O preço da estratégia Stratton Oakmont

Entenda os benefícios da honestidade em gestão de marca.

O Lobo de Wall Street é um filme baseado nas memórias de Jordan Belfort, um corretor de ações bilionário que praticou inúmeras fraudes para atingir o sucesso da sua empresa, Stratton Oakmont. Entretanto, o assunto que quero colocar em pauta é a percepção da estratégia adotada por Belfort quando percebeu um oceano azul. Resumo rápido: vendo a possibilidade de construir uma empresa que pudesse atuar visando um público-alvo de alto poder aquisitivo, Jordan resolve treinar uma equipe de pessoas, que julgou, capazes de vender, acima de tudo.

A grande sacada de Jordan era oferecer produtos não vantajosos a partir de um discurso autoconfiante e altamente persuasivo. A questão é que não dá para fingir autoconfiança. Ou você é, ou você não é — e aí tem de se tornar. Para garantir esse fator, além de ensinar seus subordinados, Jordan cria uma atmosfera empresarial inspiradora, que simula uma organização estabelecida e digna de respeito.


Então, basicamente, para que a minha empresa e marca sejam reconhecidas como uma grande corporação, basta eu fazê-la parecer como tal?

Bom, você pode, sim, se fazer parecer maior do que é, mais organizado, mais imponente, mais qualificado e até mesmo mais rentável, mas precisa saber: será cobrado à frente. Na verdade, esse texto nada tem a ver com o Lobo de Wall Street, Jordan Belfort ou a Stratton Oakmont. A intenção aqui é falar sobre marca e branding.

“A marca não é nossa (agência), nem do cliente, mas sim a percepção que o cliente do cliente e os demais têm sobre ela” 
(Victor Schmitt, todos os dias)

Branding, na minha definição, é a gestão que tentamos fazer sobre uma marca e os seus pontos de contato. Honestamente, temos a certeza de que nunca conseguiremos geri-la como um todo, mas é nosso trabalho tentar. Olhando por esse viés, o papel de uma agência de branding em relação ao cliente é de, além de comunicar, gerir seus pontos de contato, certo? Certo. O que acontece algumas vezes é que, na excitação de ver o negócio na rua, você acaba colocando a carroça à frente dos bois.

Uma marca deve ser gerida de dentro pra fora. Já falamos em outro post sobre a importância do posicionamento e já tecemos alguns comentários a respeito de gestão de marca nos dias de hoje. Há quem discorde (e diga que o marketing cria a necessidade), mas acredito que, se existe um produto/serviço, é porque existe uma necessidade. E, se esses dois pontos não estão se conectando, é porque existe um ruído. Nosso papel enquanto agência e comunicólogos, é elimina-lo — ou diminui-lo o quanto formos capazes. Esse é o nosso dever genuíno.

Portanto, não importa o quanto você queira dizer para o mundo inteiro que o seu negócio é organizado, quando ele não é. Você vai encontrar pessoas procurando por organização? Sim. Essas pessoas vão encontrar organização em você? Não. E, ainda remontando à gestão de marca no séc. XXI, devem existir um zilhão de soluções que competem com a sua e, assim como você aposta no seu negócio, se alguém apostou suas fichas de que encontraria o que precisava na sua empresa e tiver uma experiência ruim, provavelmente vai procurar uma dessas milhões de outras opções.

Enfim, tenha a sua marca como um reflexo das suas crenças e propósitos e tenha a relação com o seu cliente como um relacionamento interpessoal, baseado em confiança, honestidade e respeito. Não prometa algo que você não pode cumprir. Se você não está 100% organizado, ok, quem sabe organização ainda não seja o seu forte: trabalhe nisso. Mas se, ainda sem a organização necessária, você vai fazer de tudo para que o seu cliente tenha a melhor experiência possível, foque nesse atributo. Seja sincero, prometa o que pode cumprir e repense os pontos em que “está devendo”. Um cliente novo é ótimo, mas cultivar o relacionamento com ele é o que garantirá a longevidade da sua organização.