4 anos de jornalismo de dados na orelha

Volt Data Lab faz meia década menos um ano de vida e planeja certas coisas para 2019

Oi.

Dia 24 de novembro último o VOLT DATA LAB fez quatro anos de vida.

2018 foi um ano cheio.

Um ano mais corrido do que o outro: em 2015, foram dois projetos (um deles próprio) completados. Neste ano, 21, com 16 clientes ou parceiros diferentes. Contratamos exatamente 20 freelancers para trabalhos específicos, entre jornalistas, programadores, designers, editores de podcast e cartógrafa, além dos quatro colaboradores fixos que temos. Também fomos um dos patrocinadores do principal evento de jornalismo de dados do Brasil, o CODA.

Mesmo assim, pareceu pouco.

Entregamos todos os nossos projetos, a grande maioria deles com feedback muito positivo de clientes, e parceiros e da comunidade de jornalismo de dados, mas em um ou outro caso o peso de ter uma equipe enxuta foi tremendo. Sabemos também, no nosso quarto ano de atividade, que é necessário não apenas ter boas estruturas e equipes como também prever certas coisas que são simplesmente imprevisíveis, programar-se para quando algo der errado — algo certamente vai dar errado em algum momento — e ter expectativas muito bem definidas tanto pra gente quando pra nossos clientes, parceiros e contratados. Com dois projetos, era mais fácil e rápido lidar com problemas; com 21, a complexidade das coisas aumenta exponencialmente.

Aprendemos muito com isso.

O que é simples de resolver com tempo livre torna-se um pesadelo quando o pipeline se alonga. Como uma empresa de jornalismo que trabalha principalmente com dados e tecnologia, uma das principais sutilezas que foi forçadamente ensinada ao VOLT é de que jornalistas e programadores funcionam em tempos diferentes. Os primeiros inventam mais, são mais espontâneos, improvisam com frequência, querem coisas na hora, acham que certos processos são mais fáceis do que são. Sou jornalista, sei que é nossa natureza. Os segundos são seres metódicos, tecnicamente muito capazes mas menos flexíveis (por vários motivos). Essas diferenças são boas, trazem disciplinas diversas e melhoram os produtos, mas o gap entre elas precisa ser reduzido, e é nessa linha que vamos trabalhar em 2019.

Trabalhamos muito.

Renata, Felippe e Sérgio

Estou impressionado (embora não surpreso) com o comprometimento da maioria dos colaboradores, mais especialmente da nossa equipe fixa. Nunca perco a chance de reafirmar o quanto a Renata Hirota (analista de dados) representa de capacidade analítica para o Volt, o quanto a entrada do Felippe Mercurio (coordenador de tecnologia) mudou nossa visão e capacidade técnicas para melhor, o quanto a Angélica Martins (jornalista da casa) agilizou nossa vida com projetos fora da tecnologia e dos dados, e o quanto Steph Minucci (redes sociais) impulsionou nossa presença nas redes.

Estamos equilibrados.

O negócio do VOLT é trabalhar com dados para jornalismo e para comunicação. Num sentido mais amplo, aplicar tecnologia para o jornalismo. Isso vai continuar. Grandes projetos (como Atlas da Notícia e o agregador de pesquisas eleitorais do Poder360) representaram quase a metade da nossa receita. Projetos de dados para o terceiro setor e o segmento corporativo representaram, juntos, pouco mais de 43%. Extremamente importantes para nosso propósito e nossa missão, cursos e reportagens ficaram com o resto.

Segmento editorial sempre presente.

Apesar de representar apenas 5% de nossa receita, o segmento editorial (reportagens e investigações) são fundamentais pra gente. Neste ano, fizemos uma investigação sobre a Assembleia Legislativa de São Paulo (Folha); uma análise sobre tiroteios perto de escolas no Rio (Jornal da Globo); análises especiais sobre votos nulos e abstenções em eleições anteriores (UOL); um profundo mergulho em dados do disque denúncia sobre milícias e facções no Rio (Intercept); um gráfico interativo sobre bolsas concedidas pelo CNPQ (Gênero e Número); e ajudamos em análises sobre violência contra mulheres. Também fizemos, em parceria com o Brio Hunter, um banco de dados com jornalistas de todo o Brasil e coordenamos o DDJBR, um site para mostrar as principais reportagens orientadas por dados no país. No mais, continuamos a atualizar a Conta dos Passaralhos e seguimos nossa linha de falar sobre o impacto da tecnologia na sociedade em peças autorais.

Por fim, tem o podcast.

O Caixa-Preta, feito em parceria com o InternetLab (oi, Mari. Oi, Chico), é o único produto de mídia do VOLT no momento — ou seja, é o único produto de conteúdo jornalístico próprio, autoral que temos. Em geral, publicamos e investigamos junto a parceiros. Uma das prioridades para 2019 será arrumar financiamento para continuar esse projeto, seja com parceiros de mídia ou por conta própria (se souber de algo, manda email pra mim em info@voltdata.info).

Obrigado.

Se você está lendo isso, se leu até aqui, só gostaria de lhe agradecer por fazer parte do VOLT de um jeito ou de outro, por se importar. Esperamos contar com você ano que vem também.

Sérgio Spagnuolo, fundador e editor do Volt Data Lab