O movimento ageless e as oportunidades para as marcas
Por Larissa Rosa*

Já ouviu falar em gastronomia molecular, medicina regenerativa, eletroestimulação muscular? Vivemos um momento tão poderoso da ciência e da tecnologia que estamos nos descobrindo sem os moldes da idade — física ou social –, o que alguns intitulam de ageless (ao pé da letra “sem idade”). Temos acesso a tantas cápsulas, suplementos, tratamentos preventivos, fórmulas antienvelhecimento, reposições hormonais, intervenções estéticas e cirúrgicas, que começamos a deixar de lado algumas referências antigas, dando espaço a jargões como “Os 60 são os novos 40” e por aí vai.
É uma revolução que vem acontecendo aos poucos e chega acompanhada da oferta de uma série de produtos e tratamentos mas, principalmente, de informação. Centenas de pesquisas mostram quais cuidados devem ser tomados para manter a saúde e o bem-estar em dia — sabemos de cor muitos deles: “beba muita água”, “faça exercícios regularmente” e “durma bem” são apenas alguns imperativos que estão na ponta da língua até dos mais novos. E vocês se lembram do Pedro Bial recitando “Use Filtro Solar”? Pois é, virou até música.
Além dos aspectos físicos, há paradigmas sociais, que limitavam comportamentos a faixas etárias, que vêm sendo desconstruídos. A boa notícia é que, hoje em dia, vemos pessoas mais velhas adotando posturas que antes eram aceitas apenas quando replicadas pelos jovens, como praticar esportes radicais, fazer topless, namorar por meio de apps, tingir os cabelos de cores gritantes, colecionar livros de colorir, ou — por que não? — abrir uma startup.
Os tempos mudaram e muitas marcas não estão alinhadas a eles. Seguem relacionando comportamentos a idades e, consequentemente, deixando de despertar em um público ainda maior o interesse por seus produtos. Perdem a chance, dessa forma, de gerar empatia e de aumentar suas receitas. Outras marcas, no entanto, começam a entender que há um vasto público que consome seus produtos, caso da Skol, que em sua recente abordagem mostra que “Redondo é sair do quadrado”, apontando que verão e cerveja são para todos.
É claro que as marcas seguirão desenvolvendo produtos tendo um público-alvo em mente, como ponto de partida, mas devem encarar a comunicação como uma enorme oportunidade de impactar um grupo maior ainda de consumidores. Basta usar bom senso, criatividade. Marcas, pensem ageless!
*Larissa Rosa é executiva de contas sênior na Zeno em São Paulo.

