Como resolver o quebra-cabeça das entregas de comida — Por Jeremie Leclercq

“Supply side is King”

Há poucos dias, Andrew Chen (sócio da Andreessen Horowitz, um dos principais fundos de capital de risco no Vale do Silício) twittou: “Como todos esses marketplaces tendem à ter oferta restrita, você deve avaliar cada oportunidade/empresa do ponto de vista do supply (…)”

Irving Penn - Salad ingredients (New_York, 1947)

Intrigante? Vamos dar uma breve olhada no que isso significa para a indústria de entrega de alimentos e como isso afetou a VYA em suas decisões iniciais.

Flutuações de oferta e demanda na indústria de alimentos

A indústria de alimentos é a mais cíclica, sofrendo importantes picos de demanda (do lado do consumidor): almoço e jantar.

Como resultado, o que chamamos de “o lado do supply”, ou seja, restaurantes e entregadores, é subutilizado nos outros horários. Por exemplo, um restaurante não vende muita comida de manhã ou à tarde. O mesmo vale para os entregadores: como a demanda é baixa, a atividade também fica baixa.

Então vem o primeiro pico: almoço!

As encomendas explodem ao mesmo tempo, os entregadores ficam super ocupados e as cozinhas são verdadeiras zonas de guerra… O lado do supply (restaurantes e motoboys) alcança a capacidade máxima e não consegue acompanhar o ritmo, o que causa longas esperas, atrasos, não comer com seus colegas ou até demorar mais do que uma hora de almoço comum. O resultado é uma experiência de entrega ruim para o almoço.
 
Por causa desses “ciclos diários”, até os restaurantes on-line / off-line mais eficientes tem dificuldades em atender à demanda. A ascensão das cozinhas fantasmas é uma tentativa dos mercados de aumentarem a capacidade dos restaurantes (supply), mas falta o problema intrínseco do lado da oferta: fornecer comida quente.

Escolhas iniciais

No início, na VYA, fizemos uma significativa escolha: oferecer refeições frias prontas para serem esquentadas no destino, pelo cliente.

Como fazemos isso?

Todas as manhãs, enquanto todos estão dormindo, nossos heróis (Chef e cozinheiros) preparam refeições frescas incríveis, montam e embalam.

Como já temos um estoque de refeições prontas, removemos as ineficiências dos restaurantes on-line / off-line comuns e superamos facilmente os picos de demanda.
Reduzimos o tempo de preparação para 2min (o tempo usado por um humano para embalar um pedido), entregamos rapnaidamente (na média fazemos 3 entregas quando os restaurantes fazem 1), permitimos que nossos clientes programem suas compras e reduzimos o risco de atrasos devido à falta de entregadores.

Do lado do consumidor, (achávamos que seria a parte mais complexa em aceitar) aconteceu o contrário. Os clientes podem receber comida com antecedência, programar, guardar na geladeira, comer mais tarde ou até levar de volta para casa. Refeições prontas trazem mais conveniência e flexibilidade para a vida das pessoas do que as refeições quentes (precisam ser consumidas instantaneamente, ingredientes ainda cozinham enquanto viajam, pratos que chegam mornos).
O resultado é uma taxa de retorno do cliente superior à média de mercado: >2 por semana.
 
Esta decisão inicial (entregar pratos frios) parece simples, mas não só resolveu a questão da oferta, mas também nos permite dimensionar nossas refeições prontas através de uma vasta gama de novos canais de distribuição, como a VYA JÁ, nossa geladeira inteligente.

As possibilidades de desenvolvimento são ilimitadas, só precisamos ser criativos.


Para quem se interessou pela imagem, aqui vai uma dica: o Instituto Moreira Sales (IMS) está expondo uma retrospectiva em homenagem aos 100 anos de nascimento do fotógrafo norte-americano Irving Penn, de 21 de agosto a 18 de novembro de 2018. O endereço é Av. Paulista 2424, de terça a domingo e feriados, das 10h às 20h; quintas, das 10h às 22h.