retrospectiva em livros

Alguns leitores deste blog, que percorrem a barra de rolagem até o fim, encontram, lá em baixo, o link “leituras 2015” (amanhã, 2016). A página surgiu para eu atualizar a minha ainda modesta listinha de livros lidos e manter um registro anual. Não há relação com o propósito deste blog, de dividir experiências sobre ensino, mas professor também lê e me dou liberdade para fugir do foco e adequar o blog as minhas excentricidades de vez em quando.

Terminado o ano, vejo os títulos e me lembro de muitas coisas que aconteceram. As escolhas de livros que fiz de certa forma refletem momentos e sensações. E acontecimentos (um bastante triste) também marcaram a leitura, de modo que junto à lembrança de um, está a memória do outro. Li 31 livros neste ano. Em 2014, foram 26. É pouco, considerando os leitores que tenho como referência. Mas ao menos mantive o hábito de ler diariamente, mesmo que pouco tempo por dia e muitas vezes em transporte público. E é graças a esse hábito que consegui ler alguma coisa, mesmo fazendo doutorado.

Comecei 2015 mudando para São Paulo e conhecendo inúmeras livrarias e sebos dessa capital. Os dois primeiros da lista (e outros ao longo dela) vieram desses passeios. Gostaria de ter lido mais livros de economia, mas só li The Arrow Impossibility Theorem e Who gets what and why?. De qualquer forma, intercalando com literatura, li algo de não ficção. Foram três de matemática no começo do ano — minha procrastinação racionalizada, como fuga do começo difícil do doutorado. Depois, li alguns sobre vida acadêmica, provavelmente porque era só sobre isso que eu pensava.

Houve um tempo em que eu lia diversos livros ao mesmo tempo. Atualmente tento ler apenas dois ou três por vez: sempre um de literatura e um de não ficção. Muitos livros li em transporte público (para ir ou voltar da faculdade) e isso me fez dar preferência para livros mais leves e fáceis de carregar. Comecei Anna Kariênina e fiz várias pausas porque não levei para a faculdade, nem quis colocar na mala quando viajava — por isso, só terminarei em 2016.

2015 foi definitivamente um ano em que comprei muitos livros. Estou me conciliando com a ideia de que posso comprar aquilo que tenho fortes intenções de ler, mesmo já tendo uma pilha de não lidos em casa. Cedo ou tarde, acabo pegando o livro e lendo. Principalmente se for um clássico. E muito me agrada ver as possibilidades de leitura na crescente biblioteca pessoal. E foi com essa ideia que comprei e li alguns clássicos neste ano: Saramago, Naipul, Bertrand Russell, Cortázar, Jane Austen, Dostoiévski, Ray Bradbury, Günter Grass…

Foi um ano de boas leituras. Gostei muito de ler Orgulho e Preconceito. Já vi e revi o filme inúmeras vezes e li sempre me lembrando das cenas. Fico também feliz por ter tomado vergonha na cara para finalmente terminar Crime e Castigo (que tive de retomar desde o começo para fazer sentido). Tive enjoo ao ler algumas cenas, de tão bem descritas e impactantes.

Barba ensopada de sangue, do Daniel Galera, foi uma ótima surpresa. Um desses livros que eu enrolei muito para comprar, sempre esperando a promoção que nunca vinha, mas quando finalmente comprei e li, saí recomendando para todo mundo. Bem escrito e envolvente. Patrick Modiano foi outra boa surpresa. Saímos (eu e A.) para um passeio e resolvemos esticar para o parque. Como não estávamos levando nada para ler, paramos na livraria e comprei algo que me parecia apropriado para a ocasião. Li no mesmo dia.

Destaque também para So Litte Done: the testament of a serial killer. O A. já leu vários livros do Theodore Dalrymple e gosta muito. Esse estava entre os livros do Kindle Unlimited da Amazon. Uni um autor bastante recomendado com o tema de Criminal Minds, seriado que acompanhei por muitos anos e hoje está um pouco abandonado (talvez a fórmula tenha se desgastado para mim). Valeu a pena.

Algumas leituras, porém, não agradaram tanto. O que li este ano de Cortázar, Bradbury e Harding decepcionaram um pouco. São bons livros, mas não me encantaram tanto quando outros dos mesmos autores (Cortázar e Bradbury) que já tinha lido, por um motivo ou outro.

No final do ano, li Primo Levi. Diferentemente de Imre Kerstész, que também trata do Holocausto, o livro de Primo Levi descreve acontecimentos ocorridos dentro do campo de concentração. Chorei já na 15ª página.

Sem mais delongas, eis a lista:

  1. Todos os Nomes — José Saramago
  2. O Massagista Místico — V. S. Naipaul
  3. Introdução à filosofia matemática — Bertrand Russell
  4. Contos de Fadas — Maria Tatar (org.)
  5. How to solve it: a new aspect of mathematical method — G. Polya
  6. O último teorema de Fermat — Simon Singh
  7. Final do Jogo — Julio Cortázar
  8. Orgulho e Preconceito — Jane Austen
  9. A Pátria de Chuteiras — Nelson Rodrigues
  10. The Heart of Teaching Economics — Simon W. Bowmaker
  11. Capitalismo de Laços — Sérgio Lazzarini
  12. Crime e Castigo — Fiódor Dostoiévski
  13. O Mágico de Oz — L. Frank Baum
  14. Cartas a um Jovem Economista — Gustavo H. B. Franco
  15. Filosofia em Directo — Desidério Murcho
  16. As Crônicas Marcianas — Ray Bradbury
  17. The Arrow Impossibility Theorem — Eric Maskin e Amartya Sen
  18. So Little Done: The Testament of a Serial Killer — Theodore Dalrymple
  19. PHD Thesis — An uncommon guide to research, writings & PHD life — James Hayton
  20. Manual de Sobrevivência na Universidade: da graduação ao pós-doutorado — Leo Monastério
  21. A Caixa — Günter Grass
  22. O Tenente Quetange — Iúri Tyniánov
  23. Submissão — Michel Houllebecq
  24. Entre assassinatos — Aravind Adiga
  25. Barba ensopada de sangue — Daniel Galera
  26. A restauração das horas — Paul Harding
  27. A bandeira inglesa — Imre Kertész
  28. Para você não se perder no bairro — Patrick Modiano
  29. Caim — José Saramago
  30. É isto um homem? — Primo Levi
  31. Who gets what — and why — Alvin Roth