Thor: Ragnarok

Finalmente fui assistir ao tão comentado Thor: Ragnarok. Predisposto a narrar a grande catástrofe apocalíptica da Guerra dos Deuses, o filme pegou um pouco mais leve — na verdade, pegou leve até demais.

Com o elenco mega reduzido quase a apenas secundários, o único Vingador que aparece no filme é Hulk, com uma contribuição mínima da Viúva Negra e do Doutor Estranho. Como todos sabem, Thor foi elogiado por ser um filme leve, divertido (muito) e com uma orquestra visual perfeita.

E é tudo verdade, os efeitos visuais de Thor não deixaram a desejar — é mágico como a Disney. Eu esperava, para o tema do filme (Ragnarok), um elenco mais estendido, e uma abordagem menos infantil. Mas dada a demanda costumeira da Marvel, isso não foi uma característica negativa do filme.

Eu, como gosto dos dramas sombrios da DC, sempre fico com uma sensação estranha ao assistir um filme sobre guerra dos deuses e apocalipse, que apresenta a ideia com tanto humor e cores vibrantes. Fora essa observação, uma coisa que muito me chamou atenção foi a trilha sonora.

O estúdio pareceu estar muito antenado sobre a sensação maravilhosa causada pela abordagem oitentista de “Stranger Things”, e resolveu aplicar a mesma fórmula sonora em algumas cenas de Thor, e também na identidade visual dos créditos ao final do filme. Ficou bonito, empolgante.

É um filme que dá pra ver mais de uma vez. O filme teve começo, meio e fim, sem pontas soltas. Com a única ressalva de que a narrativa central ficou flutuante: não parecia que estava acontecendo uma guerra entre deuses. Tudo foi apresentado de maneira muito simplista — vilões normais. Algo muito rico que poderia ser explorado mais, é a outra história de Asgard, que envolve as Valquírias. Essa história é resgatada por Hela (a vilã, deusa da morte, irmã mais velha de Thor) em certo momento do filme, em flashbacks de câmera lenta.

É certo que a realidade de Thor em Asgard representa os deuses como pessoas normais (tanto no filme quanto nos contos nórdicos), mas faltou algo na narrativa. Apenas na narrativa, pois o filme está mais do que completo no que se diz respeito ao seu papel no cinema e no Universo Marvel.