O que fazer com a culpa?

Um dos maiores prazeres do ser humano é colocar a culpa em alguém, ou em si mesmo. Vamos tentar estender esse assunto?

Não escrevi este texto pra trazer uma solução de como lidar com nossa culpa, ou com os pesos de nossa consciência. A reflexão é pra ajudar a expor a naturalidade da situação.

Você se culpa mais ou culpa mais os outros? É uma relação muito complicada, baseada em circunstâncias.

Quando passo por momentos ruins, ou quando minha vida está estacionada numa fase ruim, sempre pergunto: isso é culpa de alguém, é culpa minha, ou as coisas simplesmente acontecem naturalmente?

Uma cabeça vazia permite-se à longas viagens de reflexão sobre tudo. Pensei sobre minha vida, sobre eu achar tudo injusto, até eu parar pra pensar se tudo não foi causado por mim mesmo.

Então, tento me consolar: “não é bem assim”. E localizo os “agentes da desgraça”, que seriam coisas, acontecimentos e decisões que me trouxeram para onde estou hoje.

E isso é certo? Afinal, “localizar os agentes da desgraça” não seria fazer um “mapa de culpados”?

Pra tentar me livrar dessa obsessão por procurar a raiz do problema, eu pensei: talvez eu consiga colocar na minha cabeça que nada é culpa das pessoas?

Mas não é tão fácil quanto parece. Horas de meditação e reflexão podem esconder um sentimento, mas não por muito tempo. Ainda mais o sentimento de culpa, que não possui medida paliativa — só se resolve de maneira concreta, clara. Qualquer rastro pode se tornar novamente um monstro/fantasma que voltará a nos perseguir (não estou especulando, isso acontece comigo, de fato).

Estar culpado me deixa deprimido por ser incapaz de inventar uma pessoa melhor para ser, e culpar os outros me deixa impotente pra encarar a vida, que todos sabemos que não é justa.

Então o que a gente faz? Reza? Deixa pra lá, varre pra baixo do tapete? E se o erro for a própria reflexão profunda sobre esse sentimento?

(ainda não terminei de escrever)