Futebol e Comunicação

Zenoids Brasil
Jul 10, 2017 · 2 min read

Por Eduardo Gaggini*

“Para a alegria de muitos aí, já, já eu estou indo embora”. Proferida após partida contra o Atlético Mineiro, a frase representou uma pá de cal na conturbada relação entre o zagueiro Lucão e o São Paulo Futebol Clube. O que parecia um simples desabafo na saída do gramado gerou tamanho mal-estar que resultou em multa e afastamento do atleta, que não vestirá mais a camisa do clube.

Paixão nacional, o futebol é discutido em padarias, bares, escolas e ambientes de trabalho. E, desde então, muito se falou se o desenrolar da história foi justo ou não. Fato é que o caso Lucão representa uma lição valiosa em termos de comunicação para pessoas e marcas. Em um mundo onde qualquer um pode dar opiniões e gerar buzz por meio de redes sociais e blogs, o ato de falar e de ser compreendido se tornou altamente estratégico.

Como jornalista, tendo trabalhado em veículos da chamada “grande imprensa”, convivi com colegas altamente capacitados na arte de entrevistar. A maioria deles adotava uma estratégia de preparação detalhada para cada conversa, de modo a entender com profundidade com quem falariam, o que poderiam dizer e quais seriam os eventuais pontos sensíveis a serem abordados. Se um jornalista é tão zeloso nesse processo de preparação, toda e qualquer fonte que deseja se comunicar com esse profissional — e, verdade seja dita, com qualquer outro público — tem, no mínimo, que se qualificar tão bem quanto. Retomando o caso Lucão, fica muito claro a importância de se preparar para uma entrevista, em especial, em momentos de tensão e nervosismo.

É aqui que entra o treinamento de porta-vozes. É preciso saber o que dizer (a partir das key messages — ou mensagens-chave) e o que não dizer. E, em casos de crise, como a que viveu o personagem desse texto, como gerenciá-la de modo a não ampliar um cenário negativo. Ao contrário do que se diz no mundo do futebol, tendo como base os célebres discursos de que “importantes são os três pontos”, o treinamento de porta-vozes não é uma máquina de produzir discursos robotizados, mas de qualificá-los, respeitando as características de cada um.

Vou ainda mais longe: o treinamento de porta-vozes não é uma ação com data para começar e terminar, mas uma estratégia contínua, que tem desdobramentos no dia a dia, antes de uma entrevista e depois dela. Se bem gerido, é um processo onde todos saem ganhando: pessoas, empresas e mídia — que será beneficiada pela conquista de uma fonte qualificada, que lhe fornecerá boas entrevistas.

*Eduardo Gaggini é gerente de contas sênior na Zeno em São Paulo.

Zeno Brasil

Agência global de comunicação integrada com cultura de relações públicas que desenvolve soluções que transformam, geram valor e resultado de negócio.

Zenoids Brasil

Written by

Equipe da Zeno no Brasil — Agência Global de Comunicação Integrada com Cultura de Relações Públicas

Zeno Brasil

Agência global de comunicação integrada com cultura de relações públicas que desenvolve soluções que transformam, geram valor e resultado de negócio.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade