“Silhouette of Trees Covered by Fogs” por Clément M. em Unsplash

Você está com dor

Dor. Dor que te impede de pensar, dor que te impede de sorrir, dor que te impede de viver. A dor que dói por dentro e por fora, de cima para baixo, de ponta-cabeça e de baixo da água. Uma sensação impossível de ignorar e que te mata enquanto está lá. Te mata não de dor, mas porque te impede de viver.

O único sentimento possível nessa hora é desejar que a dor passe, que ela tenha pena e te abandone. Você fica nervoso com a existência dela porque ela vem de dentro, é algo que o seu corpo faz consigo mesmo.

Você xinga e brada esperando que aquilo vá embora, como se ela estivesse fora de você. Deus lhe deu consciência o suficiente para sentir a dor, mas não o suficiente para fazer com que ela pare.

A dor como metáfora da condição humana. Preso dentro de um corpo, sem poder agir completamente sobre ele. Conseguir refletir sobre o seu próprio fim sem conseguir impedí-lo, poder assistir-se definhando mas não ter como regenerar-se.

Uma dor que dura horas, sem remédio para fazê-la parar. Uma sensação impeditiva e gigantesca, como um cobertor pesado o suficiente para asfixiar; você abandonaria o seu livre arbitrio para que ela parasse? Você abriria mão da sua humanidade para que ela se fosse?