Crônica de um desamor anunciado

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“Eu acho que a gente vai terminar”, disse ele.

A distância de alguns milhares de quilômetros é o suficiente para ele dizer isso. A diferença de 6 horas no fuso horário também.

“Eu te amo”, disse ele.

É o resultado de um relacionamento de alguns meses em toda a sua intensidade e beleza.

O desamor anunciado destrói. Não adianta se preparar, o baque de ouvir a primeira frase é como um avião caindo em cima de você. E a culpa não é de ninguém a não ser da distância; da falta; da ausência.

“Só vou te ver quatro vezes no ano”, disse ele.

A obrigatoriedade de respeitar a decisão do parceiro machuca. Mas você sabe que não depende de você; que o relacionamento é feito de duas pessoas — mas a combinação é tão ideal que parece uma pessoa só feita de duas, como duas gems em Steven Universe.

As três semanas fatais trazem o choro do desespero e da saudade antecipada.

“Não vou sumir”, disse ele.

Mas as coisas não vão ser as mesmas.

Parece injusto encontrar alguém cuja sintonia é como uma orquestra e perdê-la como num estalo de dedos.

As pessoas passam tanto tempo procurando amar e ser amadas. Elas acreditam muito nisso porque a vida já é difícil como ela é. Escolher se desprender desse mantra pra seguir um sonho não é nada fácil. E falar é tão difícil quanto fazer porque as palavras trazem em si uma facada.

“A gente já sabia que ia ser assim”, disse ele.

Mas ninguém nunca disse que seria tão difícil. Que ia ser dilacerante o momento em que o avião decola. Que acordar fora do país é acordar sozinha sem você ao lado. Que te amar a quilômetros de distância seria uma tarefa tão difícil quanto correr uma maratona. Que ouvir outra língua significa não sentir mais a sua.

E que falar com você é como sentir o cheiro de um bolo quente que acabou de sair do forno, mas sem poder pegar um pedaço.

Arte por: Eduardo Moric

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