GAME OF THRONES E A BRANDIFICAÇÃO DA FANTASIA

Ainda ontem estava lendo o texto que o Meio & Mensagem criou, aproveitando o buzz do lançamento da sétima temporada de Game Of Thrones, e ligando a série à elementos do branding.

Acho que tem mais a ser dito, não só referente às marcas de GoT, mas também a algumas peculiaridade do atual momento da ficção e fantasia modernos.

A primeira coisa que acho fundamental entendermos é que, propositalmente ou não, a ficção de massa cada vez mais vem cumprindo um papel que eu chamo de “bandficação”.

Se quando Tolkien criou O Senhor dos Anéis ele não podia ter a parca ideia do que se tratava isso, pelo menos deu, inconscientemente a passagem para que fosse aprimorado hoje em dia.

Suas raças, podemos considerar sem medo, são, cada uma, uma marca em si, o que ajuda a tornar LoTR um dos universos mais imersíveis da ficção mundial.

I see onde vc quer chegar!

De lá pra cá, passamos pelas quatro casas de Hogwarts em Harry Potter, por exemplo, que (mais uma vez), propositalmente ou não, não existem por acaso. A obra de ficção ou fantasia, por si só, torna-se imersiva em uma única viagem, o que estas obras brandificadas fazem, é estreitar e especificar nichos dentro dela, ampliando assim, o leque de atuação e a força fidelizatória — com o perdão do neologismo.

A casa de marcas de JK Rowling

No exemplo inverso, temos Jogos Vorazes, que, apesar do enorme sucesso, jamais conseguiu nem vai conseguir, construir um universo tão imersivo quanto alguns “concorrentes”. Ela bem que tentou nos empurrar goela abaixo os seus 13 distritos, mas não soube exatamente como se comportaria cada um, qual seu equity e sua propriedade. De sua cultura e história, sabe-se pouco mais do que o que cada um produz, o quem nem de longe é suficiente para interessar ninguém a “pesquisar mais”.

Nem me voluntariando eu conquistei sua imersão… :(

Star Wars, por exemplo, apesar da idade, também conta com bons pontos de brandificação, afinal, cada planeta, facção, religião (etc.), é uma marca per se.

Game Of Thrones é uma série que atua sob preceitos e conceitos medievais, o que dá amplo espaço para construção heráldica (os famosos brasões).

A heráldica (o estudo e confecção de brasões), para mim, é o mais importante trabalho de branding já feito pelo homem antes do branding, propriamente dito, existir enquanto ciência: criava toda uma cultura, ainda que familiar, ao redor de um símbolo.

Havia um “logo” (por assim dizer), um “slogan” (por assim dizer), tradições e muita propriedade de marca, como cores, metais, símbolos, produtos, pessoas, etc.

A casa de marcas de Martin

Em GoT a maneira como George RR Martin conseguiu traduzir, de maneira extremamente poderosa, diversos valores e posicionamentos dentro de cada uma das famílias que criou, e unir estes conceitos sob as bandeiras das casas, trouxe um resultado certeiro: estas bandeiras são seguidas, mesmo fora da ficção, por uma horda de fãs pelo mundo todo.

Cada casa se posiciona e transmite um comportamento que encanta a um determinado nicho de pessoas. É possível criar um teste de personalidade baseado com qual casa ou personagem de GoT você se identifica mais.

A simbologia dos “logos” está repleta de pregnância, pois os ícones que representam as casas já dizem muito sobre como elas se comportam. O storytelling de cada uma, no entanto, é, para mim, o fato fundamental para despertar paixões: as histórias passadas antes da série, o que aconteceu antes do livro, isso faz com os fãs entre de cabeça, ombro, joelho e pés nesta ficção. É algo absolutamente crível. Tão crível que a realidade de sua não existência beira a frustração.

Mas não paramos por aí, assim como o branding não para e envolve praticamente tudo que existe no mundo (neste ou em Westeros). A moda e arquitetura dos Stark não revela somente que provêm do frio, mas também que não são dados a modernismos, e preferem manter-se extremamente conservadores e repletos de moralismos ligados à honradez, que os Lannister, apesar de toda a pompa, não se importam muito em dispensar.

E por aí vai.

Mas e pra gente? Simples, basta começar a responder as perguntas que Martin responde tão bem, sem nem ao menos parecer que está respondendo.

Que histórias há por trás de sua marca? Quais os valores? Seus símbolos representam isso e conseguem transmitir estes valores de maneira prática? A maneira como você se comunica, o tom de voz da sua marca, ele representa o posicionamento e conceitos dela?

Para quem estudo marcas, para quem TEM uma marca, o mais interessante disto tudo é conseguir identificar elementos que podem SIM, ajudar você também a construir marcas tão sólidas e apaixonantes quanto as de Martin.

Já pensou?

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