Painel WW estreia com qualidade Waackiana no debate, mas deve no técnico.

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Queria ter escrito após a primeira edição, aonde os que procuram algum tipo de opinião sobre o programa estão mais ávidos pela leitura imediata da análise pós-consumo. Mas a cautela, ou o anjinho do bem, me aconselharam a esperar esta sexta-feira, dia da segunda edição do tema deste texto.

Sexta-feira, inclusive, às 14 horas de Brasília. Eis o dia e horário que William Waack selecionou para apresentar seu novo projeto jornalístico, que como o próprio nome diz tem sua marca registrada: Painel WW.

Não sei se a escolha foi a mais sábia. A própria ideia do programa aproxima-se do on demand. Assista a hora que bem querer, seja pelo facebook da atração ou pelos canais do Youtube, tanto do Painel WW, quanto da parceira ALL TV.

Mas convenhamos que o prazer do Ao Vivo é insuperável, ainda mais quando essa opção lhe é dada. Pode ser que a viabilidade de estúdio, convidados e estudantes, peça importante do WW, tenham pesado na decisão de Waack a equipe, mas me parece que para o público alvo da atração, não foi das melhores.

Como já devem ter lido, ou assistido, a estreia não foi o primor técnico que se esperava. Logo no início, falhas no áudio. Além de estar, claramente, desligado o microfone de Waack, uma incômoda microfonia dominou o primeiro segmento, ou bloco. A segunda edição já não apresentou o erro. A quantidade de microfones de lapela, aqueles que você vê perto dos botões superiores das camisas, parecia insuficiente, tanto que Murilo Aragão, convidado da edição de 13/4, recorreu ao microfone de mão. Na segunda edição, tudo certo.

A imagem, mesmo nos potentes 720 com resolução HD, parece inferior ao potencial do belo estúdio azul. Me lembrou, diversas vezes, a resolução da Record News, nitidamente inferior ao que poderia, e deveria ser. Mas se a Record News tinha/tem obrigação de melhorar pelo tamanho do seu capital $$$, dá para entender tal situação num produto online de quem não anda com dinheiro sobrando.

O formato é semelhante ao do Painel Globo News, atualmente no comando de Renata Lo Prete, que parece mais repetidora da frase anterior do que articulista. Ao menos ao formato do que seria o novo Painel, que estrearia ano passado antes da confusão do fatídico vídeo de Waack nas eleições americanas.

3 convidados, 1 apresentador, 2 blocos de debates entre os 4 e o último com a plateia, de jovens universitários perguntando aos especialistas. Se na Globo News Waack mostrava-se mais preso, sério e contido, no WW o cenário é imensamente diferente.

Claramente mais “em casa”, o agora também colunista do Estadão, interrompe e pondera em todas as participações dos convidados. Numa tentativa ininterrupta de explicar para a audiência o significado do dito, numa vez de tradutor dos intelectuais, ele puxa com outra pergunta a participação do outro convidado.

Na primeira edição que debateu “As eleições 2018 mudam o Brasil?”, me pareceu menos afoito e mais condutor. Já na segunda, focada na leitura das pesquisas de intenção de votos, Waack estava afoito demais. Interrompeu raciocínios e frases diversas vezes, emendou explicações desnecessárias e pareceu querer o foco mais que o convidado. Falta aí um ajuste de dose.

Bom ponderar que para um programa com a ideia do atual, 50 minutos falando de um tema, há uma flexibilidade maior em prorrogar a duração da edição, sem necessitar de uma correria pela conclusão da frase ou término do programa. Talvez estejam, ele e a direção, pecando nessa percepção.

Se a alma do produto é fazer algo para a internet e seu público, não se pode fechar em regras da televisão, que funciona com base em outros princípios.

Falando em regras de TV, uma clara diferença deu para notar entre o Painel da Globo News e o do Waack. Se o primeiro valorizava o plano fechado e pouca agitação com a câmera, focando quase totalmente em quem fala, o Painel WW não permanece mais que 30 segundos num mesmo corte.

É mais ou menos assim: close em quem fala, corta pra alguém da plateia, vai para câmera de cima com plano aberto, volta para quem fala, mostra o Waack ou outro convidado, volta pra plateia. Muitas vezes fiquei perdido entre olhar quem aparecia e entender o que se falava. Como disse, questão de ajuste.

Mas não podemos esquecer que o foco da atração continua primoroso. O conteúdo do debate e a qualidade de quem fala mantém o nível em cima, algo difícil no jornalismo brasileiro de imagem. A entrada do público também contribui com qualidade para a atração como um todo. Além de mostrar a cara de interesse de quem acompanha, as participações no final dão um toque especial no debate de ideias. Um formato que me lembra o das palestras em universidade.

Em duas edições não dá para se ter certeza das coisas, mas uma boa noção do caminho que se segue. Por enquanto, Waack mostra que a qualidade da Globo News é o foco da nova atração. Mas algumas dosagens e ajustes no carro precisam ser feitas durante as pausas da corrida.


Bruno Henrique de Moura é Jornalista e Estudante de Direito. Foi repórter de política e direito econômico no JOTA e coordenador de comunicação do DCE-UnB.


Vinte&Um

Política, economia, sociedade, cultura e sexo sob a ótica do século XXI. A contemporaneidade exige uma visão moderna sobre os tópicos que movem a sociedade.

Bruno Henrique de Moura

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Jornalista, estudante de direito e liberal. Foi repórter de política e direito econômico no JOTA. É coordenador jurídico e de comunicação do DCE-UnB.

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