Desafios de um UXer

Carol Leslie abriu o dia de palestras falando sobre a "Maturidade e evolução do mercado de UX no Brasil" (Foto: Robson Silva)

Nesse último sábado, 18 de Fevereiro, aconteceu o WIAD (World Information Architecture Day) em São Paulo — e em outras 57 localidades pelo mundo. O evento internacional e anual propõe discutir um mesmo tema, dentro da disciplina de Arquitetura de Informação, para engajar a comunidade interessada em todo mundo. É uma troca rica de conhecimentos.

Dentre as palestras dos dia, a primeira foi da Carol Leslie (da Saiba +). Ela trouxe um panorama geral do mercado de UX no Brasil, uma pesquisa realizada com quase 500 profissionais da área atuando no Brasil. Os insights apresentados foram relevantes: desde a concentração geográfica da profissão no Sudeste, passando pela igualdade salarial para homens e mulheres mostrando um cenário progressista na área (UX é mesmo a profissão do futuro) até a sazonalidade de uso de metodologias, com o comportamento próximo ao de uma moda mesmo.

O ponto mais interessante, no entanto, foi a apresentação dos principais desafios para construção do trabalho do profissional da área. Os desafios eram:

Processo de Trabalho: Um velho conhecido dos profissionais de criatividade. Empresas cujos processos já estão tão enraizados que acabam dificultando uma atuação mais criativa. Esse não era novidade;

Comprovar Resultados: Talvez a pergunta de um milhão de dólares para a área, como UX faz para provar o valor que tem? Para o UXer é bem claro como uma boa experiência melhora a vida das pessoas, mas como olhamos isso? Outro insight gerado pela pesquisa da Carol é que, na hora de medir os resultados, a forma mais comum de se fazer isso no mercado de UX é (pasmem) "NÃO medindo" (!!!). É necessário criar essa preocupação de, eventualmente, olhar se o que foi criado deu certo. Uma outra palestra do dia, de métricas, elucidou um pouco o how to do, mas ainda temos um longo caminho para mostrar (em uma lingua que todo mundo entenda) a importância do nosso trabalho;

O Profissional de UX: Sim, o próprio trabalho e especialidade foi apontado como um desafio da área. Aqui tem um pouco do que foi citado no ponto anterior. Há um despreparo em discutir questões mais estratégicas e de negócios, sendo o foco das discussões desse profissional somente na interface. Estive em um outro evento relacionado a interação no ano passado (o ISA em Santiago) e lá os convidados enfatizaram como a disciplina de Experiência do Usuário pode ser utilizada para resolver problemas macro, estratégicos, sistêmicos. Somos mais do que desenhadores de tela, creio que podemos mostrar isso com mais frequência a partir de atuações que vão além da interface.

Cultura, visão de clientes e gestores: Esse é outro ponto que não pareceu novidade (inicialmente) "gestores/equipes que não entendem a real importância de UX". De fato existem e são muitos, mas nós também! E estamos crescendo. A Carol fez uma provocação que valeu o evento: "Como assim, eu, UXer, sou quem conhece o caminho da verdade e só não falo nada por que sou mal compreendido?". Nós, de fato, somos uma comunidade em ascensão e temos muito com o que agregar em diversos setores, desde que esses vejam o valor também. Somos uma comunidade que conversa só entre si, que "prega para o já convertido". Eu, particularmente, trabalho em uma corporação que tem uma área inteira dedicada à experiência do usuário e mais um monte de outras áreas inteiras que apresentam alguma resistência ou falta de compreensão do assunto.

Em resumo, o que mais me chamou atenção nesse panorama do mercado é a necessidade que temos de aprender a falar com outras áreas, sair da nossa bolha, além de reclamar delas. Sempre ouvi que nossa profissão é bem interdisciplinar. Tá na hora de exercer mais isso.