on the radar: dez bandas que você precisa conhecer

Do emo ao country e post-punk, temos novidades de artistas veteranos e iniciantes pra acompanhar de perto

André Salles
You! Me! Dancing!
6 min readNov 11, 2022

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Nothing But a Nightmare

parece: My Chemical Romance, Fall Out Boy e New Found Glory

The Salvation é o título do terceiro álbum completo do quarteto americano Nothing But a Nightmare, e mais do que nunca eles parecem imbuídos pelo espírito e energias do pop-punk-emo dos anos 2000. Poucas vezes uma banda me lembrou tanto My Chemical Romance quanto eles aqui. Trata-se de um álbum contagiante, dinâmico e energizado do começo ao fim — não existe um único momento filler ou fraco durante suas onze faixas e trinta e um minutos. Eddie Tamanini parece um frontman que cai exatamente na lacuna que existia entre Gerard Way e Patrick Stump, sabendo quando elevar o drama em seus vocais e quando uma abordagem mais sutil é mais apropriada. Nothing But a Nightmare é uma delícia de banda, que soa mais madura a cada novo lançamento e apresenta um potencial gigantesco para surpreender no futuro. Talvez sejam eles quem façam o próximo The Black Parade daqui a alguns anos, quem sabe…

The Margaret Hooligans

parece: The Kills, Blood Red Shoes e L7

The Margaret Hooligans é uma dupla americana formada por Meg Cratty e Mr. Strontium e o som deles é o de uma verdadeira explosão de criatividade. Fazendo um rock bastante cru com lindas influências de RnB, grunge, blues e rock clássico — utilizando um ukulele elétrico e bateria. Turntable Tribulations é seu segundo álbum, e eles estão mais agressivos do que nunca — lembra do primeiro disco do The Kills e músicas como “Fried My Little Brains” e “Black Rooster”? Agora pense nisso elevado à décima potência e temos o som do Margaret Hooligans. Com uma produção caótica e desordenada, no melhor sentido possível, The Margaret Hooligans soa extremamente original ao mesmo tempo em que é possível perceber cada uma de suas influências. Turntable Tribulations é um álbum bom e coeso demais pra ser reduzido a seus singles, e percebemos isso nas músicas inéditas como a ótima “I’ve Got Something to Say” e a épica “Psycho Diapers” que encerra o disco com 11 minutos e é dividida em quatro atos. Apenas escutem o Margaret Hooligans, e me agradeçam depois.

Isaac Neilson

parece: The Stone Roses, Miles Kane e Courteeners

“Tear This Down” é o quarto single do músico inglês Isaac Neilson, seguindo na sua ótima corrente de música boa que começou com “The Fall”. Aqui o jovem compositor expande seu som além do quase-dream pop de lançamentos passados, misturando elementos de britpop com aquele indie rock com cara dos anos 2000. O moço se lançou em carreira solo há pouquissimo tempo — todos os seus singles são desse ano de 2022 — e já mostra uma versatilidade bastante interessante. “Tear This Down” é sua música que soa mais completa até o momento, como algo vindo de alguém com anos de experiência. Seu novo single conta com uma acessibilidade radiofônica deliciosa de se ouvir, Isaac parece ter encontrado seu caminho e sabe muito bem o que quer fazer nele.

Plasma Chasms

parece: Unknown Mortal Orchestra, Dead Kennedys e The Kills

Plasma Chasms é uma dupla formada pelo americano Adrian Guerrero e a australiana Jane Drewett, que lançou agora seu primeiro EP autointitulado. Plasma Chasms conta com quatro faixas e apresenta uma diversidade sonora muito boa. Explorando mais texturas, adicionando elementos de psicodelia e sintetizadores ao seu ótimo indie rock com cara de garagem, a dupla prova que sua excelente estreia com o single “Echoes” em 2020 não foi sorte. “Chasing Ghosts”, o ponto alto do EP, ilustra tudo isso com perfeição em uma faixa extremamente bem produzida e dinâmica do início ao fim. O Plasma Chasms com certeza é uma banda pra se observar bem de perto em 2023.

Rolko

parece: Interpol, Eels e She Wants Revenge

Rolko é a alcunha escolhida por Robert Hernandez para lançar sua música. O compositor e produtor vive em Miami e esse ano mostrou ao mundo seu primeiro álbum completo, Hidden Hotel Rooms, e toda a sua versatilidade. Influencias que vão desde hip-hop e música eletrônica até indie rock e punk, resultando em um som bastante interessante e riquissimo em detalhes. Hidden Hotel Rooms se revela um álbum delicado, que explora todas as possibilidades e nuances do post-punk e sua paixão pela arte — Hernandez diz que suas principais inspirações vem de pintores, diretores e autores e usa isso em sua música. Sua estreia definitivamente é marcante como poucas. Escutem principalmente “49 Directors” e “Emerald Stones” e não irão se arrepender!

Saint Celebrity

parece: Two Door Cinema Club, The Wombats e The Vaccines

Segundo a própria banda, “Over U” é o resultado da colisão de uma balada dos anos 80 com punk rock — e realmente não existe forma melhor de descrever o som do Saint Celebrity. A banda de Bristol, no Reino Unido, mistura essa essência do pop punk emo com ótimos toques de teclados e sintetizadores fazendo um som extremamente divertido. Com um refrão grudento, riffs e ganchos de guitarra matadores e um senso de humor bastante afiado, a banda parece estar em sua melhor fase. Trata-se de seu quarto single, e o terceiro de 2022 — mostrando que a banda está em um momento muito prolífico. “Over U” foi produzida por Matt O’Grady, que já trabalhou com bandas como You Me At Six e Deaf Havana, e traz um som mais grandioso do que qualquer outra coisa já feita por eles. Saint Celebrity promete se destacar ainda mais ano que vem!

Phonix

parece: Director, Built to Spill e Death Cab for Cutie

Phonix é um multi-instrumentista e produtor americano que já lançou dois singles de forma completamente independente. Seu mais novo, “The Little Things”, é na verdade bastante diferente de seu primeiro “I’m the One”. Dessa vez, o som de Phonix soa mais cheio, com direito a orquestrações e sintetizadores que complementam seu indie-rock-com-cara-de-post-punk muito bem. O moço cita desde Joni Mitchell até Radiohead e Nick Cave como influências, e é possível perceber toda essa diversidade emanando de seu som. “The Little Things” traz também um quê de country e indie pop que funcionam muito bem, e nos faz perceber que Phonix está no caminho certo e deve surpreender ainda mais no futuro.

Nick Noon

parece: The Divine Comedy, God Help the Girl e Nick Cave

O americano de Nashville Nick Noon tem uma abordagem bastante distinta e forte de fazer música, justapondo elementos de americana, country, rock alternativo e chamber pop de uma forma muito interessante. “Costumes”, sua mais recente canção, vem seguindo o ótimo single duplo “Don’t Let the Papers Get You Down”/“Dear Delilah” do ano passado e fará parte de seu próximo EP chamado A Jejune Affair. Aqui, Nick mostra tudo o que sabe fazer, entregando uma música extremamente dinâmica e dramática, com cordas e metais em uma produção bastante clara e limpa. Remetendo ao maravilhoso álbum original do God Help the Girl em alguns momentos e explorando nuances de uma forma forte porém delicada, Nick Noon se firma como um nome absolutamente interessante de se acompanhar.

Árstíðir

parece: múm, amiina e Eluvium

O trio islandês Árstíðir já conta com uma carreira com mais de dez anos e seis álbuns completos, ganharam prêmios em seu país nativo e já fizeram turnês tocando pelo mundo todo nesse meio tempo. Seu álbum do ano passado, o excelente Pendúll trouxe um senso de novidade ao seu som, explorando mais um lado indie folk com orquestras e cordas. “Later On”, seu novo single, mostra o Árstíðir apostando novamente em seu lado mais sutil — com uma produção cristalina e impecável. Seu próximo álbum completo se chamará BLIK e tem previsão de lançamento para Março do ano que vem, e com certeza mostrará que a banda segue nesse caminho cada vez mais interessante. Toda a bagagem que a banda acumulou nesses anos de vida se faz presente na confiança que existe em suas composições — quem sabe seja 2023 o ano em que eles explodem na cena internacional, por que ambição e talento já mostraram que tem e de sobra.

Atomic Bronco

parece: Queens of the Stone Age, The Black Keys e St. Vincent

Atomic Bronco é o projeto do americano Kyle Nuss, que faz um som retrô meio rock-de-garagem-dos-anos-50. Já com dois álbuns completos em sua bagagem desde 2020, a banda-de-um-homem-só retorna com “Foolish Games”, seu terceiro single de 2022 e uma excelente continuação da sonoridade trabalhada em Spectrum ano passado. O moço incorpora ao seu indie rock elementos de rock clássico, um leve country e blues resultando em algo acessível ao mesmo tempo em que é cheio de distorções e linhas de baixo marcantes. “Foolish Games” segue com a mesma atmosfera sensual que deu tão certo em “Get You Off My Mind” do começo do ano, e dá uma forte referência do que esperar de seu próximo álbum que promete vir recheado de coisa boa.

Esta matéria foi feita através do Musosoup e o movimento #SustainableCurator. Saiba mais aqui.

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