Giovanna Maffessoni
Apr 12 · 3 min read

Demasiado.

Desculpas pela quantidade de desculpas que você lerá no texto.

Quando menor, interior e exteriormente, li, em alguma crônica da Raquel Queiroz, a frase que dizia — aqui minha memória pede desculpas pelas possíveis alterações — algo de haver dois tipos de pessoas no mundo, as que amam, e as que se deixam ser amadas. Lembro de fechar o livro como se o mesmo me ameaçasse de morte. Ignorei por um instante o que me incomodava, mas as perguntas normalmente não se calam, e essa batucava em mim cada vez mais alto. “Qual das pessoas é você?”. Naquele momento, sem muita reflexão, decidi ser a pessoa que ama. Talvez se pensasse não seria.

A menina da resposta acima não sabia que esse amar é englobado por um universo muito maior, o de sentir. O sentir que nem bom, nem ruim, dança conforme todas e nenhuma música pelos polos, que acreditamos existir, envolvendo-os na ciranda onde até a tristeza pode se fazer feliz e vice-versa.

Agora grande, mais interior do que exteriormente, aprendi que as pessoas são teimosas e corajosas demais pra se encaixarem nas normas imposta por qualquer espírito de força maior. Tem gente que sente demais, e tem gente que sente menos. Tem gente que sente mais isso do que aquilo, e tem gente que prefere sentir esse, não aquele. Tem gente que sente um muito por poucos, e tem gente que sente um pouco por tudo. Tem gente que o seu muito vai ser pouco, e tem gente que o seu pouco vai ser muito. Tem sempre pra quem o sentir não basta, os que não reconhecem o sentir, os que querem sentir só às vezes, ou não querem nunca sentir. Eu nessa multidão me encaixei, me moldei, e cresci um coração que só uma menininha poderia aguentar, eu ainda não consigo. Encaro isso como licença poética do pacto feito entre nós.

E assim a roda viva gira, como Chico já cantou em frases bem mais bonitas. Se o texto pareceu confuso, repetitivo, entusiasta ou sensível demais, é porque a vida é assim mesmo, e se me permitem um conselho de quem não se arrependeu da promessa de seguir o caminho do sentir: Uma vez que rodando pela vida, não se permita parar, porque a única coisa pior do que o sentir, é o não-sentir.

Relendo a crônica, que aliás se chama os dois bonitos e os dois feios, notei uma frase bem diferente da qual imprimi aqui, acho que a autora original não quis dizer isso que por anos pensei. A desculpa que devo a vocês — e talvez a Raquel — é pela minha interpretação de texto falha, ou da minha, sempre companheira, ansiedade por conclusões. Isso ainda dará pano pra muita manga. Prefiro concluir por aqui, agradecendo Raquel, minha falta de memória e de interpretação, minha ansiedade, meu sentir exagerado, minha seletividade rígida. Agradecendo por ser exatamente como sou, como Caio Fernando ensina.

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Giovanna Maffessoni

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Uma música seria melhor do que qualquer tentativa de uma auto-explicação. Não quis ser tão clichê.

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