Das coisas que se encerram sem um adeus bem dito
o céu ainda estava lá
fosse julho, quem sabe
desamarrotou o terno antigo
limpou os sapatos gastos
se pôs pela rua:
jornais debaixo do braço,
broche na lapela,
o mesmo rosto nos reflexos
nos vidros dos edifícios espelhados.
talvez fosse para um samba,
a gafieira do cafetina café.
ainda era cedo,
cedo do dia, talvez não da vida,
ao menos era o que achava.
“o amor é um desperdício,
uma faísca”
era em tudo o que conseguia pensar
quando a pólvora quente
saiu zunindo pelo vão da tarde.
Brasília, inverno/2009