O Teu Casamento
Vejo-me no teu casamento.
Tu pediste para ir e eu recusei. Tu insististe e eu disse “não”.
Mas eu apareci na mesma.
Ficas radiante quando me vês, e pouco depois, sem saber como, dou por mim a sós com o noivo.
Eu estou de barba feita, talvez tenha um bigode. Ele é mais baixo que eu, mas muito mais bem parecido. Tem um sorriso que traz o mundo aos seus pés. Não a mim, claro. Não me teria sequer dado ao trabalho de reparar que ele existia se o visse noutro sítio qualquer. O que me faz ver nele um super-homem extraterrestre é saber que dentro de p’raí uma hora vais passar a ter o apelido dele, provavelmente para o resto da vida.
Tão constrangedora que podia ser esta situação. E, no entanto, parece que nem isso está para lá da capacidade do Sr. Perfeito. Um à vontade que provavelmente nem é fingido, segurança total, certeza de que o mundo é dele. Ou vai ser em breve, se a notária conseguir cá chegar.
Vemos-te alegre a falar com os convidados. Ele: “Está linda, não está?” Nenhum de nós tirou os olhos de ti. Dou um gole no whisky. Não me dou ao trabalho de disfarçar nada. “Como sempre.”
Mas é mentira. Nunca estiveste assim. Nunca te vi sorrir tanto. Nunca pensei que pudesses ser feliz e agora acho que nunca vi ninguém tão feliz como tu.
Desejo, inveja, frustração de quem correu esta maratona mais vezes do que sabe contar para chegar onde ele está e acabou sempre de joelhos a poucos metros da meta.
“Que tipo de relação têm vocês?”, olho pela primeira vez a sério para este engenho dos deuses, este trevo de cinco folhas. “Como é que consegues??”
Email me when Work forever in progress publishes stories
