-

o tal do favoritismo por alguma coisa sempre foi tema favorito de conversa pra ela

levando em consideração que sua bebida favorita era o suco de melancia

isso é claro, quando não era o de pera, limão ou o de maracujá

(volte meia, ouvíamos ela dizer que sua bebida favorita era o refrigerante de uva)

a sua cor favorita variava entre o vermelho, o cinza e o azul

mas muitas das vezes era uma quarta cor, o verde, que combinava com seu tênis preto

(seu calçado favorito em dias de chuva)

(nos dias de sol, o favorito dela era um chinelo azul…


-

eu não mereço um centavo

e nem um gole da mordida que eu nunca dei.

se eu tiver que partir,

o maior motivo é o monstro que eu mesma construí

tijolo e cimento.

mas, te prometo que

deixo contigo minha inteira metade

de uma parte do que eu nunca quis deixar de ter

tudo que sou de verdade,

insuficiente & inconsequente.

palavras cortantes desmontam pedaços já desmontados de ti

se eu me derrubar

quem é que me ajunta?


_

o que eu faço depois do “aqui”?

depois do “agora”?

depois de perder minha cabeça_

cabeça essa que eu já perdi

a muito tempo

pros meus anseios

pras minhas dúvidas

pras minhas insuficiências

pros meus assuntos mal resolvidos que eu não fiz questão de resolver

o que eu faço agora?

antes do depois

antes de estalar meus dedos e já ser o antes do agora

porque do depois eu já não quero mais saber

o que eu faço da minha vida

- antes do agora que acabou de ir

- no agora

- e no depois

?


-
e tu ouve de mim

que todas as playlists que fiz pensando em ti

não fazem mais sentido

porque todas as músicas que eu escuto

me lembram você

me fazem querer estar com você

viver tua alma

ser o teu som preferido

entrar dentro da tua cabeça

_pra nunca mais sair

antes de dormir

e logo após acordar

todas essas músicas são tuas

te amo ou te ouço?


Eu sei que faz tempo que não escrevo. Mas não é por falta de inspiração, é por falta de você.

É pela falta do teu tempo

É por já ser tão pouco o teu carinho.

É pela falta que faz um roteiro do teu dia

É a troca de olhares que a gente não deu

É por não me sentir mais parte da tua vida

É a nossa música que não quer mais tocar no teu ouvido e que, quando toca, não mexe tua boca e nem os teus pés

É por muito do pouco

Ou o pouco do muito?

É pela minha falta

É pela falta que faz você

É pela falta de nós

É pela falta


eu vou parar de escrever

porque o que eu escrevo

não é o que eu faço

porque o que eu penso

não é o que eu falo

e o que eu falo

eu não penso antes de falar.

eu vou parar de escrever

porque o backspace e a borracha apagam essas palavras facilmente

porque são textos que enchem o cachê do teu celular

e porque tu não vai lembrar deles daqui 5 dias.

eu vou parar de escrever

porque eu não sei demonstrar de outro jeito

e

talvez

parando de escrever

eu aprenda.


de pé aqui, eu espero.

por que eu espero?

espero, mas não porque preciso

nem porque alguém me convenceu disso.

espero,

porque é esperando que eu reflito sobre cada passo dado até ficar aqui, de pé, onde espero.

nunca esperei contra minha vontade.

eu espero porque me acalma,

porque me permite ser

e porque não me canso de esperar – o que é estranho de se dizer, levando em consideração cada centímetro ansioso do meu corpo.

mas por ti,

eu espero.

eu fico aqui,

de pé,

olhando

pro teto.

porque o mundo não correu de mim ainda

e nem você.

About

Andressa Musse

Textos mal acabados, poemas mal escritos & português fajuto.

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