Computador: apocalipse

Depois de perder meu HD interno, uma série de desventuras cataclísmicas vieram me atormentar. O texto fala sobre como coisas bobas fodem minha cabeça.

Tudo começou com a bendita ideia de instalar o Linux numa partição extra pra experimentar a distro maneirinha. Deu errado, não sei por que. Pode ter sido problema com particionamento. Tentei reinstalar o Windows por cima. Aí meu HD morreu. Não consigo acessa-lo de nenhuma maneira — já passou pela mão de 2 técnicos.

Então instalei o Windows 7. Mas era 32 bit. Aí coloquei o de 64 bit. Mas vi que apenas o sistema tava ocupando 50gb do meu HD antigo que voltei a usar — que possui a metade da capacidade do HD que perdi.

Com 500gb disponíveis, reinstalei o Windows 10, e comecei a ter problemas com o Telegram Desktop. O Telegram Desktop tá simplesmente uma merda. Não carrega GIFs, não obedece o comando de sair do app (o app fecha, mas fica aberto no Gerenciador de Tarefas).

Já tentei de tudo, conversei com pessoas que estão tendo problemas com o Telegram, mas cada um tem um problema diferente. Fui pesquisar outros serviços de mensagens. Todos são patéticos, chega a ser bizarro a distância entre o Telegram e qualquer outro messenger.

E agora? Me tornei dependente de um aplicativo de mensagens. Tô formatando e desformatando meu computador pra resolver um problema com um programa de mensagens que não está funcionando bem.

Tô me estressando, oscilando o humor frequentemente. Sim, isso aí que você tá pensando, eu também tô: eu não estou bem da cabecinha. Tem algo errado. Não era pra eu estar tão afetado.

Se fosse uma coisa ou outra, ok. Mas são sequências de coisas acontecendo e me enfiando neste maldito pinel. Quanto mais eu me esforço pra consertar as coisas e não consigo, mais próximo eu fico da questão do desapego.

Aconteceu isso quando perdi o HD. Perdi muita coisa, mas pensei: foda-se. Sei que pela vida à frente, vou perder coisas muito mais importantes que simples arquivos ou registros fotográficos do Rock in Rio, ou o show do meu artista favorito em qualidade impecável, que eu demorei pra achar, e não encontro mais em lugar nenhum.

Olha. Eu tô tentando. Desde sempre, desde que eu decidi ser uma pessoa melhor, eu venho tentando. Mas parece que quanto mais eu me dedico pra melhorar um pouquinho a pessoa que eu sou, mais é ampliada a escala de percepção da desgraça alheia.

Empatia demais, pensamento demais, vazio interno demais, muito tempo sobrando, vocês sabem… Até os ‘excessos saudáveis’ são fatais. Eu não posso tomar tanto a dor compartilhada a ponto de perder noites de sono pensando em como eu posso consertar algo, que simplesmente não cabe a mim consertar.

Eu só queria que as coisas funcionassem. Quando as coisas não funcionam, eu fico inquieto. Reclamo a responsabilidade pelas coisas ao meu redor não funcionarem. Ou é isso, ou é o desapego, que eu acho horrível.

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