La Paz Fútbol vs. The Strongest [15/04/2012]

Em 2012 tive a oportunidade de conhecer o Estádio HERNANDO SILES, mais conhecido como a casa oficial dos clubes The Strongest, Bolivar e La Paz Fútbol. É um estádio multiuso, ou seja, além de eventos, recebe jogos dos três clubes. Para quem não conhece, o estádio está localizado na cidade de La Paz, a mais ou menos 3600 metros acima do nível do mar.

A visita não foi programada. Eu estava de rolê com um amigo — companheiro de trip -, em um habitual domingo boliviano, e fomos surpreendidos por “camelos”.

Explico: estávamos a procura de um local para almoçar, lá pelas 14h de domingo, e, indecisos entre POLLOS COPACABANA ou um restaurante de/para operários locais, caminhávamos de um lado para o outro. Pois bem, decidimos entrar no restaurante. Uma hora depois, saímos e nos deparamos com uma movimentação familiar — camelos preparavam suas vendas com souvenirs, camisas, cachecóis etc, de clubes bolivianos. Imediatamente refletimos: “- que dia é hoje ? — domingo. — porra, domingo ? 16h ? FUTEBOL”. Parênteses: para quem já se colocou nessa situação, quando em viagem você simplesmente se desliga de datas, só não esquece a data de ir embora.

Consultei alguns locais sobre o evento que estava sendo preparado ali, e mais que depressa estávamos na bilheteria do Hernando Siles comprando ingressos para o confronto entre La Paz Fútbol e The Strongest. Pagamos em torno de 30 reais, valores para torcida do The Strongest, a se posicionar atrás de uma das metas.

Entramos meia hora antes, nos posicionamentos de forma a acompanhar tranquilamente o jogo, em uma das curvas, quando subitamente começa a CHUVA. Como brancos turistas, resolvemos nos deslocar mais para trás do gol — onde tinha uma pequena cobertura, que cobria cerca de 30% daquele espaço da arquibancada, no anel inferior. “Ok, agora estamos tranquilos para ver o jogo”.

Minutos passaram, e a nossa arquibancada foi sendo povoada, muitos com vestimentas aurinegras, alguns protegendo-se da chuva, outros nem ligando. Alguns trapos foram sendo colocados — de cabeça para baixo — nos alambrados. De repente não havia mais espaços na nossa proximidade. Sim, estávamos no meio da LA GLORIOSA ULTRA SUR 34 — uma das importantes organizadas do The Strongest. E os cânticos começaram, a “munheca” quebrada, e o apoio não parava. Incrível, incrível.

Ao final do primeiro tempo, sentados, fomos abordados por um dos “comandantes” da La Gloriosa Ultra Sur 34 — que não tinha olhado para o campo durante todo o primeiro tempo -, e na hora pensei: “fodeu, vai mandar sacar esses brancos deslocados”. Mas não, fomos presenteados com um CD da torcida, onde no encarte estavam as letras cantadas.

O estádio: com menos de 30% de lotação, tinha alguns espaços para lanchonetes — que estavam fechados -, e muitos ambulantes. Eram vendidos hamburguesas, ovos cozidos, amendoim, e café.

O jogo: 3/10, mesmo com o placar elástico de 4x1 para os aurinegros.

O futebol foi sofrível e a experiência incalculável.

Por Will Rosa