
Engajamento de colaboradores em uma era de mudanças sociais
Por Mark Shadle
São tempos difíceis tanto para executivos quanto para comunicadores de empresas, pois ambos tentam decidir o que dizer a seus colaboradores a respeito do atual ambiente político, econômico e social.
Por um lado, os negócios estão em expansão, apontando boas oportunidades para quem está empregado e também para quem procura uma vaga. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego é a mais baixa em décadas. Pela primeira vez, mais de 50% dos americanos acham que a realidade atual é propícia para encontrar um emprego de qualidade. E, de acordo com a Gallup, a confiança dos americanos na economia em fevereiro de 2017 atingiu o maior índice de quase uma década. A confiança nas empresas está em alta.
Porém, o ambiente de trabalho não está imune às questões em voga. A nação sofre uma divisão partidária, até certo ponto, geracional. Os consumidores hoje afirmam ter uma sensação de injustiça, uma falta de esperança, uma falta de confiança no sistema e um desejo de mudança. Para os gestores, há motivos concretos de receio: não se trata de preocupações de um grupo isolado, elas refletem a perspectiva de seus próprios empregados. Colaboradores de todos os lugares têm incertezas sobre o futuro e estão ávidos por informações nas quais possam confiar.
Os trabalhadores dizem que querem ver seu gestor se posicionar sobre questões sociais. Mas os líderes devem agir com cautela e considerar as diferenças de opinião de funcionários e stakeholders ao assumir uma posição corporativa. Pense nas ações recentes da Starbucks, da Lyft e da Amazon, que foram aplaudidas na mídia por suas respostas a políticas do governo Trump. Uma sondagem da Morning Consult mostrou que cerca de 60% dos millennials apoiaram essas atitudes corporativas. No entanto, uma observação mais detalhada da pesquisa mostra que o apoio aos lances dados por empresas cai conforme a faixa etária, com apenas metade das pessoas com cerca de 30 anos sendo a favor das ações, e ainda menos entre a Geração X. Cada companhia tem uma combinação própria de gerações, gêneros e etnias, por isso é recomendável que a administração leve em conta a população inteira de funcionários e tente se comunicar com todos eles a respeito de assuntos importantes.
Nesse ambiente, há várias considerações sobre como uma empresa deve se comunicar com seus empregados em relação a mudanças políticas e sociais. Se uma companhia deve ou não falar alguma coisa depende de ela ter algo substancial a comunicar. Tem alguma coisa de fato mudando para os funcionários? Existe uma ameaça iminente ao negócio sobre a qual todos devem saber? Um comunicado sobre isso fará os colaboradores se sentirem mais seguros e menos preocupados? As respostas a essas perguntas guiarão, em última instância, as decisões de cada empresa.
A seguir, algumas diretrizes para a comunicação com os funcionários, especialmente sobre questões sociais:
- Aproveite este momento como uma oportunidade para reafirmar os valores da companhia. Reconheça a incerteza, mas deixe os valores da empresa claros e explícitos. Atenção: na verdade, não há momento inoportuno para fazer isso.
- Explique aos colaboradores por que o ambiente atual é importante para a empresa e como a direção está tomando suas decisões.
- Não é um momento da marca; é um momento de estratégia. Empresas construídas para durar são capazes de resistir a todos os tipos de mudança, política ou não.
- Se a companhia tem operação global, lembre os funcionários da necessidade de respeitar as culturas em todos os lugares, principalmente as diferenças.
- Não suponha que todos os seus stakeholders concordam entre si. Tome os resultados eleitorais como exemplo: pode haver muitos funcionários que apoiam esse governo.
- Operacionalmente falando, intensifique o monitoramento. Seja transparente sobre o que você sabe e como isso define suas decisões.
- Planeje fazer mais de uma comunicação — não divulgue apenas um único comunicado. Conforme o noticiário se desdobrar, provavelmente mais questões se desenvolverão e haverá mais coisas a serem ditas aos colaboradores. Mantenha o diálogo.
- Presuma que qualquer comunicado interno vai se tornar público e ser compartilhado nas redes sociais.
- Certifique-se de que os funcionários saibam que têm aonde ir ou alguém com quem conversar se tiverem alguma preocupação — ética, emocional.
- Mostre aos funcionários que você os escuta. Se a direção divulgar algo, mostre que começou a partir de conversas com os colaboradores.
No atual ambiente, precisamos considerar o uso de pesquisa para confirmarmos os passos certos a serem dados — e evitar os errados.
Com a variedade de ferramentas já disponíveis, podemos ajudar a liderança e os comunicadores a testar suas mensagens e seus posicionamentos. Podemos explorar uma gama de ideias e abordagens com grupos seletos de funcionários antes da tomada final de decisão. E, uma vez que a companhia já tenha tomado suas decisões e se posicionado, a pesquisa pode ajudá-la a avaliar as reações de seus colaboradores.
O mais importante é que a liderança precisa colocar os funcionários em primeiro lugar entre todos os seus stakeholders. Estabelecer o apoio interno logo de cara resulta em uma maior defesa e mais sucesso depois.
* Mark Shadle é líder global da prática Corporate da Zeno.

