on the radar: dez bandas que você precisa conhecer

Quase encerrando o ano com mais uma lista de artistas pra conhecer e se apaixonar

André Salles
You! Me! Dancing!

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Tainted Youth

parece: The Go! Team, Sonic Youth e !!!

A americana Kathleen Down e o escocês Ryan Hall juntam suas forças para se torar a dupla Tainted Youth, atualmente baseada em Londres. Seu som é um synth pop que mistura guitarras distorcidas, batidas ferozes e vocais matadores em suas músicas. Fazendo um misto de The Go! Team com Sonic Youth e The Streets, o Tainted Youth soa realmente único e efervesce com potencial. Contando com quatro excelentes singles em sua discografia até o momento, a mais recente adição é “The Prey” que foi lançada no fim do mês passado. Inspirada tanto por Senhor das Moscas quanto Meninas Malvadas, “The Prey” é um eletro-pop distópico; segundo a própria banda. Sua melhor e mais interessante música até o momento, aqui a dupla não tem medo de soar absolutamente caótica adicionando elementos novos a cada batida. Mas tudo funciona, e nos deixa querendo ouvir mais deles.

Hope Whitelock

parece: Snail Mail, Soccer Mommy e Clairo

“kafkaesque”, o mais novo single da americana Hope Whitelock, mostra que a jovem cantora está definitivamente no caminho certo. Seguindo sua ótima estreia com “Stoned”, dessa vez Hope canta sobre uma jornada de auto-conhecimento. E sobre perceber que você mesmo não é a melhor pessoa, e não quer fazer nada para mudar isso. Entre versos como ‘what if I don’t like myself?’ e ‘I’m a bad person and I’m not trying to fix it’, Hope mostra uma perspectiva bastante brutal, honesta e única em seu indie pop. Com uma produção linda que lembra os momentos mais suaves do Valentine (Snail Mail) e do Immunity (Clairo), Hope Whitelock se coloca em um patamar bastante interessante liricamente. E essa é apenas sua segunda música até o momento, eu fico no aguardo pra ouvir o que mais essa moça vai fazer daqui pra frente.

Nicholas Rowe

parece: Christian Lee Hudson, Conor Oberst e Wilco

O americano Nicholas Rowe lança agora seu segundo álbum, The Circle Remains Unbroken, e excede as expectativas. Ao longo de sua curta porém cada vez mais promissora carreira, o moço já acumulou comparações a nomes como Jeff Tweedy e Jason Isbell. “I Wish That I Could Sing It for You”, o primeiro single do álbum, mostra um Nicholas Rowe muito mais maduro e uma produção mais completa e complexa do que já ouvimos antes em seu trabalho anterior. Um destaque absoluto do disco é a delicada “Sweet Rosalina”, que mostra Rowe como um excelente contador de histórias. Seu segundo disco veio pra cimentar de vez seu nome como um dos mais interessantes do indie folk atual, e um cantor para se observar de perto nos próximos anos.

Kaleigh

parece: Willow, Evanescence e Avril Lavigne

Kaleigh é uma artista múltipla que começou sua carreira no entretenimento com apenas 13 anos; quando escreveu e lançou seu primeiro EP de forma independente. Com o passar dos anos, sua música evoluiu e a americana abraçou o hard rock alternativo como pilar principal de suas composições. Bastante influenciada por artistas como Amy Lee e Avril Lavigne, Kaleigh consegue fazer um indie rock com lindos toques de metal e vocais que parecem sobrevoar calmamente o caos. “Situationship”, sua mais recente canção após seu ótimo álbum Predestined ano passado, fala sobre o estar em uma relação não-definida com alguém; em que existe algo além de uma amizade mas não é um relacionamento oficial. Absurdamente universal e complexo, Kaleigh traduz em palavras sentimentos conflitantes e difíceis de serem explicados. Soando ao mesmo tempo vulnerável e combativa, Kaleigh se mostra uma talentosíssima liricista e com uma entrega sem igual.

Eugenia Post Meridiem

parece: Slow Club, SZA e Nilüfer Yanya

Com influências vindas desde o jazz e indie rock psicodélico até Elis Regina e Novos Baianos, Eugenia Post Meridiem retorna com seu segundo álbum like I need a tension. O quarteto italiano encabeçado por Eugenia já se mostrou extremamente versátil e interessante em suas composições no passado, e agora chegam pra tomar seu lugar de respeito dentro da música indie. “around my neck” foi o segundo single do álbum, e um de seus maiores destaques. Com vocais que ecoam desde Phoebe Bridgers até Rebecca Lucy Taylor, like I need a tension mostra a banda em seu ápice; esbanjando versatilidade e química únicas. A construção de suas melodias é a mais complexa já apresentada pelo quarteto, com percussões de jazz e um belissimo indie pop por cima. Com certeza é um álbum que merece atenção.

Thy Veils

parece: Portishead, New Order e Saint Etienne

Diretamente da Romênia, o Thy Veils já conta com uma vasta carreira — seu primeiro álbum é de 1998. Ganhando cada vez mais espaço na cena musical fora de seu país natal graças à sua inventividade e originalidade dentro do ambient/synthpop, a banda lança agora “Influx”. Trata-se de um single pertencente ao seu próximo álbum, Next Forever, e conta com baixos e sintetizadores fortes que circundam os vocais de Maria Hojda lindamente. É uma música absolutamente marcante e futurista, que parece voar ao mesmo tempo em que está firme no chão. Mais uma prova de que o Thy Veils segue sendo uma das mais prolíficas e inovadoras bandas da Europa e merece um destaque e reconhecimento no restante do mundo.

OneNamedPeter

parece: Eels, David Bowie e Conor Oberst

Pan é o título do sexto álbum do cantor e compositor britânico OneNamedPeter, e também o sexto álbum inteiramente produzido e escrito pelo próprio de forma independente. Peter cita Kate Bush, David Bowie e Frank Ocean como algumas de suas influências, e faz um indie rock que vai do suave ao distorcido em segundos. “Heart of Stone” abre seu novo trabalho de uma forma bastante delicada, com sintetizadores e cordas que parecem sobrevoar uma bateria eletrônica enquanto Peter canta sobre um amor difícil. É uma canção belissima, e uma ótima prévia do que encontramos ao longo de Pan. Recheado de pianos, baladas, guitarras e toques eletrônicos. OneNamedPeter fez seu melhor para evitar clichês nas letras e produção, e o resultado é seu disco mais acessível até o momento.

Plant Dad

parece: Clairo, Phoenix e Craft Spells

Plant Dad é o projeto solo de Ralph Bernabe, que já conta com sete singles lançados desde o ano passado. “favorite boy”, seu mais recente, conta com algumas mudanças em estilo e produção — dessa vez temos uma pegada mais disco, com percussões dançantes e até um pouco de metais aqui e ali. Trazendo como base um indie pop impecável, cheio de personalidade com sua atmosfera etérea e sabendo moldar isso a fim de mostrar novos elementos que soam diferentes mas ainda com sua própria assinatura. “favorite boy” é uma música completamente memorável, e eu espero que Plant Dad explore mais seu lado quase-disco que funcionou de forma brilhante aqui.

Movment

parece: Preoccupations, shame e Savages

A banda de post-punk irlandesa Movment é uma experiência. Guitarras e linhas de baixo compõem o cerne de sua música, mas é impossível deixar de perceber os eletrônicos que também se fazem presentes. É no meio de uma atmosfera sombria e forte que o quarteto lança seu novo single, “Violence”, pouquíssimo tempo após o seu segundo álbum completo Transformations também nesse ano de 2022. Com uma atitude bastante agressiva e marcante, o som do Movment é intenso do começo ao fim em sua entrega. “Violence”, segundo a banda, é sobre raiva e desordem mental em momentos de pressão — e também sobre encontrar forças pra enfrentar essa situação de frente. O Movment se consolida cada vez mais como um dos nomes mais interessantes do movimento de post-punk britânico que vem tomando força nos últimos anos, escutem esses caras.

The Landed

parece: Phoenix, Bright Eyes e The Police

The Landed é um quarteto de Colechester, no Reino Unido, que já lança ótimos EPs e singles desde 2014. “You’ll Be OK (For Vanessa)”, seu mais recente, traz a banda seguindo seu Friends EP de mais cedo no ano com uma música bastante ensolarada e esperançosa. É difícil não se sentir bem escutando “You’ll Be OK”. Seu novo single mostra a banda explorando uma produção que vai mais pro lado do indie folk, em contraste ao indie rock agitado de Friends; e uma prova de que a banda é extremamente versátil e competente em suas composições. Quase soando como uma mistura equilibrade de Phoenix, Bright Eyes e The Police, o som do The Landed é memorável em sua acessibilidade. 2023 promete muita coisa boa pra esses moços.

Esta matéria foi feita através do Musosoup e o movimento #SustainableCurator. Saiba mais aqui.

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