Nos escombros da maior luta do século

Em 30 de outubro de 1974, no Congo, Muhammad Ali e George Foreman protagonizaram o maior confronto do mais nobre dos esportes de combate. Quatro décadas depois, em meio a uma brutal guerra civil, GQ visita o palco daquele espetacular momento.

Texto e fotos de Yan Boechat, de Kinshasa

Publicado originalmente em GQ Brasil em novembro de 2014

N a velha Mercedes que nos leva do centro de Kinshasa ao estádio Tata Raphael, Habibou Bangré, uma jornalista francesa nascida em Burkina Faso, repete a cada cinco minutos: “Bem, eu já lhe expliquei, queria apenas reforçar que é bastante provável que eles tentem tirar algum dinheiro de você, mas vou tentar evitar isso”. Habibou faz bicos de intérprete para aos parcos jornalistas estrangeiros que decidem ir à República Democrática do Congo em busca de histórias. Estava preocupada que eu achasse que ela fazia parte de algum esquema para me extorquir. Enquanto o carro cruza linhas de trens inoperantes, imensas favelas feitas de casas de barro e áreas abertas repletas de pessoas sem ter muito que fazer, Habibou repetia seu outro mantra: “Por favor, só faça fotos de pessoas que eu pedir autorização antes, podemos ter problemas”.

Antes da visita, uma pequena parada para negociar as “taxas” de apoio e conservação do Tata Raphael

De longe, a impressão que se tem é de que o Tata Raphael é uma construção em ruínas, uma vaga lembrança de quando a República Democrática do Congo se chamava Zaire. Como boa parte dos antigos edifícios de Kinshasa, a capital deste que é o país com o pior IDH do planeta, o Tata Raphael tem um ar de decrepitude, como se o tempo tivesse passado mais rápido por ali do que em outros lugares. Em volta do velho estádio, campos de futebol reúnem os típicos jogadores africanos: muita força, alguma técnica, nenhuma tática. A lama toma conta das ruelas que circundam o velho Tata e sob a sombra das mangueiras, cabeleireiros expõem os modelos de corte em fotos pregadas em placas de isopor branca, amarradas no tronco das árvores.

Junto ao portão do estádio, dezenas de homens vestindo luvas de boxe simulam uma luta imaginária. Alguns usam apenas faixas nas mãos, outros têm, até, as sapatilhas típicas dos boxeurs. Em meio ao lixo, a lama e os restos do que foi um dos maiores palcos esportivos do Congo, eles são a última lembrança da histórica noite em que Muhammad Ali derrotou George Foreman no coração da África e reconquistou o título de Campeão do Mundo. Parecem acreditar que por estarem perto de onde ocorreu aquela que é considerada a maior e mais espetacular luta de boxe de todos os tempos terão acesso a alguma energia especial que ficou armazenada em uma noite úmida e quente de 40 anos atrás. “Eu estava aqui, eu vi e aquela noite mudou minha vida. Desde então a única coisa que faço é tentar ser como Muhammad Ali. Ele é o meu modelo de vida”, conta Maboma Del Pierre, um dos boxeadores que todas as manhãs vão para frente do estádio se exercitar. Assim como ele, que garante ter sido um dos maiores boxeaurs do Congo no fim dos anos 80, qualquer um com mais de 40 anos que circula pelo Tata Raphael garante ter estado nas arquibancadas nas primeiras horas do dia 30 de outubro de 1974.

Diariamente boxeadores amadores vão para a frente do Tata Raphael treinar

Ali e Foreman subiram no ringue montado no centro do gramado deste estádio construído em 1952 pela iniciativa de um padre belga para disputar o título de campeão mundial dos pesos pesados. Foi uma batalha épica não só pelo o que aconteceu naquela madrugada. Tudo que envolveu este evento histórico teve um ar de grandiosidade, de dramático, de absurdo. A começar pela localização da luta, um país no coração da África controlado de forma impiedosa por um típico ditador sanguinário colocado no poder com a ajuda da CIA e apoiado de forma incondicional pelo governo americano.

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Em 1974 o Congo não se chamava Congo. Por decisão única e exclusiva do presidente Mobuto Sese Seko, o país criado na segunda metade do século 18 como uma colônia pessoal do rei belga Leopoldo II, passou a se chamar Zaire. Mobuto chegara ao poder em 1965, após uma série de golpes e contragolpes de estado, sempre com o apoio dos Estados Unidos, que o viam como um instrumento importante no combate às ameaças comunistas na região, e pelo governo belga, que mantinha interesses econômicos na exploração mineral do país. Mobuto chegou a combater o líder revolucionário argentino Che Guevara, que se embrenhara nas selvas congolesas em 1965 na tentativa de depor o ditador e ajudar guerrilheiros do país a instalar um governo comunista. Em 74, após ter eliminado todos os inimigos e ter sido reeleito presidente poucos anos antes, Mobuto comandava o Zaire em relativa estabilidade. E queria mostrar isso para o mundo.

Do outro lado do Atlântico, um ex-presidiário que havia deixado a prisão poucos anos antes tentava iniciar a carreira como um promotor de boxe. Com 43 anos, Don King havia passado boa parte da vida trabalhando como um agenciador ilegal de apostas. Fora preso duas vezes por assassinato e deixara a prisão em 1970 decidido a usar suas conexões no mundo do boxe para se tornar um promotor de sucesso. King estreitou os laços com Ali em 1972, quando o convenceu a participar de uma luta beneficente para um hospital de sua cidade natal, Cleveland.

Assim como Don King, Ali também estava reconstruindo sua carreira no início dos anos 70. Nascido como Classius Clay, ele se tornou um fenômeno do mundo do boxe ao se tornar campeão mundial dos pesos pesados quando derrotou Sonny Liston em uma luta arrasadora em 1964, quando tinha apenas 22 anos. Ali, ao contrário de boa parte dos lutadores de sua geração, engajou-se politicamente no movimento negro americano e converteu-se a uma seita baseada no islamismo chamada Nação do Islã,

quando adotou o nome que carrega até hoje. Sincrética e com fortes doses racistas, a Nação do Islã pregava a supremacia negra, o antissemitismos e teorias exóticas, como aquela em que a pregava que a lua era um pedaço desgarrado da terra. Prometendo lutar pela melhoria de vida social e econômica dos negros americanos, conseguiu atrair uma série de personalidades como o próprio Ali, Malcolm X e, mais recentemente, o rapper Snoop Dog. Os três abandonariam a seita anos após a conversão.

Com base nos preceitos da Nação do Islã, Ali se recusou a ir para a Guerra do Vietnã, em 1967. Naquela época os Estados Unidos não tinham um exército profissional como hoje e qualquer cidadão poderia ser convocado. Ali se recusou e, de formam bem humorada, explicou sua decisão: “Eu não tenho problema algum com qualquer vietcong, nunca vi um deles me chamar de ‘negão’”. Como resultado, perdeu a licença para lutar por quase quatro anos e foi ameaçado de ir para a prisão. Ali voltou a ter o direito de lutar no fim de 1970 e, no ano seguinte, sofreu uma dura derrota para Joe Frazer ao tentar retomar o título de campeão dos pesos pesados. Ali passou três anos fazendo lutas menores até ter a chance de tentar, novamente reconquistar o cinturão. Enfrentar Foreman em 1974, que havia derrotado Frazer de forma humilhante anos antes, era tudo ou nada para Ali. Era a luta que definiria não só o seu futuro como boxeador, mas, principalmente, que papel ele teria na história do boxe.

Entrar no Tata Raphael é como se embrenhar em um labirinto de pequenas salas escuras e úmidas, corredores abarrotados de todo tipo de entulhos e esbarrar em todo o tipo de gente. A impressão que se tem ali é de que o subsolo do estádio é uma pequena cidade habitada por funcionários públicos e suas famílias. Sob o gramado, há uma igreja católica, bares improvisados, áreas destinadas às mulheres especializadas em fazer bruxarias para os times de futebol que se enfrentam semanalmente no Tata e, até, uma espécie de ambulatório improvisado de atendimento básico de saúde. Há, também, uma infinidade de salas ocupadas por dezenas de pessoas que parecem fazer nada ou muito pouco. São mobiliadas com mesas de madeira carcomidas pelo tempo e máquinas de escrever. Vez ou outra é possível avistar um computador antigo. “Aqui também funciona uma parte do ministério do esporte”, explica Abdelaziz Saliboko, uma espécie de faz tudo do estádio, enquanto nos guia por este Dédalo congolês até a sala do “chief” do Tata Raphael. Sem a benção dele, nada de fotos, nada de entrevista.

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Em um país com a economia destruída por duas décadas de guerra, pobreza extrema e expectativa de vida que mal chega aos 50 anos de idade, o serviço público é uma das poucas fontes de emprego no Congo. Como o Estado muitas vezes não tem dinheiro para pagar os salários, congoleses em qualquer posição de poder — guardas de rua, fiscais de trânsito, chefes de repartição — usam de seus cargos para conseguir alguma renda. Quando entramos na sala decorada com móveis escuros e um sofá que parecia já ter servido como banco em algum ônibus de tempos distantes, Habibou me olhou como se quisesse dizer: “É agora, prepare-se”.

Apertos de mãos calorosos, água gelada sobre a mesa e uma oferta de café depois, Patrice nos informa que qualquer foto, filmagem, entrevista ou visita ao Tata Raphael, infelizmente, tinha uma taxa a ser cobrada. Para jornalistas estrangeiros ela sofria um pequeno acréscimo, mas nada exagerado: “São apenas US$ 400”. Cheguei a engasgar, enquanto Habibou iniciava um longo discurso em Lingala e conseguia reduzir o preço para US$ 200. A batalha ainda estava em seus estágios iniciais, pensei, e decidi ser ousado, me recordando dos dados do Banco Mundial que mostram que mais de 70% da população congolesa vivem com menos de US$ 2 ao dia. Após uma cantilena triste sobre as diferenças entre o Brasil e os países ricos do mundo, ofereci US$ 100, mas com uma condição: eu queria um recibo. Ingenuamente imaginei que aqueles funcionários públicos teriam medo de me dar um comprovante da propina. Ledo engano. Mal Habibou terminou de traduzir, Patrice sacou um bloco de notas. Preencheu rapidamente, assinou, carimbou e pediu para Abdelaziz buscar as outras três assinaturas de outros diretores do estádio e mais um carimbo necessário para que o recibo tivesse validade.

No início de 1974, Don King não tinha muito dinheiro. Mas tinha contatos, alguma influência e uma capacidade de convencimento rara. A luta entre George Foreman, o campeão mundial invicto, e Muhammad Ali, que buscava reconquistar o título com uma obsessão quase cega, era inevitável e King queria promovê-la. Para tanto, prometeu a cada um deles US$ 5 milhões — algo como US$ 25 milhões em preços atuais -, mesmo não tendo nem 1% deste valor. Com a assinatura de Ali e Foreman, saiu em busca de patrocínio. Encontrou Mobutu. O ditador estava disposto a investir uma pequena fortuna para levar a até então luta do século para o seu Zaire.

A data do combate foi marcada para o dia 25 de setembro, no Tata Raphael. Antes, um festival de música com James Brown, B.B. King, The Spinners, The Crusaders e outros astros da soul music celebraria a cultura negra em sua terra natal, a África, ao longo de três noites. De repente, astros mundiais do esporte, da música, jornalistas, equipes de tevê, enfim, o circo completo do show business desembarcava em uma Kinshasa pobre, violenta e agora, pela primeira vez, orgulhosa de seu destino. Diz a lenda — jamais confirmada — que Mobutu, preocupado com a segurança de tantos estrangeiros, ordenou que suas forças prendessem mil homens suspeitos de cometer crimes na capital. Juntou todos no Tata Raphael e ordenou que 100 deles fossem mortos aleatoriamente, diante de todos. Não houve incidentes de segurança durante todo o período.

Muhammad Ali foi o primeiro a desembarcar no Aeroporto de N`djili. Chegou como um astro mundial. Já na pista uma multidão aguardava o homem que dizia lutar pelos negros, pelos pobres, que se recusava a guerrear contra um país de terceiro mundo. Durante as semanas em que se preparou para o combate em Kinshasa, Ali manteve contato estreito com a população. “Vou dar uma surra nele aqui, na terra do negro, na nossa casa, porque aqui é também o meu país”, dizia, em todas as entrevistas, um pouco antes de imitar uma múmia, apelido que havia dado a Foreman. A população de Kinshasa respondia gritando “Ali, Bomaye!, Ali Bomaye”, a expressão em Lingala para “Ali, mate-o”

Apesar da fanfarronice típica e de todo apoio popular, pouca gente no mundo do boxe acreditava que Ali pudesse ser capaz de derrotar Foreman, então um jovem boxeador que tinha como principal característica a força física, um soco destruidor e uma incrível capacidade de se movimentar no ringue. No ano anterior, George Foreman massacrou o então invicto campeão mundial, Joe Frazer, e, no início de 1974, precisou de apenas dois rounds para nocautear Ken Norton, o responsável pela façanha de quebrar a mandíbula de Ali em 1973. Além disso, Foreman contava com apenas 25 anos, contra os 32 de Muhammad Ali.

Tudo corria segundo o script de Don King no final de setembro quando um acidente fez com que tudo precisasse mudar. Durante um treino, Foreman abriu o supercílio esquerdo e se recusou a lutar até que o corte estivesse completamente cicatrizado. Foram mais seis semanas no calor sufocante de Kinshasa. Ali treinava a maior parte do tempo recebendo pesados golpes de seus sparrings, enquanto Foreman socava um pesado saco de areia com tanta força que, ao final da sessão, o equipamento estava envergado, como se fosse feito de um material flexível.

“Ali sabia que Foreman era mais, forte, mais preparado e melhor que ele”, relembra no documentário Quando Éramos Reis o escritor e jornalista americano Norman Mailer, autor do livro A Luta, na qual descreve aqueles dias de 1974. “Ele falava que ia dar uma surra em Foreman, mas, como todos nós, ele tinha consciência de que aquela seria uma tarefa muito, muito difícil”.

Às quatro horas da manhã de uma típica madrugada úmida do final de outubro em Kinshasa, Muhammad Ali saiu de seu vestiário e se dirigiu ao ringue montado no meio do gramado. Cerca de 100 mil congoleses espremidos em todos os cantos possíveis do Tata Raphael gritavam em êxtase: “Ali, Bomaye! Ali, Bomaye!”. Mas não demorou muito para que seus apoiadores se calassem. Já no primeiro assalto Foreman mostrou força, encurralou Ali nas cordas e passou a golpeá-lo sem misericórdia. Foi assim pelos cinco rounds seguidos. Muhammad Ali, o eterno campeão, o maior boxeador de todos os tempos, estava ali, nas cordas, sendo castigado por um lutador mais forte, mais jovem e, aparentemente, mais determinado. Foram poucas as tentativas de contra-atacar. Para quem assistia a luta, era questão de tempo até que Foreman acertasse um soco certeiro, como aquele que um ano antes levantara Joe Frazer do chão antes de nocauteá-lo. A cada novo golpe, a cada fim de assalto, Ali chegava próximo ao ouvido dele e gritava para que todos na plateia pudessem ouvir frases como “Vamos lá George, me disseram que você tem a mão pesada, isso é tudo que você tem?”

Foi no quinto round que Foreman começou a demonstrar cansaço. De repente, Muhammad Ali saiu das cordas e, pela primeira vez em toda a luta, passou a atacar. Era como se por todo o tempo ele estivesse ali, aguardando as forças do jovem lutador se esvaírem. A estratégia ficou conhecida como “rope-a-dope”, algo como dopado nas cordas, e consistia em usar a elasticidade das cordas do ringue para absorver os impactos de Foreman.

No oitavo assalto, Foreman estava exausto. Ainda tentava atacar, mas seus golpes atingiam o ar ou as luvas de Ali. Faltando 12 segundos para o final Muhammad Ali iniciou uma sucessão de socos. O último deles acertou em cheio o queixo de George Foreman. O lutador ainda tentou se agarrar a Ali, mas não havia mais o que fazer. Desabou sobre o tablado para só se levantar anos depois, acometido por uma profunda depressão que quase lhe custou a carreira e a vida. Muhammad Ali era novamente, após 10 anos, campeão mundial de pesos pesados e o vencedor da mais espetacular luta de boxe já realizada na história.

Norman Mailer se lembra de não acreditar no que via e definiu aquele como o mais fantástico momento que havia presenciado em sua vida. “Antes da luta fui até o vestiário e presenciei uma cena de luto, como se estivesse em um funeral. Ali se aquecia e todos a sua volta tinham uma expressão de tristeza, de dor. Era como a última ceia. Foi então que ele começou a perguntar um a um: ‘por que estão tristes? Ninguém aqui pode ficar triste, nós vamos dançar hoje, nós vamos dançar’. Ao final, naquele amplo vestiário, estavam todos gritando com ele e chorando. E eu me dei conta da força que havia nele”.

Ao menos uma vez por mês Abdelaziz abre o vestiário que recebeu Muhammad Ali 40 anos atrás a alguns dos boxeadores que passam o começo das manhãs treinando em frente ao Tata Raphael. “Eu estava aqui naquela noite, meu pai era um coronel de Mobutu e ele me levou para a tribuna de honra, eu sei o significado que Ali tem para esses rapazes”, diz ele, em francês, a língua herdada dos belgas. Maboma Del Pierre e seu grupo são frequentadores assíduos. Sempre que podem, correm para o vestiário, hoje pintado de verde e amarelo, as antigas cores do Zaire. O local, como o resto do Tata Raphael, já viu dias melhores. Vazamentos mancham as paredes e criam grandes poças de água no chão. Há uma mistura de cheiro de mofo, fezes e urina que parece vir da parte de fora, tomada pelo mato e usada como banheiro pela diversificada população que circula pelos arredores do estádio. Mas, não sem razão, ainda guarda a mística daquela noite. “Nós entramos aqui e nós sentimos a força de Ali, treinamos mais forte, treinamos melhor”, diz Mabona. “Tudo que eu queria é que ele voltasse aqui um dia, viesse apenas para ver o estádio, relembrar a história, mas acho que isso nunca vai acontecer”.

Yan Boechat

Yan Boechat é jornalista profissional há quase 20 anos. Trabalhou e colabora para diferentes jornais, revistas e sites da grande imprensa brasileira. É também fotógrafo e atua na cobertura de conflitos em diferentes países do mundo.

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