Como a Back4App conquistou clientes no mundo inteiro acelerando o desenvolvimento de sistemas

Como em três anos chegar nos EUA sem conhecer ninguém, participar dos principais programas de aceleração do mundo, levantar mais de US$ 2 milhões em investimentos e ter clientes em mais de 40 países? Pergunte à Back4App, uma das investidas da Wayra Brasil.

Photo by Iker Urteaga on Unsplash

Criada no final de 2015, a Back4App se propõe a oferecer uma plataforma para acelerar a transformação digital nas empresas. Para isso, tem uma plataforma para controlar a criação e, principalmente, oferecendo bibliotecas de códigos que funcionam para as principais aplicações dos principais softwares e serviços do mercado.

“Imagine, por exemplo, a ferramenta de login do Google e do Skype. Há algumas diferenças entre o login de um e de outro, mas na essência o processo é o mesmo — você coloca seus dados, uma senha e acessa. O que nós fazemos é transformar essas microsserviços em ‘caixinhas de código’. O usuário da Back4App apenas conecta tal caixinha ao seu software para incorporar a função”, resume George Batschinski, cofundador da startup.

Segundo ele, com tais recursos, consegue acelerar o processo de desenvolvimento de uma aplicação “que, em grandes empresas, dura entre 12 e 24 meses” para apenas “algumas semanas.”

Micro serviços práticos

Tradicionalmente um software era desenvolvido como um objeto único, ‘monolítico’, que com o tempo se tornava um grande e complexo emaranhado de códigos. Esse sistema é chamado de monolítico. Com o passar do tempo, a complexidade evolui a tal ponto que se torna praticamente inviável modificar o software.

Na contramão, o que desenvolvedores hoje procuram é criar com a lógica de microsserviços: um software se torna uma série de pequenos projetos, acoplados um ao outro e que funcionam em grupo. Assim, para fazer uma modificação, o desenvolvedor desacopla apenas o microsserviço que deseja alterar, sem comprometer o resto do produto ou serviço.

A Back4App anda no mesmo sentido ao oferecer estes microsserviços já prontos, para que os desenvolvedores possam apenas conectá-los. “O problema é que várias empresas não sabem desenvolver os microsserviços e, na prática, estão criando diversos pequenos monólitos com a mesma arquitetura. Nossa proposta de serviço é ajudar as empresas desenvolver da forma correta, com uma arquitetura apropriada para esse mindset”, garante Batschinski.

Ele compara a Back4App a um jogo de Lego. Cada microsserviço é uma pequena peça, que o desenvolvedor conecta às outras para desenvolver sua escultura.

Da necessidade à inovação

A ideia da Back4App vem da empresa anterior de seus fundadores, a Gtac, que oferecia o desenvolvimento de soluções para o mercado de aviação. Ao perceberem que os clientes tinham problemas semelhantes e que eles desenvolviam soluções quase iguais para diferentes consumidores, perceberam que poderiam padronizar e oferecer ao mercado — permitindo que outros desenvolvedores ganhassem tempo sem ficar desenvolvendo produtos quase iguais.

Foi assim que no final de 2015 criaram paralelamente a Back4App. O negócio deu tão certo que, pouco a pouco, foram trocando o foco de uma empresa pela outra e, em 2017, venderam a Gtac.

Internacionalizar para conquistar

Apenas 5% dos clientes das Back4App estão no Brasil. O restante está em mais de 40 países. Para entender a rápida internacionalização, é preciso estudar a visão dos sócios.

Desde o início, os fundadores sabiam que precisavam ir aos EUA. Partiam da convicção de que a empresa, por precisar de muito capital, teria mais chances no país, onde há os maiores fundos de investimento do mundo.

Para conseguir chamar a atenção na América, os fundadores se revezavam e ficavam entre três e quatro meses no país tentando networking e apresentando a empresa. Foi entre tentativas e erros que conseguiram ser acelerados pela The Stanford Launchpad, da universidade de Stanford; e pela The Alchemist, aceleradora para negócios B2B.

“Fomos na cara e coragem, com tentativa e erro. Vimos que a quantidade de vezes que precisávamos tentar foi muito maior do que no Brasil ou que um americano médio precisava fazer. Na média, para conseguir cada um desses programas, tentamos quatro vezes”, resume Batschinski.

Após os programas de aceleração, a empresa continuou a captar investimentos. Hoje, com US$ 2 milhões investidos, ainda operam em caixa negativo. Mas isso porque tem planos ambiciosos de crescimento.

Do pequeno ao grande

Atualmente, a Back4App está com os olhos voltados ao Brasil. É que aqui eles estão rodando os pilotos para o próximo passo da empresa: conquistar os grandes clientes e aumentar o ticket médio.

Até o momento, o foco da Back4App são as pequenas empresas de desenvolvimento, com times entre um e dez funcionários. Porém, ao criar soluções personalizadas para as demandas específicas de grandes corporações, a startup procura ajudar as gigantes se tornarem mais ágeis e, com isso, confiarem na sua plataforma para facilitar o desenvolvimento.

Uma das principais clientes para os testes pilotos, segundo Batschinski, é a própria Telefônica, com os pilotos se tornando bem sucedidos, os executivos pretendem continuar a focar em grandes corporações no Brasil para, aí sim, internacionalizar entre as grandes corporações.

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