Vai um tofu aí?

Ser vegetariano hoje em dia não é somente ser cool. Neste universo descolado e um tanto polêmico, conheça sobre a dieta, a filosofia, os benefícios à saúde e os cuidados antes de entrar (realmente) na onda do vegetarianismo

Por Marina Barrios e Tainá Vétere

Por esse e outros motivos, os indivíduos encontraram nessa alimentação uma forma melhor de se alimentar: baseada na exclusão de todos os tipos de carnes, motivações éticas, ambientais e de saúde.

Os animais consumidos em uma dieta tradicional, como vacas, porcos, galinhas e peixes, são seres sencientes, isto é, indivíduos capazes de sofrer e experimentar contentamento e que, portanto, merecem respeito e consideração moral. Conforme essa afirmação, a ética contribui como o principal aspecto relevante dessa adoção e é considerado como o pilar que sustenta o vegetarianismo. Outras motivações como saúde, meio ambiente e outros fatores, seguem em menores proporções.

A opção pela dieta vegetariana pode ser motivada por vários fatores — desde clínicos até filosóficos (Foto: Marina Barrios e Tainá Vétere)

Vegetarianismo e filosofia de vida

Para a estudante Rachel Trovarell, adepta do vegetarianismo há cinco anos, destaca as questões de saúde, bem estar do corpo e bem estar animal, como pontos importantes para determinação de não comer carne. “Eu assisti um documentário em um curso, onde mostra o processo de produção da carne e me impactou muito o sofrimento dos animais. Foi quando eu comecei com uma reflexão, me perguntando do por que eu preciso matar outro ser para consumir e o quanto essa comida alimenta, de fato, meu corpo pela morte de outro ser. Assistir a esse documentário foi um ponto de virada e, a partir de agora eu não como mais carne”, diz.

Não menos importante, a questão ambiental como um dos elementos principais para essa alimentação. “A pecuária tem um impacto significativo no ambiente, especialmente no desmatamento e também no cultivo de soja e outras commodities para ração animal. Essa questão ambiental pesou bastante na decisão”, conta.

Sobre os aspectos religiosos ou alguma interferência que resultou nessa nova dieta, Rachel enfatiza a enorme influência de uma nova filosofia de vida que adotou para ela e para o mundo. A vontade de se relacionar com o seu interior a fez deixar de ingerir também alimentos que não considera benéficos ao seu corpo. “Eu comecei a praticar meditação, dissociada a qualquer religião, como uma filosofia de vida e que me ajuda muito no meu cotidiano. Percebi que esses alimentos dificultam a minha concentração durante a meditação. Nesse caso, tem uma influência de escolhas da minha própria vida”, relata.

A dieta abre um leque de pratos que vão muito além do tradicional arroz-feijão-alface-bife (Foto: Tainá Vétere e Marina Barrios)

Visão profissional

A preocupação quanto a esse modo de vida, no entanto, é que a pessoa adote uma dieta com excesso de determinados tipos de alimentos e falta de outros. Seguir alguma dieta vegetariana é muito saudável, porém é importante prestar atenção e substituir corretamente os alimentos, para assim conseguir suprir todos os nutrientes necessários para ter uma boa saúde. Por esse motivo, é de extrema importância a orientação nutricional e balanceamento do cardápio aos vegetarianos.

Segundo a nutricionista Eliane Petean Arena, existe um aumento na adesão ao vegetarianismo, causado pela busca por melhorias na qualidade de vida e de saúde, principalmente por pessoas com dificuldades em metabolizar a proteína devido à deficiência na produção da enzima responsável pelo início da digestão da proteína no estômago, a pepsina. Dessa maneira, parte da proteína não é quebrada, gerando desconforto abdominal, enxaqueca e má digestão.

De acordo com ela, há diversos mitos em torno da dieta vegetariana. “Dizem que os vegetarianos vivem mais do que os outros. Isto não é verdade, pois indivíduo com seu aparelho digestório em perfeita condição vive de forma saudável e pode comer os alimentos sem problemas de intoxicação do organismo”, relata.

É mito afirmar que vegetarianos não consomem proteínas ou são anêmicos é falso, uma vez que existem diversas fontes de proteína, não apenas de origem animal, como o feijão, ervilhas e outros grãos.

A escolha por esse modo de alimentação traz benefícios à saúde, mas é preciso certos cuidados, diz Arena. “A digestão dos alimentos torna-se mais rápida e diminui a produção de substâncias tóxicas. Com esse tipo de dieta, as pessoas apresentam uma pele mais saudável, uma porcentagem de gordura adequada desde que coma diariamente a porção recomendada de verduras verde clara e escura, legumes e frutas”.

Aos que pretendem experimentar ou até mesmo mudar seus hábitos alimentares, a nutricionista sugere uma dieta rica em proteínas vegetal, tais como o feijão, lentilha, grão de bico, ervilha e a castanha do Pará, essa última é conhecida pelos vegetarianos como vegetal por ter todos os aminoácidos essenciais. Ela enfatiza ainda a importância da orientação de um profissional de nutrição para manter a alimentação equilibrada, tanto na dosagem de proteínas quanto na dose de vitaminas e minerais.


Edição: Erica Franzon (texto) e Tiago de Moraes (Arte)

Reportagem originalmente desenvolvida para as disciplinas “Laboratório de Jornalismo Impresso II” e “Fotojornalismo” do curso de Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 2016.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.