As marcas das grandes empresas estão ficando muito parecidas?

Google, AirBNB, Spotify e Pinterest hoje têm identidades muitos parecidas.

Francisco Oliveira
Feb 27, 2018 · 4 min read

É impossível não notar uma atual tendência no design para simplificação. Não dá pra dizer ao certo quais fatores levaram a isso e menos ainda irei me ater à tendencias estranhas como a “Fantasia” em 2018, mas adianto um leve spoiler aqui de que a resposta a tudo isso está no que o Google fez em 2015 ao mudar radicalmente sua marca.

Menos é mais: o caso Google

Posts atrás conversamos sobre como as grandes empresas estavam apostando em famílias tipográficas próprias na expectativa de economizar milhões em licenças. Não leu? Dá uma olhada no link aqui abaixo.

O Google refinou todo o seu branding em 2015, seguindo os novos rumos que a empresa vinha tomando anos antes. Ela já tinha apostado no Flat e no Material Design, então ela reunião toda sua equipe de designers e mudou. O briefing era a empresa ser reconhecida e usada em qualquer tipo de dispositivo independente de qual produto seria utilizado desde o Google Play até o Maps.

Nas notas enviadas a imprensa a Google alegou que um dos motivos seriam o aumento dos acessos a internet por celulares. Segundo a última pequisa do IBGE hoje no Brasil cerca de 116 milhões de pessoas estão conectadas a internet. Isso dá algo em torno de 64% da população do país. E desses número 94,7% acessam por celular. São valores altos e relevantes pra se pensar sobre o como é importante se pensar primeiro nos dispositivos moveis. Sendo assim essa decisão do Google não parece tão aquém assim.

E aqui vem o golpe de mestre deles: economia de dados.

De acordo com uma publicação no blog oficial de design do Google, o novo logotipo da empresa tem apenas 305 bytes. Para fins de comparação, a antiga tinha 14 mil bytes na página de procura. Sendo assim carregamentos mais rápidos, menos uso de servidores e maior acesso a países onde a internet é limitada como Índia e Paquistão, por exemplo, ou seja, mais ponto pra Google.

Utilizando SVGs, nós geramos automaticamente milhares de variantes em vetor, para satisfazer tamanho, cor e requisitos de background. Isso nos ajudou a tornar o pixel perfeito em todos os lugares que é usado, e otimizar a construção de uma variante especial do nosso logotipo full color, de apenas 305 bytes, em comparação com o existente (de 14 mil bytes). O logotipo velho, com suas serifas intrincadas e tamanho de arquivo maior, necessitava que uma variável aproximada, em texto, fosse utilizada para conexões de baixa banda. Reduzir o tamanho do arquivo evita esta solução alternativa e resulta em uma consistência de tremendo impacto quando você considerar o objetivo de tornar o Google mais acessível e útil pra usuários ao redor do mundo.

Tá mais e outros?

Diante dessa breve apresentação do caso da Google já deu pra sacar mais ou menos o que teria motivado os outros certo? Mais ou menos.

Vamos especular aqui.

Seriam essas questões tecnológicas como a economia de dados ou simplificação o motivo? Talvez o fato de estarem se tornando plataformas multibilionárias esteja enviando uma mensagem direta que elas podem ir para novos rumos. Basta ver o Spotify que em 2016 começou a transmitir vídeos, batendo de frente com o gigante dessa área o YouTube.

A mensagem é clara: Todos esses logotipos em negrito e neutros estão dizendo ao consumidor a mesma mensagem: nossa marca e nossos serviços são simples, diretos e claros. E extremamente legíveis.

Somos mais do que apenas uma logo.

Parece um contrassenso ao nosso um universo onde vendemos a ideia de que uma boa identidade visual é fundamental para se criar uma grande empresa. Porém você entender que para essa multinacionais esse não é mais o caso.

Quando se é uma startup é muito comum o peso na marca. Ela deve contar uma história uma identidade, porém para essas gigantes, esse ponto já foi transcendido. Elas sabem muito bem que não são mais definidas pelo logotipo, mas pelo produto ou serviço que elas fornecem. Eles são fortes, graças ao que elas permitem que você faça.

Antes, os designers procuram um “conceito” ao projetar um logotipo.
Isso obviamente não é mais necessário: a marca é o conceito-em-si. Seus logos podem parecer semelhantes, mas o que eles oferecem é totalmente diferente e eficaz, e é isso que finalmente conta para o consumidor. Eles são 100% reconhecíveis.

Sendo assim não é estranho notar que essas marcas não apostam mais em identidade e sim em tipologias próprias que as vezes se tornam, mais reconhecidas até do que os símbolos que as acompanham. E nos livraram do esqueumorfismo que dominava o design até 2007.

Então, estamos presos em um tendencia que pode mudar em breve e tudo isso perder o total sentido, ou não.



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ZINEXT | Editora & Studio

Uma Mini Editora que publica #livros, #quadrinhos e #jogos da sua base em Fortaleza/BR.

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