos holofotes das redes sociais. A batalha travada com o tempo: aplique produtos caros, faça sessões, busque a mais nova forma de rejuvenescer. Enquanto que, dia após dia, o tempo vai levando tudo, até o ponto em que não haverá mais fórmulas mágicas, e a carne é derrotada.

O excesso de exposição leva a alienação do próprio corpo, coisificado e transformado em objeto, que deve ser otimizado.

As relações sociais estão se tornando cada vez mais superficiais. O mundo virtual proporciona uma fácil interação: novos amigos, novos amores e novas relações camufladas. Tudo pode ser descartado a qualquer momento; determino se não quero ver você apenas com um clique.

“Que seja eterno enquanto dure” — Vinícius de Moraes

Transparência

Para Han, a sociedade da transparência é um abismo infernal do igual.

Nesse quesito o amor é rearranjado em sentimentos rasos e sem consequências. É o homem apaixonado que não sofre. É a aniquilação do Romantismo.

Uma relação transparente é uma relação morta, à qual falta toda e qualquer atração, toda e qualquer vivacidade.

A sociedade da transparência conseguiu de forma bem menos analógica e mais virtual alcançar níveis de controle de todos os espaços, até mesmo o comportamento fora do âmbito digital. Desse modo, na presente obra, Han crítica a necessidade que os indivíduos sentem em se expor nas redes, um hábito que, no primeiro momento de sua obra, ele compara, de modo metafórico, à pornografia. Dito que, a sociedade da pornografia é uma sociedade de espetáculo.

Solidão

A nossa mente não lida com incertezas, precisamos estar no controle da situação. A internet nos apresenta um mar de contestação, ambiguidade e equívocos, criando uma falsa impressão de que sabemos tudo, ao mesmo tempo sem saber nada. Isso gera um sentimento de saciedade, como se estivéssemos completos, mas ao mesmo tempo vazios. E junto, consequentemente vem a insatisfação com a vida.

“A saciedade é um tédio terrível.” — Charles Bukowski.

Sucesso e fracasso são termos relativo. A impressão de felicidade sobre futuras conquistas leva a criação de expectativas, e logo uma fonte de ansiedade é criada. Não existe um jeito certo de viver, mas as suas escolhas geram consequências. Sou adepto à ideia do Existencialismo, sobre a criação e o significado de nossos próprios conceitos. Todos temos absoluta liberdade sobre nossa natureza interna; cabe a nós definir nossos devidos valores.

“Torna-te aquilo que és.” — Friedrich Nietzsche


Conclusão

Como dizia o grande Cartola:

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver


Lucas Oliveira é apaixonado por literatura e temas sobre a sociedade, cultura e tecnologia. Possui como principais influências Dostoiévski, Nietzsche e Bukowski.

Vinte&Um

Política, economia, sociedade, cultura e sexo sob a ótica do século XXI. A contemporaneidade exige uma visão moderna sobre os tópicos que movem a sociedade.

Lucas Oliveira

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