Nova série: métodos de ensino

Quantas vezes você já leu, ouviu ou pensou que as aulas deveriam ser estruturadas de um modo diferente do que é feito hoje em dia? Que as aulas deveriam ser mais dinâmicas? Que a aula expositiva tradicional era muito monótona?

Diversos motivos podem fazer um professor se “acomodar” na aula expositiva, entre os quais:

  1. Inovar envolve um risco (emprego): se o novo método fracassar ou não for popular, o professor pode ser mal avaliado pelos alunos. As consequências disso podem variar muito de um ambiente institucional para outro, mas no mínimo pode gerar um incômodo para o professor.
  2. Inovar envolve um risco (aprendizado): se o método fracassar, os alunos podem não aprender o conteúdo e isso frustrar e desmotivar o professor. Afinal, ele tentou algo que julgava ser interessante para o aprendizado de seus pupilos, mas isso não deu certo.
  3. Muitos não sabem muito bem como inovar: “Sei que a aula expositiva não está dando certo, mas não sei qual seria a melhor alternativa”.
  4. incerteza quanto à eficácia de alguns métodos alternativos: algumas inovações podem soar como modismos sem comprovação de reais ganhos para o aprendizado. Sem evidência suficiente de que algum método supere outro, o professor pode preferir manter o sistema com o qual já está acostumado. Isso pode surgir tanto pela falta de evidência como pela falta de interesse, por parte do professor, de ler estudos sobre isso.
  5. Sair do esquema tradicional de aulas expositivas tipicamente dá trabalho: na primeira turma, o professor gasta muito tempo preparando suas notas de aula, às vezes três vezes mais do que gasta em sala. Na segunda turma, talvez seja feita uma revisão, incluindo algum tópico novo, excluindo algum agora menos interessante ou alterando a ordem dos temas abordados. Mas da terceira turma em diante, o curso geralmente “já está montado” e o trabalho antes de cada aula passa a ser revisar rapidamente as notas. Aí sobra mais tempo para fazer pesquisa (que tende a ser mais valorizado nas universidades) e extensão. Então, o incentivo a rever isso não é grande se considerarmos apenas a questão tempo.

O que definirá nossos métodos de ensino, de acordo com Robert Talbert, é (1) possibilitar que os alunos alcancem os objetivos de aprendizagem do curso; (2) possibilitar que os alunos melhorem suas habilidades de aprendizado; e (3) permitir que os alunos fiquem apaixonados ou ao menos curiosos sobre o assunto. Com isso, os métodos que funcionam podem (e provavelmente irão) variar de acordo com o tópico e o grupo de alunos de cada disciplina. Se as aulas tradicionais serão mantidas ou não, dependerá dessa avaliação. É fundamental, portanto, pensarmos criteriosamente nos objetivos de aprendizagem de cada curso (e de cada assunto de cada curso).

Mas é difícil mudar um curso inteiro de uma turma para outra e essa pode não ser a melhor estratégia. Eu sugiro pensar em uma ou poucas inovações e tentar implantá-las na turma seguinte. No semestre posterior você pensa em mais uma (ou poucas) inovações para testar, se quiser. E assim por diante. Mudar muita coisa simultaneamente pode agravar tanto a falta de tempo para outras atividades como a sensação de frustração e desmotivação quando algo dá errado (e, com inovações, falhas acontecem mesmo, é normal!).


Pensando especialmente no desconhecimento de formas diferentes de ensino, que eu também tenho, resolvi criar uma série para o blog. Minha ideia é procurar novos métodos e compartilhar algumas informações sobre eles aqui. Nada definitivo ou muito elaborado, mas que sirva como uma guia básico.

Provavelmente começarei pelos tópicos a seguir, abordados em um livro que tenho (International Handbook of Teaching and Learning Economics) e episódios que já ouvi do podcast Teaching in Higher Ed. Tem muitas discussões sobre métodos de ensino lá fora, mas eu quase não vejo por aqui — se tiverem indicações, deixem nos comentários, por favor!

Os textos não virão necessariamente nessa ordem, mas os tópicos devem ser:

  • Estudos de caso
  • Problemas ricos em contexto
  • Atividades em grupo
  • Discussões em sala de aula
  • Experimentos em sala de aula
  • Ensino por meio de exemplo/problema
  • Ensino por meio de desafio
  • Aulas interativas
  • Aulas expositivas
  • Estratégias “just-in-time” de preparação de aulas
  • Clickers e sistemas de resposta
  • Uso de escrita (ensaios e similares)
  • Flipped Learning
  • Atividades para serem feitas antes da aula
  • Leituras antes da aula e guia orientado de estudo

Caso você tenha algum material sobre os tópicos acima ou tenha alguma sugestão sobre outros tópicos, me avise!