Aniversariante do dia

Peter Wilhelm Lund nasceu em 1801 na cidade de Copenhague, capital da Dinamarca. Mas tornou-se brasileiro de coração aos 24 anos e aqui faz uma carreira brilhante, contribuindo para o cenário internacional das ciências naturais e inserindo o nosso país no roteiro da paleontologia.

Temendo um surto de tuberculose que atingia a Europa e já havia matado dois de seus irmãos, Peter Lund desafiou o mar a fim de chegar ao outro lado do Atlântico, mais precisamente no Rio de Janeiro. Nessa época, ele era formado em medicina e um grande estudioso de botânica e zoologia. Permaneceu aqui de 1825 a 1829, voltando ao Velho Mundo para concluir doutorado na Alemanha. Quando acabou os estudos, regressou ao Brasil e fixou residência em Lagoa Santa (MG), ponto de partida para ele descobrir mais de 12 mil fósseis e escrever a história do período pleistoceno brasileiro.

Apesar de já existirem fósseis encontrados no Brasil anteriormente, Lund se consagrou como o “pai da paleontologia brasileira” por conta do pioneirismo em pesquisas sistemáticas. É também o precursor em todo o continente americano quando o assunto é arqueologia e espeleologia (estudo das cavernas). Foi o primeiro a apontar a existência de sambaquis e inscrições rupestres na região, além de localizar e explorar mais de 800 cavernas. Cerca de três décadas antes da comunidade norte-americana cogitar a existência do Homem Glacial, Lund, por meio de suas descobertas, já estava convencido de que os primórdios americanos eram tão antigos que haviam convivido com os gigantes animais.

Várias espécies extintas tiveram fósseis descobertos por Lund: cavalos, diversos carnívoros como o tigre-dentes-de-sabre e o cachorro das cavernas, além de preguiças terrícolas, capivara e tatu gigantes. Ainda hoje, o paleontologista é a principal referência para estudos sobre os mamíferos no Brasil.

Antes do surgimento da teoria de Charles Darwin, as descobertas de Lund já apontavam para a evolução das espécies. Em sua obra-prima “A Origem das Espécies”, o naturalista britânico cita a admirável coleção de ossadas fósseis recolhidas pelo dinamarquês nas cavernas do Brasil.

Peter Wilhelm Lund permaneceu no interior do estado de Minas Gerais pelo resto da vida. Morreu em 1880 e o enterro, a seu pedido, teve ares de festa. Com muita música, grande parte da população de Lagoa Santa marcou presença e fez questão de reverenciar e dar adeus ao morador mais ilustre da cidade.

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